domingo, 4 de abril de 2010

Balança

Agora, depois de viver uma vida inteira, ela já não tem mais aquela antiga sede de aproveitar qualquer momento. Agora, ela anda pra frente e pra trás em sua cadeira de balanço.
Olha um pouco os tantos quadros pendurados na parede empoeirada e que há muito ninguém repara. Enxerga a sua caixinha de prata, onde guarda antigas juras de amor. Seu olho continua vagando pela sala escura, quando para naquele caderninho de veludo.
Nele está escrita toda a sua vida, toda a sua história. Ela que passou a vida dançando. Havia muito que seu marido tinha parado de dançar e ela não queria mais também.
Era páscoa, mais que graça ela veria em rir e comer chocolates? Preferia muito mais a calma de sua sala escura e empoeirada. Mas, foi aí que ela ouviu um barulinho. Não ia levantar pra ver o que era, podia ser a mobília velha rangendo... mas, o barulinho virou um pedacinho de música.
Aliás, ela achava que era música já que havia muito que não escutava algo assim.
E aquela possível música foi fazendo seu coração se mexer no ritmo, foi fazendo a velhinha se sentir leve como quando dançava com seu marido. E ela sentiu uma força que não lembrava mais e se levantou, deu uma balançada mas se equilibrou logo.
Seu pé já meio torto pelo tempo começou a bater no tapete, sua cintura balançou, sua cabeça já havia sido completamente invadida por aquela música nova. E sem pensar, sem querer, sem lembrar, a velhinha dançou. E apartir daquele dia de páscoa, ela não parou de dançar. Hoje ela dança e embala sua música, nas nuvens, claras e limpas.

Feliz páscoa, beijocas,

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