sexta-feira, 22 de julho de 2011

Blog da Mostra

Fiquei meio longe daqui por um tempo, mas foi por um bom motivo, fui convidada para participar do Blog da Mostra de Cinema Infantil:

http://www.bloguinhodamostra.blogspot.com

Um convite muito especial!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

La danse, les fleurs

Os dois dançavam aquela valsa, mudos e medrosos
Eram dois errantes, duas crianças que acabavam de ver o mundo
Fascinados, amantes
Dançavam como se precisassem provar a sua dança para alguém
Sussuravam - silêncio era imprescindível naquele momento
Suspiravam, gemiam
Tudo era motivo de muito amor, tudo era estar junto de alguém
Eu os admirava por isso
Por viverem apenas o que acontecia naquele momento
Mas, não gostava do jeito com que ignoravam o mundo todo
Eu queria entrar na dança, enquanto eles deslizavam de um lado para o outro
Gritavam, cheiravam à arte, comiam aquela dança
Como se pudesse terminar a qualquer hora
Mas, não pararava nunca e eles sabiam disso
Eu entrei em um frenesi, gritei também
Queria flutuar por aquele chão brilhante de madeira, como eles faziam tão bem
Caí no chão de tanta raiva, de tanta inveja
E eles pararam a dança e estenderam as mãos pra mim
Segurei como alguém que segura uma flor
Cuidei daquela dança dentro de mim
E ela foi crescendo e eu entrei nela, talvez mais do que qualquer um daqueles dois
E a segurava e dançava e vivia assim
Como alguém que ama uma flor,

com todo o amor do mundo.

sábado, 28 de maio de 2011

Meio nada

As coisas andam vindo tão boas pra mim. Tem umas épocas que as marés são tão baixas, digo, na vida mesmo... e que nem sempre a gente consegue segurar o mundo em pé. Mas, ultimamente não, eu me sinto tão bem, tão protegida. Frágil, como me sinto desde que mergulhei de cabeça nessa época onde você não se sente nem criança, nem adulto.
Mas, me sinto amada, me sinto feliz quase o tempo todo. É claro, que em certos momentos, começa o bombardeamento de pensamentos ruins na cabeça e isso vai me desgastando cada vez um pouquinho. Mas, receber um abraço inesperado, ou ouvir um "eu te amo", faz aumentar todos os níveis de energia e felicidade no meu corpo.
Eu escuto algumas pessoas dizerem que elas gostariam de voltar no tempo e viver tudo de novo. Acho que eu nunca quis isso na minha vida, nem com as coisas boas. Quando eu começo a pensar nessa possibilidade, minhas lembranças mais escondidas, começam a trazer imagens de uma dor tão ruim, que eu não tenho a mínima vontade de voltar. Não me arrependo de ter sentido nada daquilo, nunca. Eu sei que só sou assim agora, por todos os momentos bons e ruins que vivi. E é assim que eu me sinto inteira, não ia querer voltar e reaprender a criancice de novo.
Já me senti no fundo do poço, já tive tristezas de adolescente sem explicação. Apesar de saber que é normal, quando dói na gente, dói bem mais.
Fico pensando se todas as pessoas são sensíveis assim, se todo mundo pensa essas coisas, ou chora sozinho por algum motivo que só quem chora entende. Não sei, mas também não invejo isso, não. Acho que cada vez que eu chorei, cada dor que eu senti e cada momento que eu me vi no fundo, bem no fundo do chão, foi bom pra me deixar mais forte e me fazer subir aquele buraco e ver o céu, cada vez mais crescida.
Morro de saudades, da época em que eu não pensava nada disso. Em que eu contava os dias para o meu aniversário, e então, acordava de manhã bem cedo. Via minha mãe, meu pai, minhas tias, minhas irmãs, minha avó ou até a Toninha, arrumando a casa toda e enchendo cada canto daquela decoração que eu tinha escolhido. Já fui Cinderela, Emília, Harry Potter, Mônica, Ursinho, Branca de Neve, já fui tantas caras. E naqueles dias, de manhãs intermináveis, almoços intocados e ansiosidade à mil, eu corria, gritava, pulava, comia brigadeiro e me sentia mais livre do que qualquer um no mundo. No final da festa, dava até uma tristezinha, de ver a casa tão vazia, cheia de fim de brincadeiras, com presentes por todos os lados e restos de sorrisos que passaram por ali. E aí eu me preparava para esperar o próximo aniversário.
Agora, espero, claro. Mas, não é a mesma coisa, não tenho mais vontade de fazer festa, me sinto meio velha, sinto que todos aqueles que brincavam nos meus aniversários, já estão grandes também. E que a gente nunca mais vai convidar um amigo para "brincar lá em casa".
Na rua, eu tenho vontade de gritar para as crianças aproveitarem e viverem ao máximo aquele momento. Sem preocupações, sem provas, sem notas, sem pensamentos complicados, sem muitas tristezas de gente meio criança e meio adulto. É bom, mas é difícil. Sei que é importante pra mim e pra todos que passam por isso. E eu nunca, nunquinha voltaria no tempo.

