quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não há

Acordei, senti que era cedo porque a luz do sol que entrava pela janela do meu quarto ainda era fraca. Virei para o outro lado na esperança de fazer o sono voltar, mas, não teve jeito. Na minha cabeça, ainda dançavam os versos que embalaram a noite anterior "eu sei e você sabe, que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste. Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer, que todos os caminhos me encaminham pra você". Sentei na minha cama, e o frio foi entrando pelo meu pijama, continuei sentada ali um tempo. Até que resolvi finalmente colocar os pés no chão para levantar dali.
Fechei os olhos e dancei, lembrando de ontem. Peguei aquelas rosas todas, e coloquei dentro do livro mais pesado que eu tinha. Abri o meu caderno, escrevi mais um pouquinho sobre tudo aquilo que havia acontecido na minha vida. Do meu armário, peguei o vestido mais colorido e vesti. Por cima, um casaco bem quentinho. "Não há você sem mim e eu não existo sem você".
A música passava colorida, por todos os espaços do meu corpo. E eu ia dançando ali, no meu quarto mesmo, com a meia luz que entrava pela janela e o vestidinho balaçando nos meus joelhos.
"Assim como o oceano só é belo com luar, assim como a canção só tem razão se se cantar, assim como uma nuvem só acontece se chover, assim como o poeta só é grande se sofrer, assim como viver sem ter amor não é viver. Não há você sem mim e eu não existo sem você."
Não há, não há, não há. Botei a minha sapatilha, só para ouvir o som dela batendo de leve contra a madeira, ritmando a minha música. Resolvi sair um pouco para o mundo real, abri a porta e o barulho e o cheiro forte de café, me envolveram rapidamente. Eu sabia que naquele mundo, meus sonhos não eram permitidos. Afinal, me esperavam tantas responsabilidades.
Mas, eu sabia também, que era só abrir a porta, que eu voltava para o meu quarto, para os meus sonhos e para o meu amor. Porque a minha música, eu sabia, estaria comigo o tempo todo.

Música: Eu não existo sem você - Tom Jobim e Vinícius de Moraes

3 comentários:

  1. Cecilia, esse texto esta encantador! Me permito te dizer que tens o dom de escrever! Não é todo mundo que consegue escrever assim! Mesmo nao conhecendo essa musica me deu vontade de escuta-la!

    lindo lindo lindo!

    com amor, fabi.

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  2. Lindo texto Ce! Fico feliz por escreveres tão bem e por saber que a sementinha da música que um dia plantamos juntas cresceu e deu frutos. Confia nela que nunca te sentirás sozinha!
    beijos!

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