quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fiz(emos) acontecer

Lembro como se fosse hoje, quando eu falei há dois meses atrás, que teria que fazer acontecer. Não só esperar, mas, ir à luta, me expor, sair da zona de conforto. E agora, sobraram dois dias. E o tempo não pára.
Mas, tenho o orgulho de dizer que consegui e que fiz. À meu modo e não do jeito que me falaram que tinha que ser feito. Não foi uma missão perfeitamente concluída, mas, foi feliz e especial do jeitinho que aconteceu. Na verdade, é que não imaginava que seria tão bem sucedida.
Esses foram os dois meses mais difíceis de toda a minha vida, mais duros e sofridos. E foram sim, não é um exagero. Só eu sei o que eu senti e o que aconteceu dentro de mim, só eu. Embora, muitas tenham sido as tentativas de botar isso para fora com palavras inúteis. Não dava pra expressar. Mas, foi bom, foi lindo, foi único. Obrigada!
Agradeço com a minha vida, com o meu coração, com o mais profundo dos sentimentos. Queria poder te dizer tanta coisa. Mas, da minha boca não sai nada, por mais que eu tente muitas vezes.
E de vocês, meus amigos, tantos foram os abraços que recebi, vocês não imaginam o quanto eu sou grata por tudo isso. É impossível medir o amor que eu sinto por cada um de vocês, obrigada do fundo do meu coração, pelo tempo, pela dedicação. E me desculpem por qualquer bobagem, ou por alugar vocês por tantas horas. Não me façam chorar, já me fizeram muitas vezes e estão me fazendo agora. Mas, é um choro bom, não se preocupem. Vocês são as pessoas mais lindas desse mundo e me fazem sentir um dos amores mais profundos que eu conheço.
Não conseguiria tudo isso sem vocês, nunca, nunca mesmo. E agora está acabando. Mas, eu sempre soube, sempre soube que acabaria. Agora que venha a vida e o ensino médio, vamos juntos, de mãos dadas, me segurem só mais um pouquinho nesse colo tão quente. Deixem-me ficar mais algum tempo deitada. E quando eu acordar, contem comigo para tudo, só me deixem abrir os olhos devagar, se não será duro demais.
Eu não quero dizer adeus a tanto amor. Mas, é necessário. Preciso deixar isso tudo ir embora. Mas, não esquecerei nunca do amor que senti e que vou continuar sentindo por um bom tempo... e espero, que um dia, como já disse para alguns, isso possa ser retomado. Já que em vários momentos, a vida me mostrou que as vezes a gente consegue sentir coisas que podem acontecer no futuro. Foi maravilhoso, foi intenso, apaixonante, rápido, lento, estranho, único, à primeira vista. Foi amor, não me diga que foi outra coisa porque só eu posso dizer o que senti.

E agora, eu me preparo para um futuro sem isso, só com as lembranças de tempos que me deixaram tão aérea. E se vocês precisarem, eu estarei aqui para tudo e o meu colo estará disponível pelo tempo que precisar, já que o colo de vocês foi tão quentinho e acolhedor. Vamos viver à vida e aproveitá-la ao máximo, já que ela é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos.
Eu amo vocês mais que tudo no mundo, de um jeito diferente do que senti nesses últimos tempos, talvez até mais profundo, por mais estranho que isso pareça.
Um abraço dos mais apertados e um obrigada por tudo, mãe, Manu, Flora, Dani, Túlio, Gabi, Marina, Aline, Camila, Théo, Guará, Flor, Joana, Luiza, Amanda, Gregor, Micael, Juliana, Raquel e Boeing.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ao mar

"Daqui da areia, não se vê, nenhuma tristeza, nem o que fazer. Só fico aqui, olhando o mar e o vôo das aves planando sobre as ondas, me dizem: baby, deixe passar, deixe voar. O vento bater, o sol esquentar e a nossa onda entubar. Se você for me largar, já sabe onde me encontrar, já sabe onde me encontrar e com quem eu vou estar. Com a minha música, com a minha música" Olhando o Mar (Açaí) - Gralha Azul