Mas, por enquanto, só sei que estou muito, muito feliz.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Alvina

Essa semana ela foi embora. Talvez não tenha ido completamente, porque vai ficar na vida de muita gente sempre. Quem sabe até fique por perto, quietinha e invisível. Isso de morte é tão estranho, nunca explicam pra gente direito. Acho que na verdade, ninguém sabe o que acontece. Como pode a gente falar da vida de uma pessoa em um dia e no outro não poder mais falar do mesmo jeito? Como pode a gente se sentir tão sozinho quando alguém vai embora?
Eu vou te amar sempre, sempre, sempre. Você é a minha luzinha. E se foi bem calma, quietinha, aquele jeito habitual. Como tu foi importante pra mim e nunca vai deixar de ser, não vou deixar que te apaguem das minhas lembranças, nunca! Meus filhos vão ouvir sobre as tuas histórias, o teu jeitinho e a alegria que foi te ter junto comigo por 15 anos.
Acho que desde pequena, mesmo inconscientemente, eu fui me preparando pra um dia ter que me despedir de ti. E por isso mesmo, guardo tantos abraços, cheiros e carinhos na memória. Tuas cartinhas com a letra tremida estão guardadas na minha gaveta, teus presentinhos estão lá, separados com todo o amor do mundo.
De todas as pessoas que já passaram pela minha vida, você foi a mais incrível delas. A dona dos melhores pãezinhos, da imensa flexibilidade, da alegria, da sorte. Tua vida foi uma das mais lindas de todas. E cada um que cruzou contigo, leva uma boa lembrança e um carinho imenso. É fácil ver isso com todos os admiradores que tinhas.
Eu não preciso te descrever pra ninguém e não quero falar mais nada, apesar de ter vontade de escrever sobre cada vez que você me fez rir. Enquanto eu escrevo isso, fico lembrando do jeito com que você falava o meu nome, ou contava as tuas histórias. Acho que você vai ser sempre viva pra mim. E pra todos da nossa família.
Não sei se quero ir lá, pelo menos por enquanto. A última vez que fui, dormi num quarto pertinho do teu. E ainda fui te olhar dormindo. Eu não quero que chorem com o que eu escrevi, não quero que pensem em ti chorando. E sei que você ia falar para pararem com isso.

Obrigada por tudo, espero que você esteja no melhor lugar do mundo agora.
E que continue a alegrar todos que estejam à sua volta!
Alegria é o que me faz lembrar de ti. Obrigada pela família linda que você fez!
Obrigada por tudo, não sei nem como te agradecer direito. Só espero que você saiba o quanto eu sou grata.
E apesar de estar tão longe agora e mais longe ainda dos abraços de todos, eu me sinto perto e espero que todos sintam também. Eu sei que você não ia querer que eu voltasse e que ia querer que eu aproveitasse ao máximo isso tudo aqui. Faço isso por mim e por você, acima de tudo.

Eu te amo muito vovó.

Com amor,

sábado, 23 de abril de 2011

Amor com paixão junto

Ela me perguntou o que era o amor e eu não soube responder. Disse a ela que era quando alguém gostava muito de outro alguém. Desse jeito assim, bem frio mesmo. Como explicar para uma menininha o que é o amor, sem saber como é o amor para outra pessoa? Amar (quase) todo mundo ama. Amar igual, aí eu já não sei.
Com os meus conhecimentos básicos de pouca escola, respondi que um dia ela achava um amor. Mas, com a acidez de todas as minhas desventuras, disse-lhe que amor hoje em dia era coisa difícil de se encontrar. A menina nem entendeu, acho que os pequenos amam assim mesmo.
Tem vezes que ninguém percebe o quanto os pensamentos que envolvem o amor podem ser dolorosos, ou o quanto as palavras podem ser distorcidas enquanto corre fervendo a paixão nas nossas veias. Tem gente que acha consolo em letra de música, eu por exemplo, sou bem assim. Me alivia ouvir algo que se encaixe perfeitamente na minha história, se torna aquela, a música do alguém que eu amo. Já outros, acham nos remédios, na bebida. Se pra eles é bom, deixa que fiquei assim.
Eu estava lá entretida com as minhas ideias, quando a menina voltou e perguntou o que era paixão. Me deixou com as mãos atadas, paixão era mais difícil de explicar que amor. Disse a ela que paixão era fogo, que era um amor que parecia eterno e alucinante. E que talvez depois de um tempo, a eternidade acabasse, aliás, sempre acabava. Amor não é paixão não, paixão pode vir sem amor, amor pode existir sem paixão. Mas, os dois juntos formam uma combinação das mais difíceis de lidar.
Uma combinação tão complicada que enlouquece uma pessoa fácil, fácil. Já vi uns loucos de amor, desses bem loucos mesmo, apaixonados, amantes, não-amados. As sub-divisões são muitas quando se trata desse assunto.
E ela veio de novo, só para perguntar o que eu não queria que ela perguntasse. Soltou as palavras no ar, para eu ir respirando e me queimando por dentro, perguntou se eu já havia amado alguém, mas amado com paixão junto. Falou meio que já indo embora, não sei se pretendia ouvir a minha resposta, ou se simplesmente queria que eu me torturasse mais com aquilo. Não, tão ingênua, nem sabia o que tinha feito.
Preferi não responder, as lágrimas respodiam por si só aquela pergunta.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Valsinha

