domingo, 25 de julho de 2010

Ele e ela

Ele, um vendedor dessas lojas tipo Casas Bahia. Ela, uma manicure que trabalhava periodicamente, ou melhor, quando queria. Em suas vidas inúteis e invisíveis, viviam numa redoma de felicidade, nada que contagiasse quem estava a sua volta. Sabiam que a eles, não era reservado nada mais que um contato com um primo cantor de música sertaneja. A fama não beirava sua existência inútil.
Ele, morava ainda com a mãe. Ela, dividia um minúsculo apartamento com mais duas amigas.
Os dois se conheceram em um carnaval na rua.

Ele, gostou das unhas dela, compridas e pintadas de vermelho cintilante. Ela, gostou do cabelo dele, bem brilhante, lambuzado de gel e arrumado em um topete deformado. Começaram a se ver com mais frequência. Em suas vidas sem graça e sem cor.

Mas, em uma visita ao apartamento dela, ele conheceu uma das amigas que dividiam o local. Se apaixonou. Perdidamente, ainda por cima.
Foi o fim da vida dela, de manicure periódica, virou manicure aposentada. Não queria mais nada, não queria comer, nem a vida a interessava mais. Os dois apaixonados, fugiram para algum lugar por aí e nunca mais deram notícias.

Ele, feliz, queria que todos vissem seu tesouro, queria contagiar a todos com sua alegria imensa. Ela, não queria nada. Até que pegou uma bicicleta e saiu, foi embora, virou notícia, virou celebridade. Andou o mundo inteiro, pegou carona em navios, pedalou em trilhos de trem. Viveu por aí. Se tornou uma cidadã do mundo. Sobreviveu. Ele, ficou vivendo sua paixão, cada dia mais desgastada pela rotina. Os filhos correndo em volta, a mulher trabalhando o dia todo. Achou consolo na bebida. Não era mais feliz.

Ela, era. Ela aproveitava o vento no rosto, o que a tinha feito esquecer, há tempos, a história frustrada de amor que tinha vivido com ele.
Quando ela voltou para sua cidade, já era manchete de jornal, já era cara rodada. Todo mundo a conhecia. Se viram de novo, ele e ela. Tudo aquilo voltou à tona e o amor veio junto. Como negar uma antiga paixão? Por mais que o ódio se impusesse, em alguns momentos, as boas lembranças demoravam a ir embora e ainda não tinham ido.

Se apaixonaram novamente. Ela, voltou a ser uma manicure que trabalhava periodicamente, ou melhor, quando queria. Ele, um vendedor dessas lojas tipo Casas Bahia. Descobriram juntos, que para eles, aquilo era a alegria. E compartilharam sua redoma de felicidade, que não contagiava ninguém a sua volta, a não ser, a eles mesmos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Little Sister

Little Sister - Jérémy Kapone

We used to say
That we were
Brother and sister
We used to think..
Nothing was ever better

Today I break my promises
to stay out of the emptiness
Today let's make our promises
For tomorrow

we used to play
All the games
where no one's the winner
We used to laugh
And make lies
Sound even better

Today I break my promises
To stay out of the emptiness
Today let's make our promises
for tomorrow

La lalalalala La lalalala la

We used to swear
That we were
Brother and sister
We always knew
that you would take me out there

Today I break my promises
To stay out of the emptiness
Today let's make our promises
for tomorrow

La lalalalala La lalalala la

http://www.youtube.com/watch?v=hC4jGi1ckXE - clipe no youtube

Procurem essa música, é linda! E se puderem também, aluguem em alguma videolocadora o filme (o Jérémy Kapone é um dos atores principais): "Rindo à Toa (LOL)". É um filme francês, do ano passado, acho. É perfeito, lindo, maravilhoso. Indico mais para adolescentes, mas, acho que os adultos gostam bastante também, minha mãe gostou, hehe. É realmente muito bom, é narrado por uma menina chamada Lola, mostra um pouco da vida dela, cotidiano mesmo. Eu amei, e os atores são lindossss, vale a pena, nem que você não goste muito da história!

Assistam, mesmo. Acabei de voltar de viagem, estou exausta! Mas, vou ver um filme que já saiu dos cinemas faz um tempo: "Um Olhar do Paraíso". Se for bom, eu escrevo por aqui. Mas, amanhã, hoje não tenho condições.
Boa noite, beijocas e bons filmes sempre.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Alívio

Preciso escrever, o que funciona quase como uma terapia. Não, como um carinho. Um carinho para as ideias que pulam pela minha cabeça, uma pausa para as tristezas e um momento para extravasar as alegrias. Essa semana, me ajudou a crescer e amadurescer. Me possibilitou uma pausa para o auto-conhecimento. Eu precisava disso.
Nem sempre o caminho para nos conhecermos é fácil, as vezes ele traz junto um grande desafio. Foi difícil? Foi, eu sei que foi.
E descobri, que não era isso que eu gostava de fazer. E que por mais que não seja algo que eu costume fazer muito, tenho que impor um pouco as minhas vontades. Parar de simplesmente agir da forma que acredito que convém aos outros. Não preciso me "provar" para ninguém, nem para mim mesma. Eu sou desse jeito.

