quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Gralha Azul

Bom, eu quero contar uma história que já me causou: amidalite, febre, felicidade, vontade de chorar, gritaria, perda de voz, tédio, felicidade de novo, e uma das maiores lembranças da minha curta vida.
Quando tudo começou, vocês podem ver em uma postagem anterior, mas ainda deste mês. Eu quero falar agora é da segunda parte e a melhor de tudo isso:

Sábado, dia 11 de setembro de 2010 - 22h30 no terminal antigo do centro da cidade de Florianópolis

Eu cheguei com os meus pais, e logo vi uma multidão com violões, skates, risadas e música. Identifiquei como sendo as pessoas que eu estava indo encontrar. No meio de algumas pessoas que eu conhecia e outras que eu apenas tinha uma leve ideia de quem eram, vi os meus amigos, Manu, Marina, Théo, Boeing e Túlio. Todos - imagino - com o mesmo frio na barriga do que eu.
Fui conversar com eles, meus pais foram conversar com a mãe do Théo, Rosa Marta. Ficamos por ali quase 1 hora, esperando um ônibus que não chegava, enquanto isso, do meio das rodinhas, eu ouvia um pouco de Cazuza, Dazaranha e tantas outras bandas e cantores que eu conhecia.
Depois de esperar bastante, o tão esperado ônibus chegou para buscar a gente, fomos para a fila, com a carteira de identidade em mãos, e entre braços e pernas tinham travesseiros, mochilas, bolsas, iPods, câmeras e todas essas coisas que a gente leva em uma viagem. Me despedi dos meus pais, entrei no ônibus, sentei com a Manu. No começo ainda estava aquele burburinho, nem tão baixinho assim, e que pra dizer a verdade, durou até a chegada de manhã em Porto Alegre.

Domingo, dia 12 de setembro de 2010 - o dia inteiro, aeroporto e Pepsi on Stage

Chegamos bem cedinho, estava frio em Porto Alegre. Fomos para o aeroporto, porque era exatamente na frente do local do show, e precisávamos comer. Na verdade, acabamos passando o dia inteiro no aeroporto, mais precisamente na praça de alimentação e jogando Uno. Os meninos, Túlio, Théo e Gregor, não estavam com a gente, a príncipio achávamos que eles estavam na passagem de som, mas descobrimos depois, que eles passaram o dia no hotel, descansando e dormindo - rolou uma inveja geral, admito. Mas, tudo bem, eu tinha feito muitos amigos novos, e muito, muito queridos. Eram 30 pessoas, adolescentes, destas 30, 5 meninas mais a mãe do Théo.
Depois de uma tarde misturada de tédio e ansiedade, atravessamos a rua, e fomos para a fila, na chuva, do Pepsi on Stage. Entramos com apitos, pulseiras de neon, e muitos gritos e braços dados. Ficamos todos bem lá na frente, aliás, grudados na cerca que nos separava do palco. Eu era uma das que estava realmente colada na cerca, e espremida lá, detalhe. Começou o concurso, era uma tensão desgraçada, e eu de vez em quando lembrava que meus pulmões gostavam de um pouquinho de oxigênio. Uma banda, duas bandas, e enfim, ouvimos, com a tão esperada emoção:
GRALHA AZUL!

AAAAAAAAAAAH, foi o que saiu da minha boca do começo ao fim do show deles, tirando a parte em que eu cantei junto as músicas. Foi uma das melhores sensações da minha vida, eu ali, grudada em uma cerca, olhando para um palco, onde estavam meus dois melhores amigos, disputando por algo muito maior do que um festival qualquer. As três músicas que eles tocaram foram maravilhosas, foi tudo absolutamente incrível - eu sei que sou suspeita para falar, mas é verdade - a presença de palco, a afinação, os solos, o conjunto de tudo, a apresentação, absolutamente perfeito. Parabéns.
Eles saíram, eu quase sufoquei os três com o abraço apertado que dei. Começou o show do Detonautas, foi legal, e foi longo, para tamanha expectativa que pairava naquele ar com cheiro de cigarro. Se apresentaram mais 4 bandas do concurso, eu sabia que eles tinham sido a melhor, mas não queria falar isso, para não criar muita expectativa.
Paralelamente ao nervosismo, eu estava super preocupada com a situação dos meus ouvidos, porque eu tinha ficado tão perto das caixas de som, que quando saí de lá, não ouvia nada direito, achei que estava surda. Até liguei pra minha mãe (chorando). Depois descobri que era normal, mas demorou.

Eles entraram no camarim de novo, nós, voltamos para o nosso lugarzinho, ali perto do palco. O cara que anunciava tudo, entrou, junto com os jurados todos. Eles fizeram um discurso e parabenizaram todas as bandas, enquanto isso eu estava na pontinha do abraço coletivo que fazia ecoar os gritos - GRALHA AZUL, GRALHA AZUL - eram tantas mãos e braços que eu só sabia que me seguravam com força. E o Tico Santa Cruz, falou então:

- E a banda vencedora do Pepsi Música 2010 é...

SILÊNCIO. Agonia.

- GRAAALHA AZUUUUUL!

Eu simplesmente não sabia se era pra rir, chorar, gritar. Na verdade, é que não tive tempo para fazer isso, porque fui arremessada para o meio daquela roda toda e só sei que alguém me pegou no colo e começou a me girar lá em cima. Eu estava em transe no meio daquela gente toda, eu abraçava todo mundo, abracei a Marina, a Manu, a Mari e elas estavam como eu, chorando, rindo, gritando, e não acreditando que eles tinham ganhado.
Pois é, ganharam, os meus melhores amigos. Além de ganharem um importante reconhecimento por aí, ganharam a gravação de 1000 cds, e mais, vão fazer a abertura de algum show importante. GANHARAM GENTE.
Eles saíram um tempão depois, eu e mais algumas pessoas, estávamos esperando por eles, quase pulei no colo do Théo e do Túlio, eles estavam como a gente, ninguém conseguia acreditar direito.

Segunda-feira, dia 13 de setembro de 2010 - ônibus e posto de gasolina em Osório/RS

Resumindo tudo para não deixar essa postagem completamente gigantesca, as 3 da manhã, na volta pra cá, nosso ônibus quebrou e nós ficamos presos num posto de gasolina em Osório (1h30 de Porto Alegre), até as 2 da tarde, pois é. Informando minha mãe a cada 1 hora, haha. Imaginem vocês mesmo, o caos, a diversão, a aventura, a chuva e o frio que foi. Mas, valeu a pena! Chegamos as 8 horas da noite, no mesmo terminal onde saímos, minha mãe estava lá, e eles todos estavam, mas, agora, eram os campeões do Pepsi Música 2010.

É isso, não consigo resumir e nem falar metade de todas as coisas boas e engraçadas que aconteceram nessa viagem, mas, que foi maravilhosa e inesquecível, isso foi.

Parabéns, Túlio, Théo e Gregor, é o que vocês falaram, a Gralha Azul é um trio de muitos, esses muitos que vão estar com vocês aonde quer que seja.

Eu amo vocês,
Cecília.

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