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar,
olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar.
E não mal disse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar,
e nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar.
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar,
Com seu vestido decotado cheirando à guardado de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços, como há muito tempo não se ousava dar,
e cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou,
e foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou.
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos, como não se ouvia mais.
Que o mundo compreendeu,


e o dia amanheceu em paz."

Valsinha - Chico Buarque.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Você, você

Você teve um momento tão seu. Escutar essas músicas me faz lembrar do cheiro que eu sentia, do cheiro que foi tudo aquilo. Como pode isso? Você ser tão você, tão fechado naquilo que aconteceu, como se todo o tempo fosse determinado. Acabou, fim, passou tudo, até o cheiro.
E o que me restou, acho que nem é o que eu sentia. Afinal, como posso lembrar? São as músicas, as tuas músicas. Não faz sentido ouvir elas todas de novo, é bom só de vez em quando.
Eu não sinto a sua falta, nem quero sentir. Essa onda não vibra mais perto do meu corpo, já passaram algumas que fizeram tudo mudar. E que bom que tudo mudou, não é mesmo?
Eu acho que ninguém nunca vai entender o que aconteceu comigo. Nem eu entendo. Possivelmente, foi a fase mais louca da minha vida. Não sei se isso vai acontecer de novo, não sei se isso tudo volta, não sei de nada. Mas, prefiro não saber e só guardar o gosto que isso me traz.
Enquanto acontecia, era tão intenso, que eu não conseguiria imaginar que um dia sairia do frenesi que foi. Mas, passou e foi tão rápido. Eu tinha que me dar conta, afinal. Obrigada por tudo. Não sei nem do que posso te chamar. Não quero te chamar de nada, prefiro que você seja nada agora. Porque eu sei o quanto você foi, por um tempo, as minhas ideias, a minha vida, os meus motivos, a minha motivação. Mas é isso, foi tudo. Eu sinto agora, uma paz muito grande em relação a toda essa história. Tão minha que quase nem é sua.
No fundo do meu coração, quase batendo na porta do sub-consciente, desejo encontrar tudo o que eu senti de novo. Porque até a minha tristeza foi boa, os frios na barriga foram bons, foi tudo muito meu, e nosso. Mas, se for, um dia vai ser. E eu nem quero que seja agora.

Você nem sabe, ou sabe também... mas, eu estou tão feliz.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Secrets hurt

"Do you know what hurts most about a broken heart?
Not being able to remember how you felt before.
Try and keep that feeling, because if it goes, you'll never get it back."

Cassie (Skins)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu, que não gostava dos loucos.

Suja, entrou na minha sala. Sorriu pra dentro e isso me incomoda, não gosto de gente assim. Não queria conversa, apenas sentou e esperou a sua vez. Não gosto dessas atitudes, isso não me agrada, mas, paciência.
Esperou até que o último fosse embora, atitude um pouco assustadora. Quem sabe o que ela poderia ser? Não sei, uma alcoolatra, viciada, poeta, talvez. Não gosto de poetas, não me agrada gente assim. Pessoa que mistura palavras bonitas é a mais pura inutilidade. E é isso, prefiro os úteis.
Andou até onde eu estava, endureci. Gosto de mostrar superioridade perto disso aí, prefiro que eles achem que o meu carro de 50 mil foi comprado à vista e que prestação é uma palavra que não contém no meu dicionário. Mentira tão mentirosa que só o meu eu mais íntimo sabe o quão cabeluda ela é. Não devia ter dito isso. Mas, não sou desses que se arrependem, não.
Olhou pra mim, fundo nos olhos, desde pequeno eu não recebia uma olhada dessas, daquelas que enxergam até a alma. Não que eu acredite nessas coisas de alma, não. Não gosto de gente assim, que olha desse jeito.
Estava perdendo a paciência, me incomoda o silêncio. Me incomoda o mundo. Ela sorriu, me olhou como se estivesse guardando cada pedaço do meu rosto. Mas, nem do meu rosto eu gosto.
Virou, andou até a maior janela da minha sala. Aquela janela era uma complicação pra mim, já tinha gasto os olhos da cara com o vidraceiro. Herança de família, não dava pra atirar no lixo.
Sorriu pra dentro de novo, e como aquilo me incomodava. Mas, chorou, inclusive. Chorou choro de uma lágrima só, choro não me agrada, prefiro que não chore pra nada. Ela parou, olhou para a rua movimentada e fétida. Abriu os braços e mergulhou em direção ao fim daquela vida impossível, que eu pouco gostava.