Tem situações que nos fazem crescer e ver que tem coisas que precisamos mudar. Mas, nem sempre precisamos, as vezes só percebemos quais são os nossos limites. Tem limites que a gente não precisa ultrapassar, mas, é bom chegar até eles para entender com clareza o que damos conta de fazer, ou não.
É bom sentir que tem gente do nosso lado, que podemos pedir um sopro em momentos difíceis. Mas, essas pessoas são boas para percebermos também, que na verdade, nós somos uma grande companhia, para a gente mesmo. E que ao longo da vida, criamos laços fortes com pessoas, mas, uns vão, outros novos vem e quem continua lá somos nós. Então temos que compreender a nós mesmos, perceber os nossos limites e o que nos faz feliz, porque nem sempre os outros saberão. Estamos juntos e sozinhos ao mesmo tempo, todas as respostas para os nossos questionamentos internos estão dentro de nossas próprias cabeças e precisamos de desafios ou horas felizes para conhecê-los.

Que venham novos desafios. Mas, por enquanto quero só uma tarde no cinema do iguatemi, umas horas no café cultura, umas caminhadas pelo centrinho da lagoa e os meus amigos.

domingo, 18 de julho de 2010

Soneto de Fidelidade

Eu amo esse poema, eu amo, amo, amo. No filme ´Invictus´, que conta um pouco da vida do Mandela, ele diz ao treinador do time de rugby da África do Sul, que quando ele estava na prisão e se sentia triste ou sozinho, ele recitava um poema pra ele mesmo. Era lindo, mas, não consigo me lembrar o nome agora. Pois então, acho que esse poema do Vinicius de Moraes, tem o mesmo efeito analgésico sobre mim. Me deixa mais tranquila e é como uma luzinha naqueles dias que não são lá muito bons.

Soneto de Fidelidade

´De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Em seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer, do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.´

Vinicius de Moraes


Que seja para vocês, tão inspirador, quanto é para mim. E que tenham, um ótimo começo de dia!

sábado, 3 de julho de 2010

Precisamos de viagens, precisamos de cultura.

Adoro viajar, acho que viagens enriquecem nossas ideias. São sinônimo de enriquecimento cultural, novas ideias, novos costumes. Diferentemente dos americanos (do norte e do sul), os europeus, viajam muito mais. Conhecem quase toda a Europa, descobrem novas partes do mundo. É óbvio, que o fator mobilidade é absurdamente melhor do que por aqui, mas, culturalmente eles tem o costume de viajar, nem que seja de mochila, para ficar num pequeno albergue.

Por que, ao invés de economizar anos para fazer a tão desejada viagem aos parques da Disney, as pessoas não procuram viajar pelos países da América do Sul, nossos vizinhos, que respiram cultura? Por que, não viajam para o nordeste, ou para o norte, para conhecer a amazônia?

Acho que uma viagem, não importando a distância é sempre uma grande experiência. Se a questão for condições financeiras, por que não fazer uma viagem para o interior do estado, e conhecer o que temos por aqui? E se for mais do que isso, por que não passar uma tarde em uma praia do sul de Floripa para conhecer os costumes e as pessoas de lá?
Acho que viajando, nossas opiniões políticas e nossa visão da realidade são postas à prova. Foi em uma viagem de moto, que Che Guevara se deparou com as desigualdades da América Latina e a partir disso, é considerado hoje, uma das 100 personalidades do séc. XX. Por que? Simplesmente, porque ele não viu tudo aquilo pelos jornais, ele vivenciou e sentiu a realidade que as pessoas viviam. Abandonou sua classe média alta, abandonou sua faculdade de medicina, e foi lutar, por direitos melhores para todos. Errou? Deve ter errado em algumas coisas, deve ter se enganado em alguns momentos. Mas, não deixou lutar pelo que acreditava.

Não precisamos ser assim tão radicais, não precisamos segurar uma arma nas mãos para ver as realidades do mundo. Mas, precisamos de cultura, para enriquecer nossas ideias e poder justificar nossas opiniões com mais certeza, precisamos de viagens, precisamos de loucuras, precisamos de histórias, precisamos de meio ambiente, precisamos viver, precisamos mostrar quem somos.