quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Enquanto houver sol, enquanto houver Sol

Ela tinha olhos de sol
Sabe? Olhinhos brilhantes
Apelidei a menina de girassol
Na realidade, não sabia o seu nome
Desenhavámos juntos a tarde
E quando o sol ia deixando o seu rastro no céu,
ela sumia.
Não sabia bem pra onde ia
Provavelmente pra casa,
bem, não tinha tanta certeza assim.
Girassol não falava muito
Mas, seus olhos sorriam para mim
Ela era pequena, ruiva e tinha sardas no rosto todo
De tão pequenininha, resolvi chamá-la só de Sol
Afinal, Girassol era um apelido tão grande!
A gente brincou por muitos verões
Ninguém sabia da Sol
Eu não queria dividi-la com ninguém
Mas, nem era só por isso
Acho que ela gostava de passar despercebida
Sempre que a gente caminhava,
As pessoas iam ficando felizes
Eu sempre achei que era coincidência
Mas, era a Sol que deixava as pessoas assim
E ela ia quietinha, só sorrindo com os olhos
Iluminando as casas e as vidas mais escuras
Sol era assim, a minha melhor amiga.
E em um dia de chuva,
ela não veio brincar comigo
Eu peguei meu guarda-chuva e fui esperá-la no jardim
Sol não apareceu, nem ela, nem os sorrisos das pessoas,
nem o meu.
E no dia seguinte, ela não veio de novo
Acho que a Sol resolveu tirar umas férias de mim
Eu esperei por muito tempo, comecei a mudar
Comecei a crescer
E ela não veio mais.
Eu só sabia que ela estava por aí,
pois os dias estavam mais iluminados do que nunca!
Tudo brilhante e sorridente.

Espero a Sol até hoje,
Nem acredito mais que ela possa ter desistido de mim
Só acho que foi brincar um pouco com outra criança
Mas, agora eu sei fazer o mundo brilhar, como ela faz
E acho que por isso não vou mais vê-la,
Pelo menos, não agora
Mas, sei que enquanto houver sol,
E enquanto houver a Sol,

Ainda haverá

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Já começo este post,

desencorajando vocês à lê-lo. Não que eu não queira, sintam-se a vontade. Só imagino que é provável que não entendam nem uma linha do que eu vou escrever, mas, não é loucura minha. É necessidade, preciso botar pra fora uma crise existencial que está causando turbulências no meu corpo todo. A culpa é da adolescência e dos hormônios, melhor assim. Desse jeito nos fazem transferir os problemas para uma causa maior, afinal, isso tudo não parte só da gente.

Já cansei dessa história, dessa burguesia infiltrada na cabeça das pessoas que moram nessa cidade. Já cansei dele e do jeito com que ele faz a minha cabeça sair do lugar. Já cansei de chorar no colo dos outros e de rir das mesmas piadas. Quero mudar de vida por um tempo, sair daqui e recomeçar do zero. Preciso de um tempo sem pensar nessas coisas que andam ocupando tanto a minha cabeça.
Quero voltar inteira e me divertir com os meus amigos como eles merecem, sem mudar o assunto das conversas o tempo todo, ou melhor, sem prestar atenção no que eles dizem.
Preciso de um tempo pra mim, sem todas essas pessoas. Elas são tão tudo pra mim que eu me afogo no meio de tantos abraços conhecidos. Preciso de novas opiniões, se é que me entendem.
Me permitam sair um pouquinho, o meu amor por vocês será o mesmo sempre. Eu só preciso disso, sabem? Um alívio.

Na verdade, eu acho que isso daqui a pouco passa. Embora pareça que não vai passar nunca... essa confusão toda. Passa, não passa? Me diz que sim porque é essa palavra que eu preciso ouvir. "O essencial é invisível aos olhos" como disse o pequeno príncipe e eu acho que é mesmo. O essencial é o que sentimos e sentimentos partem invisíveis de pessoas tão reais.

Eu sei que vai passar, até porque ninguém vive em crise a vida toda. Mas, o tempo se enrola todo e parece uma eternidade. Só preciso ter a cabeça mais fresca para clarear os meus pensamentos e entender tudo o que está se passando aqui dentro, de uma maneira mais simples. Ver tudo de fora, remediar tudo de fora. Vai ser bom pra mim, entendam.