Me fez chorar, me fez gritar tão alto.
Fez a minha garganta conhecer o desespero, me fez gostar daquilo.

Me fez lembrar de tudo o que eu queria esquecer e me fez esquecer do mundo, e de tudo o que eu queria lembrar. Enlouqueci. Eu, que não gostava dos loucos.

sábado, 2 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

Codinome beija-flor

"A emoção acabou, que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou. Pra que usar de tanta educação? Pra destilar terceiras intenções, desperdiçando o meu mel, devagarzinho, flor em flor. Entre os meus inimigos, beija-flor." A minha vontade era de cantar isso pra ele o dia todo. A cada momento que eu sentia o seu cheiro e a minha pele se arrepiava com aquela respiração suave. Eu o amava, apesar de saber que ainda amo. Cada toque e cada gesto. A sensação vinha e voltava como se fossem ondas pelo meu corpo, era tão físico quanto apaixonado. Era a mistura mais combinada e perfeita entre todas as emoções possíveis.
"Eu protegi o teu nome por amor, em um codinome, beija-flor. Não responda nunca, meu amor, nunca. Pra qualquer um na rua Beija-flor. Que só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificador." Não precisamos torná-lo claro, não é mesmo, meu amor? Por que você não vem mais? Se cada parte do meu corpo ainda chora. Meus olhos são a porta de saída de um rio que se formou aqui dentro, o que queres de mim?
Me deixa sair, meu amor. Me deixa. Que amor é esse? Louco, alucinante, um vício para cada célula do meu corpo. Eu te amava, apesar de saber que ainda amo. Mas, chega pra nós dois, vamos viver, beija-flor.
"Você sonhava acordada, um jeito de não sentir dor, prendia o choro e aguava o bom do amor." E eu sonho ainda porque os teus olhos nunca vão sair das minhas lembranças, que é o que me resta do teu gosto. Eu não sei mais o que fazer, meu amor. Me deixa.
Me deixa ir, que eu te deixo também. Te desinvento, descrio, "despenso". Nem sei até aonde isso é verdade, nem sei até que ponto os teus olhos são do jeito que as minhas lembranças acreditam que são. Nem sei se o "você" que eu conheço é o "você" que existe. Afinal, nem nome tens, meu amor, meu codinome, beija-flor.

Das minhas histórias inventadas, para o mundo. O que se diferencia da minha vida real e de tudo o que anda acontecendo. Um beijo de borboleta beija-flor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dez curiosidades sobre você

10 coisas que pouca gente sabe sobre mim:

- Eu adoro dormir enrolada em muitas cobertas
- Eu tenho pressão baixa
- Falo francês e quero muito morar na França, um dia
- Não me dou nem um pouco bem com matemática e exatas, em geral
- Amo todo e qualquer tipo de arte, é a paixão da minha vida
- Um dos meus maiores sonhos é dançar na praia (ao pôr do sol) com o meu namorado
- Quando eu faço uma coisa que eu gosto, imagino que está tocando alguma música boa para o momento, o que me deixa extremamente empolgada
- As vezes, eu falo dormindo, ou pelo menos me dizem isso
- Meus sonhos são absurdamente loucos e as vezes eu acordo assustada, de tão reais que parecem ser
- Já comecei um milhão de diários e agendas, mas só tem um que deu certo e esse eu não mostro para ninguém

10 músicas que andam embalando a minha vida ultimamente:

- I am the Walrus (Beatles)
- Pra te Lembrar (Caetano Veloso)
- Mr. Tambourine Man (Bob Dylan)
- Relicário (Nando Reis e Cássia Eller)
- Codinome Beija-flor (Cazuza)
- Roda-viva (Chico Buarque)
- Empire State of Mind - part II (Alicia Keys)
- Home (Edward Shape and the Magnetics Zeros)
- All Over Town (The Kooks)
- Kids (MGMT)

Os 10 filmes da minha vida (até agora):

- Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet)
- LOL (Lisa Azuelos)
- Across the Universe (Julie Taymor)
- Meu Tio Matou um Cara (Jorge Furtado)
- Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (Tim Burton)
- A Bela Adormecida (Disney)
- (500) Days of Summer (Marc Webb)
- O Iluminado (Stephen King)
- Grease (Randal Kleiser)
- Os Pássaros (Hitchcock)

10 lugares que me deixam feliz:

- Praia da Joaquina
- Minha casa, meu quarto
- Ponta do Pitoco, ou qualquer lugar na beira da lagoa
- Rue St Paul, Marais
- Alguma roda-gigante por aí
- Café Kiwi, centro
- Sarapiquá
- Antiga casa da aula de teatro, rua Maria Eduarda
- Compasso Aberto, escola de música
- Qualquer lugar desde que eu esteja com os meus amigos

