quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ao vento

Tem tantas coisas, que eu tenho vontade de escrever para tirar da cabeça. Tantas, tantas. As vezes frases, ou músicas, nomes inclusive. Já comecei diários, e tenho textos não postados aqui que me serviram como desabafo. Fiz aulas de música por muitos anos, mas, escrever ainda é o remédio para tantos dos meus medos. Não que resolva sempre, não mesmo. Mas, a minha relação com as palavras é tão inteira e profunda que as vezes eu não preciso vê-las escritas em um papel, mas eu posso senti-las, e fazer com que naveguem pela minha cabeça, desmanchando cada pedacinho de medo, ou de tristeza.
Já fiz textos pra ti, pra ele, pra elas, pra nós. E pra todos esses 'uns' que vivem à minha volta. Já inventei códigos e escrevi bilhetes para jogar no mar. Já confiei em alguma força invisível, escrevendo pedidos em um papel e jogando no vento. Uma confissão para o nada.
Caminhar também ajuda a aliviar minha cabeça, caminhar por aí, sem rumo nenhum. Por ruas que já serviram de cenário para tantas aventuras, descobertas e alegrias. Sentar na beira da lagoa, olhar as nuvens, deitar ali mesmo, na grama úmida, é um analgésico. Talvez tão eficiente quanto as palavras.
E eu sei que a gente sempre vai ter vontade de jogar pra fora algo que está tão escondido dentro da gente. Mas, cada vez que eu me auto-medico escrevendo, é como se eu sentisse, por um momento, que eu nunca mais terei problema algum. O que eu sei que não é verdade. Embora, seja muito bom e muito útil, acreditar, as vezes.

domingo, 26 de setembro de 2010

Help

AAAAAAAAH. Já está fora de mim, as pessoas vão perceber. Eu necessito. Antes não, antes era meu, guardado, só eu sentia. Preciso disso para nutrir a minha existência. Agora não dá mais, não dá mais.

Help, I need somebody. Help, not just anybody.

A Flora entenderá.

Tem que rir.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Gralha Azul

Bom, eu quero contar uma história que já me causou: amidalite, febre, felicidade, vontade de chorar, gritaria, perda de voz, tédio, felicidade de novo, e uma das maiores lembranças da minha curta vida.
Quando tudo começou, vocês podem ver em uma postagem anterior, mas ainda deste mês. Eu quero falar agora é da segunda parte e a melhor de tudo isso:

Sábado, dia 11 de setembro de 2010 - 22h30 no terminal antigo do centro da cidade de Florianópolis

Eu cheguei com os meus pais, e logo vi uma multidão com violões, skates, risadas e música. Identifiquei como sendo as pessoas que eu estava indo encontrar. No meio de algumas pessoas que eu conhecia e outras que eu apenas tinha uma leve ideia de quem eram, vi os meus amigos, Manu, Marina, Théo, Boeing e Túlio. Todos - imagino - com o mesmo frio na barriga do que eu.
Fui conversar com eles, meus pais foram conversar com a mãe do Théo, Rosa Marta. Ficamos por ali quase 1 hora, esperando um ônibus que não chegava, enquanto isso, do meio das rodinhas, eu ouvia um pouco de Cazuza, Dazaranha e tantas outras bandas e cantores que eu conhecia.
Depois de esperar bastante, o tão esperado ônibus chegou para buscar a gente, fomos para a fila, com a carteira de identidade em mãos, e entre braços e pernas tinham travesseiros, mochilas, bolsas, iPods, câmeras e todas essas coisas que a gente leva em uma viagem. Me despedi dos meus pais, entrei no ônibus, sentei com a Manu. No começo ainda estava aquele burburinho, nem tão baixinho assim, e que pra dizer a verdade, durou até a chegada de manhã em Porto Alegre.

Domingo, dia 12 de setembro de 2010 - o dia inteiro, aeroporto e Pepsi on Stage

Chegamos bem cedinho, estava frio em Porto Alegre. Fomos para o aeroporto, porque era exatamente na frente do local do show, e precisávamos comer. Na verdade, acabamos passando o dia inteiro no aeroporto, mais precisamente na praça de alimentação e jogando Uno. Os meninos, Túlio, Théo e Gregor, não estavam com a gente, a príncipio achávamos que eles estavam na passagem de som, mas descobrimos depois, que eles passaram o dia no hotel, descansando e dormindo - rolou uma inveja geral, admito. Mas, tudo bem, eu tinha feito muitos amigos novos, e muito, muito queridos. Eram 30 pessoas, adolescentes, destas 30, 5 meninas mais a mãe do Théo.
Depois de uma tarde misturada de tédio e ansiedade, atravessamos a rua, e fomos para a fila, na chuva, do Pepsi on Stage. Entramos com apitos, pulseiras de neon, e muitos gritos e braços dados. Ficamos todos bem lá na frente, aliás, grudados na cerca que nos separava do palco. Eu era uma das que estava realmente colada na cerca, e espremida lá, detalhe. Começou o concurso, era uma tensão desgraçada, e eu de vez em quando lembrava que meus pulmões gostavam de um pouquinho de oxigênio. Uma banda, duas bandas, e enfim, ouvimos, com a tão esperada emoção:
GRALHA AZUL!

