quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fiz(emos) acontecer

Lembro como se fosse hoje, quando eu falei há dois meses atrás, que teria que fazer acontecer. Não só esperar, mas, ir à luta, me expor, sair da zona de conforto. E agora, sobraram dois dias. E o tempo não pára.
Mas, tenho o orgulho de dizer que consegui e que fiz. À meu modo e não do jeito que me falaram que tinha que ser feito. Não foi uma missão perfeitamente concluída, mas, foi feliz e especial do jeitinho que aconteceu. Na verdade, é que não imaginava que seria tão bem sucedida.
Esses foram os dois meses mais difíceis de toda a minha vida, mais duros e sofridos. E foram sim, não é um exagero. Só eu sei o que eu senti e o que aconteceu dentro de mim, só eu. Embora, muitas tenham sido as tentativas de botar isso para fora com palavras inúteis. Não dava pra expressar. Mas, foi bom, foi lindo, foi único. Obrigada!
Agradeço com a minha vida, com o meu coração, com o mais profundo dos sentimentos. Queria poder te dizer tanta coisa. Mas, da minha boca não sai nada, por mais que eu tente muitas vezes.
E de vocês, meus amigos, tantos foram os abraços que recebi, vocês não imaginam o quanto eu sou grata por tudo isso. É impossível medir o amor que eu sinto por cada um de vocês, obrigada do fundo do meu coração, pelo tempo, pela dedicação. E me desculpem por qualquer bobagem, ou por alugar vocês por tantas horas. Não me façam chorar, já me fizeram muitas vezes e estão me fazendo agora. Mas, é um choro bom, não se preocupem. Vocês são as pessoas mais lindas desse mundo e me fazem sentir um dos amores mais profundos que eu conheço.
Não conseguiria tudo isso sem vocês, nunca, nunca mesmo. E agora está acabando. Mas, eu sempre soube, sempre soube que acabaria. Agora que venha a vida e o ensino médio, vamos juntos, de mãos dadas, me segurem só mais um pouquinho nesse colo tão quente. Deixem-me ficar mais algum tempo deitada. E quando eu acordar, contem comigo para tudo, só me deixem abrir os olhos devagar, se não será duro demais.
Eu não quero dizer adeus a tanto amor. Mas, é necessário. Preciso deixar isso tudo ir embora. Mas, não esquecerei nunca do amor que senti e que vou continuar sentindo por um bom tempo... e espero, que um dia, como já disse para alguns, isso possa ser retomado. Já que em vários momentos, a vida me mostrou que as vezes a gente consegue sentir coisas que podem acontecer no futuro. Foi maravilhoso, foi intenso, apaixonante, rápido, lento, estranho, único, à primeira vista. Foi amor, não me diga que foi outra coisa porque só eu posso dizer o que senti.

E agora, eu me preparo para um futuro sem isso, só com as lembranças de tempos que me deixaram tão aérea. E se vocês precisarem, eu estarei aqui para tudo e o meu colo estará disponível pelo tempo que precisar, já que o colo de vocês foi tão quentinho e acolhedor. Vamos viver à vida e aproveitá-la ao máximo, já que ela é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos.
Eu amo vocês mais que tudo no mundo, de um jeito diferente do que senti nesses últimos tempos, talvez até mais profundo, por mais estranho que isso pareça.
Um abraço dos mais apertados e um obrigada por tudo, mãe, Manu, Flora, Dani, Túlio, Gabi, Marina, Aline, Camila, Théo, Guará, Flor, Joana, Luiza, Amanda, Gregor, Micael, Juliana, Raquel e Boeing.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ao mar

"Daqui da areia, não se vê, nenhuma tristeza, nem o que fazer. Só fico aqui, olhando o mar e o vôo das aves planando sobre as ondas, me dizem: baby, deixe passar, deixe voar. O vento bater, o sol esquentar e a nossa onda entubar. Se você for me largar, já sabe onde me encontrar, já sabe onde me encontrar e com quem eu vou estar. Com a minha música, com a minha música" Olhando o Mar (Açaí) - Gralha Azul


É no mar que eu penso quando o que quero é descansar. É o mar, que habita os meus sonhos mais românticos e apaixonados e é no mar que eu me sinto livre, inteira e renovada. Sou da praia, sou da areia, da água do mar, das ondas. Me sinto pequena em uma imensidão tão misteriosa. Me sinto bem por isso, por ser só eu e o mar.
Cada vez que a onda vai, a minha vontade é de jogar todos os meus problemas lá, de deitar na areia molhada e deixar tudo ir embora. E quando a água volta, sinto uma injeção de ânimo penetrar em cada espaço vazio do meu corpo.
Por morar em uma ilha, as vezes ver o mar é tão parte da rotina, que eu nem reparo em sua beleza. Mas, ao mesmo tempo, por morar em um pedacinho de terra perdido no mar, eu me sinto privilegiada.

Tenho vários sonhos, entre eles, um que é simples e ao mesmo tempo, difícil de realizar. Quero um dia, ao pôr do sol e quando estiver mais friozinho, ir à praia e dançar lá, com o meu namorado. Não que eu tenha um namorado, mas isso eu resolvo um dia.

Me sinto meio mar às vezes, meio inconstante e imprevisível. Meio feminina, meio "a mar", meio amando. Ir à praia é sentir o mar em mim, eu e o mar, o mar e eu. Só nós dois, cúmplices de vidas tão distintas. Álibis de segredos adolescentes, hormonais e apaixonados. A vida é tão curta que eu quero vivê-la sempre perto da praia, olhando o mar. Preciso de um tempo para mim, de uma companhia imensa e molhada. Perigosa.
E como diz uma poesia de Cecília Meireles enviada pela minha tia, que tem o mar tão dentro dela quanto eu, nós somos fadadas ao mar. Somos do mar, somos o mar e o mar é um pouquinho da gente também.

Beira Mar
Cecília Meireles

Sou moradora das areias
de altas espumas: os navios
passam pelas minhas janelas
como o sangue nas minhas veias,
como os peixinhos nos rios...

Não têm velas e têm velas; e o mar tem e não tem sereias;
e eu navego e estou parada,
vejo o mundo e estou cega,
porque isso é mal de família,
ser de areia, de água, de ilha...
E até sem barco navega,
quem para o mar foi fadada.


Poesia de Cecílias, de tia, de família, de vida, de ilha, daqui. Afinal, tudo é mar - e mais nada.


Para minha tia, Taiana.