Eu adoro fazer listas e mais listas, adoro colocar um pouco de mim em outro lugar que não seja o meu corpo e a minha mente. Me desfazer em palavras, escorrer da ponta de uma caneta. Não espero que leiam com o intuito de me conhecer perfeitamente, isso não é quase nada, é uma pontinha da minha vida, minhas preferências e minhas escolhas, talvez.
Só fiz isso porque me deu vontade, depois de ler uma pergunta que algumas pessoas receberam no "formspring" - dez curiosidades sobre você. Achei interessante, nunca tinha pensado em externar para as pessoas, em escrever coisas sobre mim mesma. É uma forma de se conhecer um pouco, ou de perceber coisas que passam habitualmente despercebidas.
Meus pensamentos mais complexos, apaixonados, questionáveis, humanos e internos, eu deixo para as páginas do meu caderno de capa vermelha. Aliás, ando pensante. Mas, ando feliz e tenho um bom motivo para esta felicidade. Só que isso, é um segredo, ou melhor, é um pedaço da minha vida real. Não dessa que a gente vive, de vez em quando, na frente da tela de um computador. E quem vive na minha vida de carne, ossos, pensamentos e palavras, deve saber do que eu estou falando.

Aliás, eu não gosto nem um pouco de dormir cedo, de acordar menos ainda.

sábado, 19 de março de 2011

Coisas que só o coração pode entender

Como a gente muda tanto em tão pouco tempo?
Como a gente cresce tanto em um piscar de olhos?
Como a gente oscila tanto os nossos pensamentos?
Como a gente vai do fundo do poço para o topo do mundo?
Como a gente ama alguém assim?
Como a gente esquece outro alguém tão rápido?
Como a gente consegue viver essa vida absolutamente louca? Me diz?


A minha vida é movida por grandes ondas que vem e vão (e as vezes voltam), grandes, devastadoras, suaves, tranquilas. Com cada uma dessas eu cresço um pouquinho, ou aprendo mais alguma coisa. Sempre entro na próxima, com um resquício da onda anterior. É assim que eu vou, é assim que funciona a minha vida, eu acho. Entender isso é bom, saber disso é bom. Ter conhecimento, ou pelo menos uma ideia, de como a gente mesmo funciona é um ótimo começo.
Só sei que agora eu estou pronta pra essa grande onda que está se formando lá longe, em alto-mar. Espero que ela venha com toda a força do mundo, espero que ela carregue certos medos e incertezas pra bem longe de mim. Espero que ela seja boa como eu imagino que será.
Seja bem vinda, nova onda e nova vida. Eu te aguardo com todo o amor do mundo. Venha que será bom, para mim e para todos nós. Inclusive para aqueles que me aguentaram durante essas últimas semanas antes de saber da sua chegada. Essas semanas rodeadas de muitas inseguranças.
Mas, nada que não tenha valido a pena. Obrigada também à vocês. Acho que começaremos juntos uma nova fase agora.

Bom dia, onda.

domingo, 13 de março de 2011

I know you may not,

want to see me, on your way down from the clouds. Would you hear me, if I told you, that my heart is with you now?

She's only happy in the sun.

Did you find what you were after? The pain and the laughter brought you to your knees. But if the sun sets you free, sets you free, you'll be free indeed, indeed.

She's only happy in the sun.

Every time I hear you laughing, I hear you laughing... it makes me cry. Like the story of life, of your life, is hello, goodbye.


I'm only happy in the sun.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Per te

Vou te deixar por um tempo, sair da tua vida. Prefiro que você pense sozinho, reflita sobre tudo o que acontece por aí. Não vai ser fácil, mas eu já sabia disso há bastante tempo. Prefiro que você não se preocupe comigo, prefiro que você nem ligue mais muito pra mim. Ou melhor, pare de passar na minha frente o tempo todo. E também, de levar os meus pensamentos para onde eles não deveriam ir.
Eu precisava ver, embora soubesse que não daria tão certo assim. Provei para mim mesma, foi um grande exercício. Tive muita raiva de tudo isso, mas, não foi sua culpa. Foi culpa da minha vida mesmo, o que é absolutamente normal. Está tudo bem agora, meus pés não encostam mais no chão e essa música faz eu me sentir mais tranquila em relação a você e a todos os outros.
O que eu quero é entrar de cabeça em outra história? Talvez, talvez... como posso saber? Contigo aprendi que não é bom esperar muitas coisas e que as surpresas são uma das melhores saídas. E também, que apesar de todos os nossos ombros amigos, nós (no fundo) sempre sabemos o que é melhor pra gente mesmo.
Não me preocupo se você achar que eu fiz uma grande confusão, eu fui eu mesma e falei tudo o que se passou na minha cabeça. E como nada foi muito claro, minhas palavras saíam atrapalhadas mesmo. Me desculpe por qualquer coisa e de verdade, não se preocupe comigo. Vou repetir isso, quantas vezes for necessário, até que você coloque de vez na cabeça.
Eu lidei com situações que nunca achei que seria capaz de lidar, eu estive na ponta de grandes abismos e vivi muito mais do que já havia vivido. Obrigada, não só pra você, também.
Obrigada para tudo.
Hoje eu vi o mar, como de costume. Mas, foi mais bonito do que você imagina! Da estrada, eu só via montanhas, areia, pedras e árvores. E de repente, o mar mais azul do mundo. Me senti bem e eu espero que você se sinta assim um dia. Me senti maravilhosamente bem, como diz uma música do Nando Reis:

"A gente só não inventa a dor,
a gente que enfrenta o mal,
quando a gente fica em frente ao mar,
a gente se sente melhor."