AAAAAAAAAAAH, foi o que saiu da minha boca do começo ao fim do show deles, tirando a parte em que eu cantei junto as músicas. Foi uma das melhores sensações da minha vida, eu ali, grudada em uma cerca, olhando para um palco, onde estavam meus dois melhores amigos, disputando por algo muito maior do que um festival qualquer. As três músicas que eles tocaram foram maravilhosas, foi tudo absolutamente incrível - eu sei que sou suspeita para falar, mas é verdade - a presença de palco, a afinação, os solos, o conjunto de tudo, a apresentação, absolutamente perfeito. Parabéns.
Eles saíram, eu quase sufoquei os três com o abraço apertado que dei. Começou o show do Detonautas, foi legal, e foi longo, para tamanha expectativa que pairava naquele ar com cheiro de cigarro. Se apresentaram mais 4 bandas do concurso, eu sabia que eles tinham sido a melhor, mas não queria falar isso, para não criar muita expectativa.
Paralelamente ao nervosismo, eu estava super preocupada com a situação dos meus ouvidos, porque eu tinha ficado tão perto das caixas de som, que quando saí de lá, não ouvia nada direito, achei que estava surda. Até liguei pra minha mãe (chorando). Depois descobri que era normal, mas demorou.

Eles entraram no camarim de novo, nós, voltamos para o nosso lugarzinho, ali perto do palco. O cara que anunciava tudo, entrou, junto com os jurados todos. Eles fizeram um discurso e parabenizaram todas as bandas, enquanto isso eu estava na pontinha do abraço coletivo que fazia ecoar os gritos - GRALHA AZUL, GRALHA AZUL - eram tantas mãos e braços que eu só sabia que me seguravam com força. E o Tico Santa Cruz, falou então:

- E a banda vencedora do Pepsi Música 2010 é...

SILÊNCIO. Agonia.

- GRAAALHA AZUUUUUL!

Eu simplesmente não sabia se era pra rir, chorar, gritar. Na verdade, é que não tive tempo para fazer isso, porque fui arremessada para o meio daquela roda toda e só sei que alguém me pegou no colo e começou a me girar lá em cima. Eu estava em transe no meio daquela gente toda, eu abraçava todo mundo, abracei a Marina, a Manu, a Mari e elas estavam como eu, chorando, rindo, gritando, e não acreditando que eles tinham ganhado.
Pois é, ganharam, os meus melhores amigos. Além de ganharem um importante reconhecimento por aí, ganharam a gravação de 1000 cds, e mais, vão fazer a abertura de algum show importante. GANHARAM GENTE.
Eles saíram um tempão depois, eu e mais algumas pessoas, estávamos esperando por eles, quase pulei no colo do Théo e do Túlio, eles estavam como a gente, ninguém conseguia acreditar direito.

Segunda-feira, dia 13 de setembro de 2010 - ônibus e posto de gasolina em Osório/RS

Resumindo tudo para não deixar essa postagem completamente gigantesca, as 3 da manhã, na volta pra cá, nosso ônibus quebrou e nós ficamos presos num posto de gasolina em Osório (1h30 de Porto Alegre), até as 2 da tarde, pois é. Informando minha mãe a cada 1 hora, haha. Imaginem vocês mesmo, o caos, a diversão, a aventura, a chuva e o frio que foi. Mas, valeu a pena! Chegamos as 8 horas da noite, no mesmo terminal onde saímos, minha mãe estava lá, e eles todos estavam, mas, agora, eram os campeões do Pepsi Música 2010.

É isso, não consigo resumir e nem falar metade de todas as coisas boas e engraçadas que aconteceram nessa viagem, mas, que foi maravilhosa e inesquecível, isso foi.

Parabéns, Túlio, Théo e Gregor, é o que vocês falaram, a Gralha Azul é um trio de muitos, esses muitos que vão estar com vocês aonde quer que seja.

Eu amo vocês,
Cecília.

Digo que quero, simplesmente

Digo pra vida que quero
Digo pra vida que a quero
Digo pra vida que te quero
Digamos que eu queira
O que todos nós queremos
Além de todos os instantes
ridículos, inúteis, absurdos, obscenos
Me restam as lembranças e desejos
De instantes plenos e futuramente completos
Complexos
Complicados
Plenos
Plenitude, pra que quero?
Se o que desejo é a oscilação
Que me joga do que me faz bem,
Ao que me desgasta como numa onda
Alcanço a plenitude
Oscilando
Só depois de sair do buraco
É que eu vejo a tua luz mais forte do que nunca
Então,
Digo pra vida que quero
Digo pra vida que a quero
Digo pra vida que te quero

Digamos que eu queira
Simplesmente,
Viver

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um nada, no meio de todos

Para começar, queria pedir desculpa pela minha falta de comprometimento com o blog nesse mês, pois é minha gente, tá tudo muito corrido agora. Provas em cima de provas, trabalhos, festas, amigos, amidalite, família, show da Gralha Azul (QUE GANHOU O PEPSI MÚSICA 2010 - mas isso já rende outra postagem), texto para a formatura, aula de teatro e tantas outras coisas que enchem e ocupam todos os espaços vagos da minha cabeça.

