quarta-feira, 8 de junho de 2011

La danse, les fleurs

Os dois dançavam aquela valsa, mudos e medrosos
Eram dois errantes, duas crianças que acabavam de ver o mundo
Fascinados, amantes
Dançavam como se precisassem provar a sua dança para alguém
Sussuravam - silêncio era imprescindível naquele momento
Suspiravam, gemiam
Tudo era motivo de muito amor, tudo era estar junto de alguém
Eu os admirava por isso
Por viverem apenas o que acontecia naquele momento
Mas, não gostava do jeito com que ignoravam o mundo todo
Eu queria entrar na dança, enquanto eles deslizavam de um lado para o outro
Gritavam, cheiravam à arte, comiam aquela dança
Como se pudesse terminar a qualquer hora
Mas, não pararava nunca e eles sabiam disso
Eu entrei em um frenesi, gritei também
Queria flutuar por aquele chão brilhante de madeira, como eles faziam tão bem
Caí no chão de tanta raiva, de tanta inveja
E eles pararam a dança e estenderam as mãos pra mim
Segurei como alguém que segura uma flor
Cuidei daquela dança dentro de mim
E ela foi crescendo e eu entrei nela, talvez mais do que qualquer um daqueles dois
E a segurava e dançava e vivia assim
Como alguém que ama uma flor,

com todo o amor do mundo.

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