É no mar que eu penso quando o que quero é descansar. É o mar, que habita os meus sonhos mais românticos e apaixonados e é no mar que eu me sinto livre, inteira e renovada. Sou da praia, sou da areia, da água do mar, das ondas. Me sinto pequena em uma imensidão tão misteriosa. Me sinto bem por isso, por ser só eu e o mar.
Cada vez que a onda vai, a minha vontade é de jogar todos os meus problemas lá, de deitar na areia molhada e deixar tudo ir embora. E quando a água volta, sinto uma injeção de ânimo penetrar em cada espaço vazio do meu corpo.
Por morar em uma ilha, as vezes ver o mar é tão parte da rotina, que eu nem reparo em sua beleza. Mas, ao mesmo tempo, por morar em um pedacinho de terra perdido no mar, eu me sinto privilegiada.

Tenho vários sonhos, entre eles, um que é simples e ao mesmo tempo, difícil de realizar. Quero um dia, ao pôr do sol e quando estiver mais friozinho, ir à praia e dançar lá, com o meu namorado. Não que eu tenha um namorado, mas isso eu resolvo um dia.

Me sinto meio mar às vezes, meio inconstante e imprevisível. Meio feminina, meio "a mar", meio amando. Ir à praia é sentir o mar em mim, eu e o mar, o mar e eu. Só nós dois, cúmplices de vidas tão distintas. Álibis de segredos adolescentes, hormonais e apaixonados. A vida é tão curta que eu quero vivê-la sempre perto da praia, olhando o mar. Preciso de um tempo para mim, de uma companhia imensa e molhada. Perigosa.
E como diz uma poesia de Cecília Meireles enviada pela minha tia, que tem o mar tão dentro dela quanto eu, nós somos fadadas ao mar. Somos do mar, somos o mar e o mar é um pouquinho da gente também.

Beira Mar
Cecília Meireles

Sou moradora das areias
de altas espumas: os navios
passam pelas minhas janelas
como o sangue nas minhas veias,
como os peixinhos nos rios...

Não têm velas e têm velas; e o mar tem e não tem sereias;
e eu navego e estou parada,
vejo o mundo e estou cega,
porque isso é mal de família,
ser de areia, de água, de ilha...
E até sem barco navega,
quem para o mar foi fadada.


Poesia de Cecílias, de tia, de família, de vida, de ilha, daqui. Afinal, tudo é mar - e mais nada.


Para minha tia, Taiana.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Músicas que me levam

Make me your love, tonight; oh no, what's this?; você me faz, você me faz tão bem; you don't know how lovely you are; quando eu me solto, seus olhos me veem; aconteceu, sem um raio de luar; where'd you go? I miss you so; nos seus olhos quero descobrir, uma razão para viver; far from home, elephant gun; caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento; lay lady lay; meu amor me deixou, levou minha indentidade; when I was younger, so much younger than today; all over Manhattan; eu procuro um amor, que ainda não encontrei; assim será melhor, meu bem

Embalam, embalam, embalam

Músicas que embalam meu sono, meu sorriso, meus gritos, minha raiva, meu choro, minha adolescência, minha feminilidade, meu orgulho, meu futuro, meu presente, meu instante.
Minha vida.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Redoma de vidro


Ele vivia olhando para ela
Todos os dias, naquela redoma de vidro
Tão bonita, tão delicada ela era
Para ele, quase como uma princesinha
Daquelas de contos de fada
Pequena, frágil, forte, intensa, intrigante, desejada
Ela nem sorria para ele, naquela redoma de vidro
Mas esperança era a palavra mais conhecida de seu vocabulário
E ela era tudo:
Esperança
Desejo
Vingança
Amor
Delicadeza
Uma junção de intrigas
Um paradoxo perante a sua realidade passiva
No meio de tantos vultos
Confusos e gritantes
Que falavam para pegá-la
Feri-la, naquela redoma de vidro
Mas ele não queria, a imponência dela o deixava assustado
A impotência dele, a deixava ferida
Ela queria ser vista, vivida, amada
Mas para ele, naquele momento, era melhor escondê-la
Não sabia como defini-la
Uma confusão de todas as sensações possíveis
Daquelas bem conhecidas mesmo
Que quando juntas, formavam algo estranho, intenso, imenso
Mas, ela sugava a sua vida, naquela redoma de vidro

