sábado, 7 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 2)

Era isso, como eu não vi antes. Era isso e só isso, eu gostava dele! Eu, Clara, gostava dele. Cheguei na escola no dia seguinte pronta para me declarar e ganhar um beijo e ser feliz para sempre.
Entrei na sala e era aula de matemática, como ontem, sentei no meu lugar perto da janela. Olhei pra ele, estava lá atrás, e eu no meio. Não seria tão fácil, mas, eu podia tentar. Minha melhor amiga, Ana, sentava entre a gente, então eu podia mandar um bilhete pra ela entregar pra ele. Era isso que eu ia fazer, pronto. Nossa, como era fácil! A gente ia namorar, casar e ter 2 filhos, um menino e uma menina. Moraríamos na Itália e depois voltaríamos pro Brasil. Mas, interrompendo meus pensamentos, uma voz, grave e que eu conhecia muito bem, chamou meu nome:
- CLARA. - Era o meu professor, ai, era mesmo ele. Minhas bochechas, como sempre, começaram a ficar que nem um morango, eu sentia.
- Oi professor - acho que a única parte que deu pra entender foi o "oi", minha voz começou a falhar no meio.
- Clara, essa foi a gota d'água. Direto para a sala da coordenadora. E leve todo o seu material. Agora! - ele estava mesmo irritado.

Eu fui, passei justo pela mesa dele para chegar à porta, e ele estava rindo, como todos os outros (menos a Ana). Aquele corredor parecia gigantesco e escuro, a escada, parecia uma muralha que ia aumentando de acordo com os meus passos. Parecia que eu carregava um elefante na mochila, minha cabeça latejava e eu pensava nele, um pouquinho pelo menos, mas eu só conseguia ver ele rindo da minha cara. Cheguei na porta da sala da coordenadora, que mais parecia uma porta de um castelo da idade média.

Ela falou com uma voz calma - Olá Clara, o que te traz aqui? - eu não sabia o que responder, mesmo. Não era excesso de conversa, nem de brincadeiras de mau gosto.
- Não sei Sônia - eu não sabia e ela não acreditou.
- Clara, eu preciso que você me diga, senão vou ter que chamar seu professor. - Ela estava falando sério e o que eu menos queria era que meu professor viesse.
- Eu acho, que eu não prestei muita atenção na aula.

Estava voltando para a sala, depois de ouvir tudo o que a Sônia disse, não foi lá muito legal, mas deixa. Ela não entendia que a minha verdadeira razão de não prestar atenção nas aulas, nem hoje, nem ontem, era ele. Só ele.
Entrei na sala e sentei no meu lugar em silêncio, agora já era a professora de história que estava lá. Juro que tentei ao máximo prestar atenção no que ela dizia sobre a primeira guerra mundial, revolução russa, Stalin e todas essas coisas. Mas, não deu muito certo, até que o sinal bateu.

E eu fui para o ponto de ônibus, radiante de felicidade. Sabia que ele pegaria ônibus comigo, eu tinha certeza. Passaram vários outros ônibus, como sempre. E o nosso chegou, entrei e sentei lá no fundo. Ele veio também, com o fone do iPod bem enterrado no fundo do ouvido. E sentou, DO MEU LADO.

Continua!

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