quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 1)

Estava passeando por um blog ontem e me inspirei no modo como os textos eram postados. Não eram aleatórios, era uma sequência de mais ou menos 10 posts, que formavam uma história. Eu adorei e acho que é isso que vou fazer, pelo menos agora. Podem comentar, se der certo, eu faço mais alguns!


Aquela música que ele cantou incessantemente não saia da minha cabeça, eu precisava ouvi-la. Mas, não podia ser naquele momento, meu professor tinha acabado de entrar na sala. Devagar, o barulho foi diminuindo e as pessoas foram se acomodando em seus lugares, eu já estava sentada, há um tempo. Não conseguia prestar atenção na resolução daquela equação gigantesca e me concentrei num passarinho que ficava voando na árvore ao lado da janela.
Estava acompanhando com os olhos, o voo da pequena ave quando ouvi:
- Clara, está me ouvindo? Será que você pode me dizer o resultado desta equação? - era o meu professor falando.
- Oi, ah desculpa professor, eu não prestei atenção. - Senti um calor subindo pelas minhas bochechas, que eu sabia que estavam vermelhas.
- Pois bem, não prestou atenção Clara? Será que na sala da coordenadora você consegue se concentrar? - ele não estava brincando e eu comecei a arrumar as minhas coisas em silêncio para ir pra sala dela. - Não Clara, não é necessário agora. Mas, é a sua última chance, por favor, trate de prestar mais atenção.
Não respondi, só assenti com a cabeça. Ouvi alguns colegas rindo, mas eu não liguei. Tinha que prestar atenção agora, mas, como se aquele ritmo não parava de bater na minha cabeça?

Ouvi o sinal tocar e saí correndo da sala direto para o ponto de ônibus. Passaram alguns que não iam para minha casa, até que o meu finalmente chegou, entrei junto com outras pessoas da minha escola e sentei lá na parte de trás. De repente, me veio o nome da música, ah! até que enfim. Lisztomania da banda de indie rock, Phoenix. Era isso aí, era essa música mesmo. Agora eu estava aliviada, pronta pra resolver todas as equações gigantecas possíveis. Mas, alguém cortou a minha onda de pensamentos alegres. Ele, o garoto que tinha me feito ficar com essa música grudada na cabeça. Estava com os fones do seu iPod bem colocados no fundo do ouvido e pelo que deu pra ouvir, a música devia estar no máximo volume.
Eu ensaiei um oi, mas ele nem ouviu. Meu coração batia tão alto e quase na minha boca quando eu o via, que quase não dava para saber do que se tratava a música que estava tocando no seu iPod (no volume máximo). Não sei o que era aquilo que acontecia comigo.

CONTINUA!

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