Resolveu soltá-la

Para que todos vissem:
Esperança
Desejo
Vingança
Amor
Delicadeza
Tudo junto naquilo, tão misturado e novo
Ele quis que o mundo pudesse sentir o que ele sentia
Ela sentiu que poderia sair e uniu todas as suas forças
Enfim, ele quis que todos soubessem
Que ela, a confusão da redoma de vidro
Não tinha, afinal, nome melhor

Do que: paixão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Morfina da felicidade

Peço desculpa para todos aqueles aos quais já fiz algo errado. Acho que a vida é curta demais para guardar eternamente algo ruim, e que na realidade, foi construído dentro da nossa própria cabeça. Ou alma, talvez. Dentro de tudo o que é belo, existe o desejo de ser mais ainda, mas não precisamos disso. É desnecessário, até inútil se comparado a uma época em que foi um sentimento tão exacerbado.
Digo isso tudo, porque essa semana um grande peso foi tirado da minha cabeça. E foi tão intenso, tão bom, tão... invisível. Apesar de todo o esforço do ser humano para entender o que não vê, para escrever e colocar em padrões científicos. Isso não é necessário, sabemos sentir esses alívios invisíveis e sabemos muito bem quando eles acontecem.
Um pedido de desculpas, uma frase, algo tão ínfimo no meio das tantas palavras que ouvimos diariamente, muda invisivelmente a nossa motivação para a vida, inclusive.
Provavelmente, deve ter alguém no mundo magoado comigo. Talvez algo antigo, subconsciente, eu sei lá. As vezes a gente fala coisas sem sentido para nós, mas que alguns levam uma vida inteira e muitas sessões de análise para esquecer. Ou melhor, para aprender a lidar.
Então, por mais que esse alguém possa não ler isso, peço desculpas. Queria poder compartilhar com toda e qualquer pessoa isso que senti. Um alívio imenso, que mudou algo que eu já havia "aprendido a lidar", mas que me incomodava todos os dias. Obrigada por ter tirado esse peso invisível de mim. E de você, guardarei apenas boas lembranças, não se preocupe.
Pude experimentar o gosto do alívio, da liberdade, do amor. Acho que o gosto da invisibilidade é tudo isso misturado, uma delícia por inteiro. Espero que racionalizem os pesos da cabeça de vocês um dia, e que possam encontrar um caminho para tirá-los daí.

Sintam o alívio do invisível, abusem dele, como uma droga. Essa, sem vício e sem complicação. A morfina da felicidade.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Radicalizando

Fim do ano, os primeiros raios do verão já estão deixando as primeiras marcas de biquíni e as piores queimaduras, na escola, nos bombardeiam com provas, trabalhos e coisas relacionadas à formatura. Diferente de outros anos, eu não senti esse final chegar por causa do cansaço, foi o calor que me fez perceber mesmo... Acho que a emoção de fazer a matricula em uma nova escola, as expectativas para um ano completamente diferente e todas as sensações que eu ando descobrindo agora me impossibilitaram de sentir o típico cansaço de novembro.
Pela primeira vez em 12 anos, eu não recebi o papel de rematrícula da minha escola. Pois é, para aqueles que já se mudaram algumas vezes, isso pode parecer absolutamente normal. Mas, não pra mim. Não mesmo! Eu nunca fiz a minha matrícula em uma escola, conscientemente, digo. Por isso é tão diferente. Espero que seja bom.
Mas, com certeza, no primeiro dia de aula, passar reto pela Sarapiquá vai ser uma das sensações mais estranhas que eu vou ter em toda a minha vida. Mas, eu não quero pensar muito no ano que vem. Preciso primeiro me manter inteira para o final deste, que já está sendo tão turbulento e cheio de novas decisões e informações.
Eu sinto como se estivesse começando uma nova fase da minha vida, e acho que estou mesmo. Me preparo para ela tentando me manter o mais tranquila possível, embora o desespero bata na porta de vez em quando. Vou sentir saudades do meu Sarapiquá, das outras turmas, dos professores, de tudo.
Mas, começar algo novo será muito bom, e é importante para mim. Lembrarei dessa escola como um dos lugares mais importantes na minha vida. Mas, agora, adiante, rumo ao futuro!

