segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 5 - final)

Como tinha sido maravilhoso aquele dia, e como tinha sido infinito aquele beijo. Passei o resto do tempo ouvindo músicas e dançando sozinha no meu quarto. Nem lembrava da mensagem da Ana, mas eu já estava decidida a ir conversar com ela no dia seguinte. Deitei na cama e comecei a pensar nele, ah! como me fazia bem. Atrapalhando meus sonhos, a minha irmã Laura entrou correndo e gritando no meu quarto, ela era mais nova que eu. Tenho que concordar, mesmo sendo minha irmã, ela era muito fofa. Mas, como uma boa irmã mais velha, eu não podia ser lá muito amável:
- Laura, já te disse pra não entrar correndo no meu quarto. O que foi? - A minha grosseria não abalou, nem um pouco, o rostinho empolgado da minha irmã.
- Ai Clara, tem um menino lá fora e acho que ele quer falar com você! - Não, eu não tinha ouvido direito, era ele? Só podia ser, ah o que eu faço?
- Ele quer falar comigo? Tem certeza? Me explica como ele é.
- Ai Clara, que coisa, ele quer falar com você sim. Mas, como você acha que eu vou lembrar? Eu vi por 10 segundos.
- Fala Laura, sei lá, a cor do cabelo, dos olhos, qualquer coisa. - As borboletas da minha barriga, já estavam quase na boca.
- Acho que o cabelo é castanho, ele é alto e tem olhos verdes, mas eu não vi direito né? Poxa vida.
Só podia ser, bom, eu tinha que me arrumar. Meu cabelo estava amassado combinando com a minha cara no formato do travesseiro.
- Laura, me dá uma escova de cabelo, rápido! - Ela foi e voltou quase como numa dancinha. Escovei o cabelo e desci correndo, era melhor correr do que ir devagar e voltar no meio do caminho, e me conhecendo bem, existiam grandes probabilidades disso acontecer. Abri a porta da sala e olhei, devagarinho. Realmente, ele estava lá, lindo, sorrindo, perfeito. A Laura veio atrás de mim e ficou olhando pela janela, nem liguei, não dava pra dar uma de irmã mais velha nessa hora.

- Oi Clara! - Ele falou com um sorriso lindo eu prestei tanta atenção nisso que demorei um pouquinho pra responder.
- Oi, nossa, por que você veio aqui? - Ele sorriu de novo.
- Então, a Ana sua amiga, veio me procurar. Ela disse que tinha pego os bilhetes que eu ia te mandar nas aulas, e falou que gostava de mim. Mas, eu expliquei pra ela, que eu gostava de você, ela já sabia, claro. E disse pra eu te pedir desculpas, e que você era a melhor amiga dela e sempre vai ser. - Nossa, a Ana devia ter me falado isso antes! Mas, eu fico feliz que ela tenha dito isso, então está tudo bem entre a gente, daqui a pouco a nossa amizade volta ao normal, tudo vai ficar bem.
- Nossa! Que bom que ela falou isso tudo, acho que agora tá tudo bem, finalmente.
Ele não respondeu, só segurou na minha mão e me deu um beijinho na testa. Os dois começaram a rir com os gritinhos histéricos da Laura do outro lado da janela.
- Então - ele falou rindo - essa é sua irmã?
- Sim, a Laura.
- Ela é muito fofa, parece com você.
Nem precisei responder, minhas bochechas responderam sozinhas, com uma sútil cor vermelha.
- Eu já tô indo, só queria te falar isso mesmo. Até amanhã, e manda um beijo pra Laura - ele me falou sorrindo.
- Até amanhã. - E quando eu me virei, ele me roubou um beijo e foi embora.

Acordei no dia seguinte um pouco atrasada, tomei café da manhã correndo e como eu provavelmente já tinha perdido o ônibus, minha mãe me levou de carro.
Desci no estacionamento e dei tchau pra minha mãe enquanto ela ia embora, ajudei a Laura a descer e ela foi correndo falar com as amigas dela, consegui entender algumas palavras, tipo: namorando, irmã e aí já entendi o assunto da conversa.
Virei para o lado para passar pelo portão, e senti um braço se acomodar nos meus ombros, era o amor da minha vida, bom, talvez apenas o primeiro amor da minha adolescência.
Fomos descendo o corredor, até a sala de aula e todos ficaram olhando. Ele era o tipo de garoto, digamos, que era o sonho de todas as meninas da escola.
Olhei para o lado e vi a Ana, ela sorriu pra mim e eu sorri de volta. Agora eu tinha ganhado o dia, o mundo. Estava muito feliz, não estava mais com o rosto corado, o que era importantíssimo. Andava do lado de alguém que eu gostava, e melhor ainda, que eu sabia que gostava de mim, e sabia que a minha melhor amiga estava começando a voltar a ser como era antes.
Podia ter algo melhor? Pelo menos agora? Ah, eu não sei. Mas, pelo menos naquele momento, a minha vidinha de adolescente, era a mais feliz possível. Ah, e por sinal, o nome dele era João.

Fim!

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