sábado, 26 de fevereiro de 2011

Per te

Vou te deixar por um tempo, sair da tua vida. Prefiro que você pense sozinho, reflita sobre tudo o que acontece por aí. Não vai ser fácil, mas eu já sabia disso há bastante tempo. Prefiro que você não se preocupe comigo, prefiro que você nem ligue mais muito pra mim. Ou melhor, pare de passar na minha frente o tempo todo. E também, de levar os meus pensamentos para onde eles não deveriam ir.
Eu precisava ver, embora soubesse que não daria tão certo assim. Provei para mim mesma, foi um grande exercício. Tive muita raiva de tudo isso, mas, não foi sua culpa. Foi culpa da minha vida mesmo, o que é absolutamente normal. Está tudo bem agora, meus pés não encostam mais no chão e essa música faz eu me sentir mais tranquila em relação a você e a todos os outros.
O que eu quero é entrar de cabeça em outra história? Talvez, talvez... como posso saber? Contigo aprendi que não é bom esperar muitas coisas e que as surpresas são uma das melhores saídas. E também, que apesar de todos os nossos ombros amigos, nós (no fundo) sempre sabemos o que é melhor pra gente mesmo.
Não me preocupo se você achar que eu fiz uma grande confusão, eu fui eu mesma e falei tudo o que se passou na minha cabeça. E como nada foi muito claro, minhas palavras saíam atrapalhadas mesmo. Me desculpe por qualquer coisa e de verdade, não se preocupe comigo. Vou repetir isso, quantas vezes for necessário, até que você coloque de vez na cabeça.
Eu lidei com situações que nunca achei que seria capaz de lidar, eu estive na ponta de grandes abismos e vivi muito mais do que já havia vivido. Obrigada, não só pra você, também.
Obrigada para tudo.
Hoje eu vi o mar, como de costume. Mas, foi mais bonito do que você imagina! Da estrada, eu só via montanhas, areia, pedras e árvores. E de repente, o mar mais azul do mundo. Me senti bem e eu espero que você se sinta assim um dia. Me senti maravilhosamente bem, como diz uma música do Nando Reis:

"A gente só não inventa a dor,
a gente que enfrenta o mal,
quando a gente fica em frente ao mar,
a gente se sente melhor."

E eu me senti melhor mesmo, porque eu sabia que ia ter que resolver coisas mais sérias do que eu queria. Mas, mais por ti e pela tua felicidade. Eu prezo a tua felicidade mais do que você pensa e entendi, ou pelo menos tentei entender, viu? Mesmo. Pode parecer que existe um pouco de raiva em mim, mas, não. Foi muito rápido, concordo. Mas, na hora, eu percebi que você precisava disso e eu entendi.
Espero que a gente se resolva um dia, porque por enquanto, nada passou para mim. Acho que vai passar, não sei o quanto dura. Eu vou escrever sobre tudo, por enquanto são pedaços de uma grande história, que eu vou lembrar para sempre e que faz completa e inteiramente parte de mim agora.

"O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou.
O que está acontecendo? Eu estava em paz, quando você chegou."

E tu vai ver o que eu vou colar por aí, mas, não é de ti não. Só que você faz tão parte dessa história quanto eu. E eu preciso respirar um pouco, foi muito rápido. Saiam, vocês todos. Só por um tempo, acho que como você, eu também não tive tempo pra pensar em tudo isso. E eu preciso, o meu corpo precisa, a minha cabeça e o meu coração mais do que tudo.
Então, é isso. Eu espero te dar um abraço bem apertado e por enquanto, a gente se vê.

Por mais que eu não concorde tanto - quero deixar isso claro. Um dia, quem sabe.

Boa sorte,
vai ficar tudo bem.

Um beijo, um abraço e o meu mais sincero "obrigada".

Até.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

This is real life?

- Bom dia - disseram as três.
- Bom dia - respondeu ele.
- Chá lá pelas 5? - Uma delas falou.
- Sem falta, estou ansioso - respondeu apressado.
- Então, até - disse a do meio.
- Até logo - virou-se e saiu andando.


Os coelhos corriam em circulos em volta dele. As xícaras dispostas pelo chão, indicavam o caminho. Na porta, um quadro. O quadro era a porta, na realidade. Ele abriu e entrou naquele mundo absurdamente maluco.