Mas, não nego que continuo me confundindo muito no meio dessas emoções todas. Me sinto feliz, nervosa, até a nostalgia vem. Mas, tenho é que respirar fundo, e me preparar para uma nova fase da minha vida. Agora que venha o futuro. Ensino médio, vestibular, faculdade, vida. É gente, nós crescemos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Mundo Selvagem


Wild World - Cat Stevens (Skins)

Now that I've lost everything to you
You say you wanna start something new
And it's breakin' my heart you're leavin'
Baby, I'm greavin'

But if you wanna leave, take good care
I hope you have a lot of nice things to wear
But then a lot of nice things turn bad out there

Oh, baby, baby, it's a wild world
It's hard to get by just upon a smile
Oh, baby, baby, it's a wild world
I'll always remember you like a child, girl

You know I've seen a lot of what the world can do
And it's breaking my heart in two
Because I never wanna see you a sad girl
Don't be a bad girl

But if you wanna leave, take good care
I hope you make a lot of nice friends out there
But just remember there's a lot of bad and beware

Baby, I love you
But if you wanna leave, take good care
I hope you make a lot of nice friends out there
But just remember there's a lot of bad and beware


Oh, baby, baby, it's a wild world
It's hard to get by just upon a smile
Oh, baby, baby, it's a wild world
I'll always remember you like a child, girl.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Escute-me

Quero que me digas agora,
sem por quê, sem pressão
Espero que entenda.
Não se assuste, se cuide
Me ouça, me veja assim
Deixe-me falar tudo
E por favor, não se lembre de antes
Sinta-se como se vivesse tudo de novo
Afinal, de um jeito ou de outro, é tudo diferente certo?
Aproveite o tempo que tens
Mas, pense no agora
Se permita, eu não sei
Se deixe não saber
Que eu me deixarei também
Não precisamos entender o futuro,
se o que importa é o que vamos viver nesse momento
Mas, espero que dê
Vai dar.
Dará.

Entregue-se, ame.
Que o que me pertence já está pronto e eu também estou.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Uma pausa, no meio de tantos prazos

Queria agora um céu bem azul, um pouco de areia no chão e umas ondas de água salgada, só para poder me deitar e dormir. Queria agora, você do meu lado. Queria tantas coisas e tantos alguéns que me fizessem mais feliz.
Não que eu não seja, eu sou, e muito. Mas, preciso disso para me sentir inteira. O que me agonia é esse tempo determinado, sem dar à calma um espaço para entrar. São esses prazos ridículos. Por que as coisas são tão cheias de prazos? Na verdade é que eu deixaria-os somente para os trabalhos e as tarefas, afinal, não conseguiria me organizar. Mas, para isso, ah não... aí é completamente desnecessário.
Como vou deixar acontecer, se tenho que simplesmente: FAZER acontecer em um tempo marcado? É tudo tão irônico as vezes. Quando achamos que nada pode ser mais maravilhoso, ouvimos palavras que fazem a nossa cabeça voltar para o lugar. Ou melhor, afundar sete palmos abaixo do chão.
O que precisamos é acreditar, saber que vai dar certo. Confiar, por mais que indícios claros nos mostrem que pode não ser bem assim. E é nessas horas que nos apegamos a palavras inconstantes. "Pode" muda todo o sentido de uma senteça. É disso que eu preciso, de palavras sem prazos e definições.
Já que fazer acontecer é algo tão concreto e necessário para me sentir inteira neste momento, as válvulas de escape são essas palavras aí. É o que falta.
Um respiro, um tempo, um espaço de tempo no meio do fluxo das minhas confusões. Mas, eu acredito que vai dar tudo certo, e vai dar. É só confiar, vai sim.