E eu me senti melhor mesmo, porque eu sabia que ia ter que resolver coisas mais sérias do que eu queria. Mas, mais por ti e pela tua felicidade. Eu prezo a tua felicidade mais do que você pensa e entendi, ou pelo menos tentei entender, viu? Mesmo. Pode parecer que existe um pouco de raiva em mim, mas, não. Foi muito rápido, concordo. Mas, na hora, eu percebi que você precisava disso e eu entendi.
Espero que a gente se resolva um dia, porque por enquanto, nada passou para mim. Acho que vai passar, não sei o quanto dura. Eu vou escrever sobre tudo, por enquanto são pedaços de uma grande história, que eu vou lembrar para sempre e que faz completa e inteiramente parte de mim agora.

"O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou.
O que está acontecendo? Eu estava em paz, quando você chegou."

E tu vai ver o que eu vou colar por aí, mas, não é de ti não. Só que você faz tão parte dessa história quanto eu. E eu preciso respirar um pouco, foi muito rápido. Saiam, vocês todos. Só por um tempo, acho que como você, eu também não tive tempo pra pensar em tudo isso. E eu preciso, o meu corpo precisa, a minha cabeça e o meu coração mais do que tudo.
Então, é isso. Eu espero te dar um abraço bem apertado e por enquanto, a gente se vê.

Por mais que eu não concorde tanto - quero deixar isso claro. Um dia, quem sabe.

Boa sorte,
vai ficar tudo bem.

Um beijo, um abraço e o meu mais sincero "obrigada".

Até.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

This is real life?

- Bom dia - disseram as três.
- Bom dia - respondeu ele.
- Chá lá pelas 5? - Uma delas falou.
- Sem falta, estou ansioso - respondeu apressado.
- Então, até - disse a do meio.
- Até logo - virou-se e saiu andando.


Os coelhos corriam em circulos em volta dele. As xícaras dispostas pelo chão, indicavam o caminho. Na porta, um quadro. O quadro era a porta, na realidade. Ele abriu e entrou naquele mundo absurdamente maluco.

- Boa tarde - disseram as três.
- Boa tarde - respondeu ele.
- Quer um pouco de chá? - Uma delas falou.
- Sim, estou com sede - respondeu apressado.
- Então experimente - disse a do meio.
- Obrigado - virou tudo o que havia na xícara e saiu dançando.

No caminho para casa, o breu penetrava cada espaço vazio e a sua dança foi ficando mais violenta. Cada passo era uma luta. Os coelhos avançavam, era noite. Chegou na porta de sua casa, abriu. Não viu nada além da xícara de chá que o convidava para uma boa noite de sono. Tomou tudo ainda fervendo e entrou naquela cama absurdamente maluco.

- Bons sonhos - disseram as três.
- Bons sonhos - respondeu ele.
- Quer o que amanhã? - Uma delas falou.
- Paz, antes que mudem de ideia - respondeu apressado.
- Então durma - disse a do meio.
- Boa noite e obrigado - virou-se para o lado e dormiu enganando sua própria mente.

Ele sabia que amanhã era tudo de novo. Mas, precisava aproveitar seu sono. Fingir que tinha um pouco de paz. Na realidade, nem o que era paz ele sabia.

E os coelhos continuavam correndo, agora mais calmos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não há

Acordei, senti que era cedo porque a luz do sol que entrava pela janela do meu quarto ainda era fraca. Virei para o outro lado na esperança de fazer o sono voltar, mas, não teve jeito. Na minha cabeça, ainda dançavam os versos que embalaram a noite anterior "eu sei e você sabe, que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste. Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer, que todos os caminhos me encaminham pra você". Sentei na minha cama, e o frio foi entrando pelo meu pijama, continuei sentada ali um tempo. Até que resolvi finalmente colocar os pés no chão para levantar dali.
Fechei os olhos e dancei, lembrando de ontem. Peguei aquelas rosas todas, e coloquei dentro do livro mais pesado que eu tinha. Abri o meu caderno, escrevi mais um pouquinho sobre tudo aquilo que havia acontecido na minha vida. Do meu armário, peguei o vestido mais colorido e vesti. Por cima, um casaco bem quentinho. "Não há você sem mim e eu não existo sem você".
A música passava colorida, por todos os espaços do meu corpo. E eu ia dançando ali, no meu quarto mesmo, com a meia luz que entrava pela janela e o vestidinho balaçando nos meus joelhos.
"Assim como o oceano só é belo com luar, assim como a canção só tem razão se se cantar, assim como uma nuvem só acontece se chover, assim como o poeta só é grande se sofrer, assim como viver sem ter amor não é viver. Não há você sem mim e eu não existo sem você."
Não há, não há, não há. Botei a minha sapatilha, só para ouvir o som dela batendo de leve contra a madeira, ritmando a minha música. Resolvi sair um pouco para o mundo real, abri a porta e o barulho e o cheiro forte de café, me envolveram rapidamente. Eu sabia que naquele mundo, meus sonhos não eram permitidos. Afinal, me esperavam tantas responsabilidades.
Mas, eu sabia também, que era só abrir a porta, que eu voltava para o meu quarto, para os meus sonhos e para o meu amor. Porque a minha música, eu sabia, estaria comigo o tempo todo.