- Boa tarde - disseram as três.
- Boa tarde - respondeu ele.
- Quer um pouco de chá? - Uma delas falou.
- Sim, estou com sede - respondeu apressado.
- Então experimente - disse a do meio.
- Obrigado - virou tudo o que havia na xícara e saiu dançando.

No caminho para casa, o breu penetrava cada espaço vazio e a sua dança foi ficando mais violenta. Cada passo era uma luta. Os coelhos avançavam, era noite. Chegou na porta de sua casa, abriu. Não viu nada além da xícara de chá que o convidava para uma boa noite de sono. Tomou tudo ainda fervendo e entrou naquela cama absurdamente maluco.

- Bons sonhos - disseram as três.
- Bons sonhos - respondeu ele.
- Quer o que amanhã? - Uma delas falou.
- Paz, antes que mudem de ideia - respondeu apressado.
- Então durma - disse a do meio.
- Boa noite e obrigado - virou-se para o lado e dormiu enganando sua própria mente.

Ele sabia que amanhã era tudo de novo. Mas, precisava aproveitar seu sono. Fingir que tinha um pouco de paz. Na realidade, nem o que era paz ele sabia.

E os coelhos continuavam correndo, agora mais calmos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não há

Acordei, senti que era cedo porque a luz do sol que entrava pela janela do meu quarto ainda era fraca. Virei para o outro lado na esperança de fazer o sono voltar, mas, não teve jeito. Na minha cabeça, ainda dançavam os versos que embalaram a noite anterior "eu sei e você sabe, que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste. Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer, que todos os caminhos me encaminham pra você". Sentei na minha cama, e o frio foi entrando pelo meu pijama, continuei sentada ali um tempo. Até que resolvi finalmente colocar os pés no chão para levantar dali.
Fechei os olhos e dancei, lembrando de ontem. Peguei aquelas rosas todas, e coloquei dentro do livro mais pesado que eu tinha. Abri o meu caderno, escrevi mais um pouquinho sobre tudo aquilo que havia acontecido na minha vida. Do meu armário, peguei o vestido mais colorido e vesti. Por cima, um casaco bem quentinho. "Não há você sem mim e eu não existo sem você".
A música passava colorida, por todos os espaços do meu corpo. E eu ia dançando ali, no meu quarto mesmo, com a meia luz que entrava pela janela e o vestidinho balaçando nos meus joelhos.
"Assim como o oceano só é belo com luar, assim como a canção só tem razão se se cantar, assim como uma nuvem só acontece se chover, assim como o poeta só é grande se sofrer, assim como viver sem ter amor não é viver. Não há você sem mim e eu não existo sem você."
Não há, não há, não há. Botei a minha sapatilha, só para ouvir o som dela batendo de leve contra a madeira, ritmando a minha música. Resolvi sair um pouco para o mundo real, abri a porta e o barulho e o cheiro forte de café, me envolveram rapidamente. Eu sabia que naquele mundo, meus sonhos não eram permitidos. Afinal, me esperavam tantas responsabilidades.
Mas, eu sabia também, que era só abrir a porta, que eu voltava para o meu quarto, para os meus sonhos e para o meu amor. Porque a minha música, eu sabia, estaria comigo o tempo todo.

Música: Eu não existo sem você - Tom Jobim e Vinícius de Moraes

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

02/02



Sou vagabundo
eu confesso, da turma de 71
Já rodei o mundo

e nunca pude encontrar
Lugar melhor para um vagabundo, que um rio à beira mar
Odoiá odofiaba salve a minha mãe Iemanjá
Que foi que me deram pra levar
Pra dona Janaína que é sereia do mar?
Pentes de osso, laços de fitas
Pra dona Janaína que é moça bonita,
que é moça bonita.
Café na cama eu gosto, com suco de laranja, mamão
E um vinho em cima da mesa
Amanhã quando você,
quando você for trabalhar
Tome cuidado que é pra não me acordar
Eu durmo tarde, a noite é minha companheira
Salve o amor salve a amizade, a malandragem, a capoeira,
a capoeira.

Vagabundo Confesso - Dazaranha

02/02 dia de Iemanjá, uma homenagem

Que tudo é mar

- e mais nada.