E por enquanto, deixem-me sonhar com um céu bem azul, um pouco de areia no chão e umas ondas de água salgada, só para poder me deitar e dormir.

sábado, 16 de outubro de 2010

Grande novidade

Tenho uma grande novidade para contar e ela está longe de tudo o que acontece na minha vida neste momento. Além da escola, dos amores e dos amigos. Além do meu mundo de Florianópolis. Ela está lá, me esperando na Amazônia.
Pois é, antes que se sintam perdidos com minha introdução sem sentido... vou explicar tudo desde o começo:

A minha professora de língua portuguesa entrou na sala de aula, um certo dia, com papeis de um concurso na mão. Devíamos escrever uma frase, sobre o por quê de valorizar a cultura Afro-brasileira e Indígena no Brasil. Ela disse ainda, que era para escrevermos, mas sem o compromisso de se importar com o resultado, apenas para ver no que daria. Escrevi e lembro que ainda dei um beijinho no papel antes de entregar, sei lá, deve dar sorte né?

Tinha esquecido completamente daquilo, até quarta feira desta semana.

Eu cheguei em casa, almocei, fui para o computador e o telefone tocou. Atendi e era um homem, que falou:
- Você é a Cecília? Então Cecília, parabéns, você ganhou o concurso da Editora FTD com a sua frase sobre a cultura Afro-brasileira e Indígena.

Eu só respondi:

- O QUE? SÉRIO?
- Sim, em novembro, você, um acompanhante e mais a sua professora com outro acompanhante, farão uma viagem de quatro dias para a Amazônia.

Eu não acreditei, depois daquilo, tudo o que ele falou entrou por um ouvido e saiu pelo outro, eu só conseguia pensar: CARAMBA! Ganhei!
Contei para o meu pai e ele disse que a gente tinha que esperar, para ver se era isso mesmo, mas eu sabia que era, ele tinha lido a minha frase e eu reconheci. Era minha mesmo.
E isso mudou o final da minha semana, e mudou a minha história, eu acho. Sempre gostei de escrever, sempre. E agora tenho isso reconhecido em algum lugar, ganhei algo por uma coisa que me faz tão bem! Isso é o melhor, não o prêmio em si, mas, o reconhecimento e a honra de ganhar (com mais quatro pessoas) um concurso desses, do Brasil inteiro!

E agora que venha o futuro, e que venha a viagem. Vai ser maravilhosa.
Obrigada pela oportunidade, professora Jaque, Escola Sarapiquá e a todas as outras pessoas envolvidas nisso. Obrigada por me proporcionarem o primeiro degrau de um possível futuro.

E para matar a curiosidade, a frase era a seguinte:

"Cada brasileiro tem um pouco de cada etnia, respeitar a cultura afro-brasileira e indígena é respeitar a nós mesmos"