Música: Eu não existo sem você - Tom Jobim e Vinícius de Moraes

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

02/02



Sou vagabundo
eu confesso, da turma de 71
Já rodei o mundo

e nunca pude encontrar
Lugar melhor para um vagabundo, que um rio à beira mar
Odoiá odofiaba salve a minha mãe Iemanjá
Que foi que me deram pra levar
Pra dona Janaína que é sereia do mar?
Pentes de osso, laços de fitas
Pra dona Janaína que é moça bonita,
que é moça bonita.
Café na cama eu gosto, com suco de laranja, mamão
E um vinho em cima da mesa
Amanhã quando você,
quando você for trabalhar
Tome cuidado que é pra não me acordar
Eu durmo tarde, a noite é minha companheira
Salve o amor salve a amizade, a malandragem, a capoeira,
a capoeira.

Vagabundo Confesso - Dazaranha

02/02 dia de Iemanjá, uma homenagem

Que tudo é mar

- e mais nada.





quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Enquanto houver sol, enquanto houver Sol

Ela tinha olhos de sol
Sabe? Olhinhos brilhantes
Apelidei a menina de girassol
Na realidade, não sabia o seu nome
Desenhavámos juntos a tarde
E quando o sol ia deixando o seu rastro no céu,
ela sumia.
Não sabia bem pra onde ia
Provavelmente pra casa,
bem, não tinha tanta certeza assim.
Girassol não falava muito
Mas, seus olhos sorriam para mim
Ela era pequena, ruiva e tinha sardas no rosto todo
De tão pequenininha, resolvi chamá-la só de Sol
Afinal, Girassol era um apelido tão grande!
A gente brincou por muitos verões
Ninguém sabia da Sol
Eu não queria dividi-la com ninguém
Mas, nem era só por isso
Acho que ela gostava de passar despercebida
Sempre que a gente caminhava,
As pessoas iam ficando felizes
Eu sempre achei que era coincidência
Mas, era a Sol que deixava as pessoas assim
E ela ia quietinha, só sorrindo com os olhos
Iluminando as casas e as vidas mais escuras
Sol era assim, a minha melhor amiga.
E em um dia de chuva,
ela não veio brincar comigo
Eu peguei meu guarda-chuva e fui esperá-la no jardim
Sol não apareceu, nem ela, nem os sorrisos das pessoas,
nem o meu.
E no dia seguinte, ela não veio de novo
Acho que a Sol resolveu tirar umas férias de mim
Eu esperei por muito tempo, comecei a mudar
Comecei a crescer
E ela não veio mais.
Eu só sabia que ela estava por aí,
pois os dias estavam mais iluminados do que nunca!
Tudo brilhante e sorridente.

Espero a Sol até hoje,
Nem acredito mais que ela possa ter desistido de mim
Só acho que foi brincar um pouco com outra criança
Mas, agora eu sei fazer o mundo brilhar, como ela faz
E acho que por isso não vou mais vê-la,
Pelo menos, não agora
Mas, sei que enquanto houver sol,
E enquanto houver a Sol,

Ainda haverá

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Já começo este post,

desencorajando vocês à lê-lo. Não que eu não queira, sintam-se a vontade. Só imagino que é provável que não entendam nem uma linha do que eu vou escrever, mas, não é loucura minha. É necessidade, preciso botar pra fora uma crise existencial que está causando turbulências no meu corpo todo. A culpa é da adolescência e dos hormônios, melhor assim. Desse jeito nos fazem transferir os problemas para uma causa maior, afinal, isso tudo não parte só da gente.

Já cansei dessa história, dessa burguesia infiltrada na cabeça das pessoas que moram nessa cidade. Já cansei dele e do jeito com que ele faz a minha cabeça sair do lugar. Já cansei de chorar no colo dos outros e de rir das mesmas piadas. Quero mudar de vida por um tempo, sair daqui e recomeçar do zero. Preciso de um tempo sem pensar nessas coisas que andam ocupando tanto a minha cabeça.
Quero voltar inteira e me divertir com os meus amigos como eles merecem, sem mudar o assunto das conversas o tempo todo, ou melhor, sem prestar atenção no que eles dizem.
Preciso de um tempo pra mim, sem todas essas pessoas. Elas são tão tudo pra mim que eu me afogo no meio de tantos abraços conhecidos. Preciso de novas opiniões, se é que me entendem.
Me permitam sair um pouquinho, o meu amor por vocês será o mesmo sempre. Eu só preciso disso, sabem? Um alívio.

