sábado, 28 de maio de 2011

Meio nada

As coisas andam vindo tão boas pra mim. Tem umas épocas que as marés são tão baixas, digo, na vida mesmo... e que nem sempre a gente consegue segurar o mundo em pé. Mas, ultimamente não, eu me sinto tão bem, tão protegida. Frágil, como me sinto desde que mergulhei de cabeça nessa época onde você não se sente nem criança, nem adulto.
Mas, me sinto amada, me sinto feliz quase o tempo todo. É claro, que em certos momentos, começa o bombardeamento de pensamentos ruins na cabeça e isso vai me desgastando cada vez um pouquinho. Mas, receber um abraço inesperado, ou ouvir um "eu te amo", faz aumentar todos os níveis de energia e felicidade no meu corpo.
Eu escuto algumas pessoas dizerem que elas gostariam de voltar no tempo e viver tudo de novo. Acho que eu nunca quis isso na minha vida, nem com as coisas boas. Quando eu começo a pensar nessa possibilidade, minhas lembranças mais escondidas, começam a trazer imagens de uma dor tão ruim, que eu não tenho a mínima vontade de voltar. Não me arrependo de ter sentido nada daquilo, nunca. Eu sei que só sou assim agora, por todos os momentos bons e ruins que vivi. E é assim que eu me sinto inteira, não ia querer voltar e reaprender a criancice de novo.
Já me senti no fundo do poço, já tive tristezas de adolescente sem explicação. Apesar de saber que é normal, quando dói na gente, dói bem mais.
Fico pensando se todas as pessoas são sensíveis assim, se todo mundo pensa essas coisas, ou chora sozinho por algum motivo que só quem chora entende. Não sei, mas também não invejo isso, não. Acho que cada vez que eu chorei, cada dor que eu senti e cada momento que eu me vi no fundo, bem no fundo do chão, foi bom pra me deixar mais forte e me fazer subir aquele buraco e ver o céu, cada vez mais crescida.
Morro de saudades, da época em que eu não pensava nada disso. Em que eu contava os dias para o meu aniversário, e então, acordava de manhã bem cedo. Via minha mãe, meu pai, minhas tias, minhas irmãs, minha avó ou até a Toninha, arrumando a casa toda e enchendo cada canto daquela decoração que eu tinha escolhido. Já fui Cinderela, Emília, Harry Potter, Mônica, Ursinho, Branca de Neve, já fui tantas caras. E naqueles dias, de manhãs intermináveis, almoços intocados e ansiosidade à mil, eu corria, gritava, pulava, comia brigadeiro e me sentia mais livre do que qualquer um no mundo. No final da festa, dava até uma tristezinha, de ver a casa tão vazia, cheia de fim de brincadeiras, com presentes por todos os lados e restos de sorrisos que passaram por ali. E aí eu me preparava para esperar o próximo aniversário.
Agora, espero, claro. Mas, não é a mesma coisa, não tenho mais vontade de fazer festa, me sinto meio velha, sinto que todos aqueles que brincavam nos meus aniversários, já estão grandes também. E que a gente nunca mais vai convidar um amigo para "brincar lá em casa".
Na rua, eu tenho vontade de gritar para as crianças aproveitarem e viverem ao máximo aquele momento. Sem preocupações, sem provas, sem notas, sem pensamentos complicados, sem muitas tristezas de gente meio criança e meio adulto. É bom, mas é difícil. Sei que é importante pra mim e pra todos que passam por isso. E eu nunca, nunquinha voltaria no tempo.

Mas, por enquanto, só sei que estou muito, muito feliz.

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