Fui lembrada, essa manhã, da existência do meu blog pela minha leitora mais especial, minha "filha" emprestada, Laura - o detalhe da longa história é que eu sou o pai, sim, não tinha mais vaga como mãe (mas isso também rende outra postagem) - bom, e foi esse aviso que ficou perambulando no meio das minhas ideias a tarde toda. Saí da escola, almocei em casa, saí de novo, tive atividades a tarde, voltei pra casa, tomei remédio (estou com amidalite, sabem?), jantei, fiz uma dolorosíssima depilação nas pernas, tomei banho e - finalmente - sentei na minha cama para deixar a inspiração chegar. Agora eu espero que ela chegue.

Com um fio de inspiração, já um pouco misturado com o sono, eu resolvi escrever sobre nada, sobre o nada que é tão tudo o tempo todo nos nossos dias apressados. Nunca temos um momento de "nada", se a gente para, a gente pensa, mexe o pé, cantarola uma música. Se a gente corre, anda, dança, bom, é autoexplicativo: estamos correndo, andando, dançando. Não paramos um momento, é vital, é humano. Nosso coração não tem descanso, nossos átrios e ventrículos abrem e fecham controlando o sangue que corre por todas as nossas, mesmo mínimas, veias. Nossa respiração não para, nossa cabeça também.
O tempo não nos espera, uns aproveitam ao máximo cada segundo, outros, tentam congelar o tempo com mil e uma cirurgias e técnicas rejuvenescedoras. Mas, ninguém precisa disso, o tempo é igual pra qualquer um e o "nada" vive no meio disso tudo.
É só mudarmos o nosso ponto de vista, que tudo vira nada, nada é nada nesse universo tão grande. Podemos nos ver como centros da nossa própria vida e do universo que criamos em volta de nós mesmos. Mas, podemos levar essa visão para fora do nosso mundinho, e nos enxergar como seres minúsculos e quase insignificantes que formam juntos, um todo. Um todo de muitos nadas.

Esqueçam, acho melhor eu dormir, antes que minhas ideias - que estão crescendo e se empolgando - explodam a minha cabeça.

Boa noite à todos, e me desculpem por minhas filosofias noturnas e Cecilianas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eles, no palco


Neste domingo, dia 12/09 eu vou para Porto Alegre. Todo ano eu vou para Porto Alegre, ou para o aniversário da minha avó, ou para o natal, essas coisas. Mas, dessa vez, eu vou com pessoas da minha faixa etária e felizmente, meus melhores amigos. Mas, não vai ser para comemorar o dia das crianças, ou qualquer outra data festiva, eu vou para ver um show e nós não vamos ver um show juntos. ELES vão fazer o show, ELES, os meus amigos!

Tudo começou, quando eles se juntaram para formar uma banda, que já foi chamada de Bubbles, Cuba e agora Gralha Azul. Pois é, todos sempre tocaram muito bem, e a banda deles era tipo a bandinha promissora, sabe? Tão promissora, que gerou fotos no jornal e entrevistas na televisão e no rádio. Aí, resolveram entrar em um concurso da Pepsi, para bandas da região sul. A gente sempre soube que ia dar certo, claro. E dentre outras (muitas) bandas, Túlio, Théo e Gregor, foram selecionados para passar para a semi final do negócio.
Nem foram pra semi-final, mas sim, para a repescagem. Não por falta de talento, claro, mas porque um dos integrantes estava viajando e não estaria aqui. Foi difícil, tiveram que gravar um acústico, todas as bandas completas na repescagem e eles não.
Eles em Porto Alegre, a gente aqui torcendo para dar tudo certo. E das 10 bandas que haviam sido selecionadas, 5 já estavam na final e as outras 5 iam passar por uma votação do público na internet para selecionarem apenas 2. Não sei como não arranjei uma bela tendinite depois de passar tardes e tardes votando sem parar.
Eles passaram, mesmo com um integrante a menos, e estavam enfim, na final do concurso. Que orgulho, os meus 2 melhores amigos, que cresceram comigo, estavam na final de um concurso de música. Eu sabia que eles eram bons!

E agora, neste sábado dia 12/09, eu vou ver eles lá. Num palco de verdade, num show de verdade, com luzes, barulho, pessoas desconhecidas... mas com os meus melhores amigos, TOCANDO.

Em homenagem ao Túlio e ao Théo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alegria alegria - Caetano Veloso

Alegria Alegria - Caetano Veloso

"Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento.
No sol de quase dezembro, eu vou
O sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas, eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou, por entre fotos e nomes
O peito cheio de amores, vãos
Eu vou, por que não, por que não?

Ela pensa em casamento, eu nunca mais fui à escola
Sem lenço sem documento, eu vou
Eu tomo uma coca-cola, ela pensa em casamento
E uma canção me consola, eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou, sem lenço sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor

Por que não?
Por que não?
Por que não?"

Novo lema: alegria, alegria, aproveitem e ouçam.