sexta-feira, 23 de abril de 2010

Le Petit Prince

Desde pequena, o principezinho me causa encantamentos. As vezes, até uma melancoliazinha.
Já chorei, já sorri e já tentei entender o mundo lendo aquele livro. Quando a gente se empolga, vê que livro vira remédio e não existe remédio melhor que um livro, bom, dependendo da questão.
Mas, tudo bem. O que eu quero dizer é que O Pequeno Príncipe, em especial, me encanta de diferentes formas, cada vez por um pedacinho, uma filosofia. Quem nunca ouviu, em seus momentos mais nostálgicos: "o essencial é invísivel aos olhos" ou "só se vê bem com o coração"?
Não digam que é livro de auto-ajuda, nem que é para fazer criança dormir. Acho que dependendo do ponto de vista pode ser uma história infantil, ou o contrário, um momentinho na vida de alguém mais crescido, que sirva pra descansar o corpo.
De todas as frases famosas e trechos conhecidos, o que mais me faz bem é este:

"À noite, tu olharás as estrelas. Aquela onde moro é muito pequena, para que eu possa te mostrar. É melhor assim. Minha estrela será para ti qualquer uma das estrelas. Assim, gostarás de olhar todas elas... Serão, todas, tuas amigas. E também, eu te darei um presente...
Ele riu outra vez.
- Ah! meu caro, meu querido amigo, como eu gosto de ouvir este riso!
- Pois é ele o meu presente...
- Que queres dizer?
- As pessoas veem estrelas de maneira diferente. Para aqueles que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para os sábios, elas são problemas. Para o empresário, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém nunca as teve.
- Que queres dizer?
- Quando olhares o céu de noite, eu estarei habitando uma delas, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Desta forma, tu, e somente tu, terás estrelas que sabem rir!
E ele riu mais uma vez.
- E quando estiveres consolado (a gente sempre se consola), tu ficarás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E às vezes abrirás tua janela apenas pelo simples prazer... E teus amigos ficarão espantedos de ver-te rir olhando o céu. Tu explicaras então: 'sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!' E eles te julgarão louco. Será como uma peça que te prego."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Visitante momentâneo

Era um típico dia de ficar em casa, receber as visitas, fazer uma social, essas coisas. Mas, não. Não podia ser tão típico assim, aliás, tinha que ser completamente diferente. Pois é, estava meio nublado, não dava para ficar na piscina, então todos ficaram reunidos envolta da mesa.
Estavamos comendo, aquela coisa toda e aparece um "pato" no jardim, bom, ninguém deu bola. Devia ser um bichinho que chegou pela lagoa. Mas, o pato foi chegando perto e ele andava de um jeito diferente, bem fofo por sinal. Opa, foi aquela comoção silenciosa geral e todos levantaram para ver o pinguim que se aproximava. Ele veio, ficou olhando pra gente, se enfiou embaixo de uma planta e meu pai o pegou no colo. Ah, que nervoso, ninguém ensina o que fazer quando um pinguim aparece na sua casa!
Peguei ele também, levei uma senhora patada na camiseta branca que ficou marrom. A Letícia, nossa amiga que mora em Portugal, estava por aqui e levou junto comigo uma deliciosa arranhadinha no braço! Mas, reparamos que ele tinha um anel na asa e resolvemos levá-lo até a polícia ambiental, que era bem perto, ufa. Foi, realmente um dia bem estranho, um pinguim, na minha casa!
Adorei a novidade. Espero receber mais visitinhas inesperadas, acho que a Letícia gostou também, já que agora somos meio-pinguins.
Nosso visitante momentâneo foi muito bem recebido, no seu jeito pinguim de ser.

domingo, 4 de abril de 2010

Balança

Agora, depois de viver uma vida inteira, ela já não tem mais aquela antiga sede de aproveitar qualquer momento. Agora, ela anda pra frente e pra trás em sua cadeira de balanço.
Olha um pouco os tantos quadros pendurados na parede empoeirada e que há muito ninguém repara. Enxerga a sua caixinha de prata, onde guarda antigas juras de amor. Seu olho continua vagando pela sala escura, quando para naquele caderninho de veludo.
Nele está escrita toda a sua vida, toda a sua história. Ela que passou a vida dançando. Havia muito que seu marido tinha parado de dançar e ela não queria mais também.
Era páscoa, mais que graça ela veria em rir e comer chocolates? Preferia muito mais a calma de sua sala escura e empoeirada. Mas, foi aí que ela ouviu um barulinho. Não ia levantar pra ver o que era, podia ser a mobília velha rangendo... mas, o barulinho virou um pedacinho de música.
Aliás, ela achava que era música já que havia muito que não escutava algo assim.
E aquela possível música foi fazendo seu coração se mexer no ritmo, foi fazendo a velhinha se sentir leve como quando dançava com seu marido. E ela sentiu uma força que não lembrava mais e se levantou, deu uma balançada mas se equilibrou logo.
Seu pé já meio torto pelo tempo começou a bater no tapete, sua cintura balançou, sua cabeça já havia sido completamente invadida por aquela música nova. E sem pensar, sem querer, sem lembrar, a velhinha dançou. E apartir daquele dia de páscoa, ela não parou de dançar. Hoje ela dança e embala sua música, nas nuvens, claras e limpas.

Feliz páscoa, beijocas,