Mas, por enquanto, antes de cuidar da minha crise existencial, muito aliviada pelos meus amigos, família e música... eu preciso resolver uma questão:

quero a minha voz de volta!

SOJA e Nando Reis me deixaram assim, que festa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As coisas tão mais lindas

As coisas tão mais lindas - Nando Reis

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Primeiros passos, aparentemente despretensiosos

2011 já está batendo enfurecidamente na minha porta e nas portas de cada casa do mundo. Esse ano foi o mais diferente de todos, foi o que passou mais rápido, talvez, um dos que eu fui mais feliz, ou melhor, mais inteira. Cada palavra, ato ou pensamento, foi íntegro e completo. Me joguei de cabeça em quase tudo, sofri muito por isso. Resumindo, foi um ano vivido da forma mais intensa possível. Admito que não foi muito bom em vários momentos, as consequências de se atirar de abismos o tempo todo é uma quantidade imensa de ansiedade, nervosismo, dependência... mas, também, convenhamos: liberdade e amor vindos de um impulso são bem melhor aproveitados.
2010 me fez perceber muitas coisas, um choque de muitas 'realidades'. Percebi que algumas coisas boas passam rápido pra caramba, mas as ruins podem
passar também, se a gente quiser. Algumas acabam e outras são as famosas lembranças que a gente nunca esquece. Não foi um ano fácil, chegar a essa conclusão foi uma prova viva, eu senti muitas coisas acabando em volta de mim. A injeção de ânimo, são as novidades, que vão surgindo devagar, fazendo a gente esquecer de algumas tristezinhas dessas. Descobri que a vida é curta e que cada momento tem que ser muito bem aproveitado, a frase clichê que nos diz para viver apenas o presente, ecoou na minha cabeça por muito tempo.

Foi um bom ano - o que não o torna fácil.


Terminei muitas histórias, saí de um lugar que fez parte do meu cotidiano por longos 12 anos. Chorei bastante, recebi os abraços mais quentinhos do mundo, escrevi bastante, fui reconhecida por isso. Toquei piano, flauta. Amei mais que tudo nessa vida. Percebi o quão maravilhosos eram os amigos que estavam perto de mim, fui família, fui poeta, fui casa, fui colo, fui artista, fui mãe, irmã, afilhada, amiga, tia, prima, dinda, Cecília. Fui eu, o tempo todo. Posso afirmar que esse ano fui mais eu do que nunca.
Não me arrependo de nada, de nenhum risco que corri e de nenhuma missão mau sucedida. Foi tudo necessário, as vezes pouco pensado, mas sempre verdadeiro, impulsivo. Cobrei menos de mim esse ano, me permiti um cheiro de liberdade interna.

Agora me preparo para este 2011 que já veio com tanta cara de férias, mas eu sei que amanhã tudo muda de novo, 15 anos. Amanhã farão 15 anos que eu estou nesse mundinho, nessa cidade Florianopolitana. Sempre imaginei essa data, 15 anos, tão grande, tão madura. E as vezes me sinto tão pequenininha em um mundão desses. Mas, eu não quero esperar algo especial, não quero trocar a sapatilha pelo salto e nem ver os meus amigos com roupas de gala dançando em um baile. Quero continuar sendo eu mesma, um pouquinho mais velha, com um pouquinho mais de responsabilidades.

Feliz acima de tudo, inteira, completa. Quero amar sem limitações e sem impedimentos. Sejam felizes comigo, vamos compartilhar a nossa felicidade para deixar esse mundo mais colorido. Vamos aproveitar meus 15 anos juntos! Só preciso agradecer aos que fizeram os meus 14 e meu 2010 tão maravilhosos. Me apaixonei, o que mais posso dizer? Foi único. Obrigada de verdade.

Me deem a mão e vamos juntos, dar o primeiro passo para um novo ano, um novo ciclo, uma nova escola, uma nova idade, um novo amor, novos amigos. Me ajudem a entender que muita coisa vai mudar nesse 2011 que veio com esse jeitinho assim, de mansinho, meio despretensioso. Então é isso, não vamos idealizar nada, deixem que venha, tudo a seu tempo.

Boa sorte, feliz ano novo e feliz 15 anos compartilhados. Para vocês e para mim também.