Na verdade, eu acho que isso daqui a pouco passa. Embora pareça que não vai passar nunca... essa confusão toda. Passa, não passa? Me diz que sim porque é essa palavra que eu preciso ouvir. "O essencial é invisível aos olhos" como disse o pequeno príncipe e eu acho que é mesmo. O essencial é o que sentimos e sentimentos partem invisíveis de pessoas tão reais.

Eu sei que vai passar, até porque ninguém vive em crise a vida toda. Mas, o tempo se enrola todo e parece uma eternidade. Só preciso ter a cabeça mais fresca para clarear os meus pensamentos e entender tudo o que está se passando aqui dentro, de uma maneira mais simples. Ver tudo de fora, remediar tudo de fora. Vai ser bom pra mim, entendam.

Mas, por enquanto, antes de cuidar da minha crise existencial, muito aliviada pelos meus amigos, família e música... eu preciso resolver uma questão:

quero a minha voz de volta!

SOJA e Nando Reis me deixaram assim, que festa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As coisas tão mais lindas

As coisas tão mais lindas - Nando Reis

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Primeiros passos, aparentemente despretensiosos

2011 já está batendo enfurecidamente na minha porta e nas portas de cada casa do mundo. Esse ano foi o mais diferente de todos, foi o que passou mais rápido, talvez, um dos que eu fui mais feliz, ou melhor, mais inteira. Cada palavra, ato ou pensamento, foi íntegro e completo. Me joguei de cabeça em quase tudo, sofri muito por isso. Resumindo, foi um ano vivido da forma mais intensa possível. Admito que não foi muito bom em vários momentos, as consequências de se atirar de abismos o tempo todo é uma quantidade imensa de ansiedade, nervosismo, dependência... mas, também, convenhamos: liberdade e amor vindos de um impulso são bem melhor aproveitados.
2010 me fez perceber muitas coisas, um choque de muitas 'realidades'. Percebi que algumas coisas boas passam rápido pra caramba, mas as ruins podem
passar também, se a gente quiser. Algumas acabam e outras são as famosas lembranças que a gente nunca esquece. Não foi um ano fácil, chegar a essa conclusão foi uma prova viva, eu senti muitas coisas acabando em volta de mim. A injeção de ânimo, são as novidades, que vão surgindo devagar, fazendo a gente esquecer de algumas tristezinhas dessas. Descobri que a vida é curta e que cada momento tem que ser muito bem aproveitado, a frase clichê que nos diz para viver apenas o presente, ecoou na minha cabeça por muito tempo.

Foi um bom ano - o que não o torna fácil.


Terminei muitas histórias, saí de um lugar que fez parte do meu cotidiano por longos 12 anos. Chorei bastante, recebi os abraços mais quentinhos do mundo, escrevi bastante, fui reconhecida por isso. Toquei piano, flauta. Amei mais que tudo nessa vida. Percebi o quão maravilhosos eram os amigos que estavam perto de mim, fui família, fui poeta, fui casa, fui colo, fui artista, fui mãe, irmã, afilhada, amiga, tia, prima, dinda, Cecília. Fui eu, o tempo todo. Posso afirmar que esse ano fui mais eu do que nunca.
Não me arrependo de nada, de nenhum risco que corri e de nenhuma missão mau sucedida. Foi tudo necessário, as vezes pouco pensado, mas sempre verdadeiro, impulsivo. Cobrei menos de mim esse ano, me permiti um cheiro de liberdade interna.

Agora me preparo para este 2011 que já veio com tanta cara de férias, mas eu sei que amanhã tudo muda de novo, 15 anos. Amanhã farão 15 anos que eu estou nesse mundinho, nessa cidade Florianopolitana. Sempre imaginei essa data, 15 anos, tão grande, tão madura. E as vezes me sinto tão pequenininha em um mundão desses. Mas, eu não quero esperar algo especial, não quero trocar a sapatilha pelo salto e nem ver os meus amigos com roupas de gala dançando em um baile. Quero continuar sendo eu mesma, um pouquinho mais velha, com um pouquinho mais de responsabilidades.

Feliz acima de tudo, inteira, completa. Quero amar sem limitações e sem impedimentos. Sejam felizes comigo, vamos compartilhar a nossa felicidade para deixar esse mundo mais colorido. Vamos aproveitar meus 15 anos juntos! Só preciso agradecer aos que fizeram os meus 14 e meu 2010 tão maravilhosos. Me apaixonei, o que mais posso dizer? Foi único. Obrigada de verdade.

Me deem a mão e vamos juntos, dar o primeiro passo para um novo ano, um novo ciclo, uma nova escola, uma nova idade, um novo amor, novos amigos. Me ajudem a entender que muita coisa vai mudar nesse 2011 que veio com esse jeitinho assim, de mansinho, meio despretensioso. Então é isso, não vamos idealizar nada, deixem que venha, tudo a seu tempo.

Boa sorte, feliz ano novo e feliz 15 anos compartilhados. Para vocês e para mim também.