Boa noite!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ao vento

Tem tantas coisas, que eu tenho vontade de escrever para tirar da cabeça. Tantas, tantas. As vezes frases, ou músicas, nomes inclusive. Já comecei diários, e tenho textos não postados aqui que me serviram como desabafo. Fiz aulas de música por muitos anos, mas, escrever ainda é o remédio para tantos dos meus medos. Não que resolva sempre, não mesmo. Mas, a minha relação com as palavras é tão inteira e profunda que as vezes eu não preciso vê-las escritas em um papel, mas eu posso senti-las, e fazer com que naveguem pela minha cabeça, desmanchando cada pedacinho de medo, ou de tristeza.
Já fiz textos pra ti, pra ele, pra elas, pra nós. E pra todos esses 'uns' que vivem à minha volta. Já inventei códigos e escrevi bilhetes para jogar no mar. Já confiei em alguma força invisível, escrevendo pedidos em um papel e jogando no vento. Uma confissão para o nada.
Caminhar também ajuda a aliviar minha cabeça, caminhar por aí, sem rumo nenhum. Por ruas que já serviram de cenário para tantas aventuras, descobertas e alegrias. Sentar na beira da lagoa, olhar as nuvens, deitar ali mesmo, na grama úmida, é um analgésico. Talvez tão eficiente quanto as palavras.
E eu sei que a gente sempre vai ter vontade de jogar pra fora algo que está tão escondido dentro da gente. Mas, cada vez que eu me auto-medico escrevendo, é como se eu sentisse, por um momento, que eu nunca mais terei problema algum. O que eu sei que não é verdade. Embora, seja muito bom e muito útil, acreditar, as vezes.

domingo, 26 de setembro de 2010

Help

AAAAAAAAH. Já está fora de mim, as pessoas vão perceber. Eu necessito. Antes não, antes era meu, guardado, só eu sentia. Preciso disso para nutrir a minha existência. Agora não dá mais, não dá mais.

Help, I need somebody. Help, not just anybody.

A Flora entenderá.

Tem que rir.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Gralha Azul

Bom, eu quero contar uma história que já me causou: amidalite, febre, felicidade, vontade de chorar, gritaria, perda de voz, tédio, felicidade de novo, e uma das maiores lembranças da minha curta vida.
Quando tudo começou, vocês podem ver em uma postagem anterior, mas ainda deste mês. Eu quero falar agora é da segunda parte e a melhor de tudo isso:

Sábado, dia 11 de setembro de 2010 - 22h30 no terminal antigo do centro da cidade de Florianópolis

Eu cheguei com os meus pais, e logo vi uma multidão com violões, skates, risadas e música. Identifiquei como sendo as pessoas que eu estava indo encontrar. No meio de algumas pessoas que eu conhecia e outras que eu apenas tinha uma leve ideia de quem eram, vi os meus amigos, Manu, Marina, Théo, Boeing e Túlio. Todos - imagino - com o mesmo frio na barriga do que eu.
Fui conversar com eles, meus pais foram conversar com a mãe do Théo, Rosa Marta. Ficamos por ali quase 1 hora, esperando um ônibus que não chegava, enquanto isso, do meio das rodinhas, eu ouvia um pouco de Cazuza, Dazaranha e tantas outras bandas e cantores que eu conhecia.
Depois de esperar bastante, o tão esperado ônibus chegou para buscar a gente, fomos para a fila, com a carteira de identidade em mãos, e entre braços e pernas tinham travesseiros, mochilas, bolsas, iPods, câmeras e todas essas coisas que a gente leva em uma viagem. Me despedi dos meus pais, entrei no ônibus, sentei com a Manu. No começo ainda estava aquele burburinho, nem tão baixinho assim, e que pra dizer a verdade, durou até a chegada de manhã em Porto Alegre.

Domingo, dia 12 de setembro de 2010 - o dia inteiro, aeroporto e Pepsi on Stage

Chegamos bem cedinho, estava frio em Porto Alegre. Fomos para o aeroporto, porque era exatamente na frente do local do show, e precisávamos comer. Na verdade, acabamos passando o dia inteiro no aeroporto, mais precisamente na praça de alimentação e jogando Uno. Os meninos, Túlio, Théo e Gregor, não estavam com a gente, a príncipio achávamos que eles estavam na passagem de som, mas descobrimos depois, que eles passaram o dia no hotel, descansando e dormindo - rolou uma inveja geral, admito. Mas, tudo bem, eu tinha feito muitos amigos novos, e muito, muito queridos. Eram 30 pessoas, adolescentes, destas 30, 5 meninas mais a mãe do Théo.
Depois de uma tarde misturada de tédio e ansiedade, atravessamos a rua, e fomos para a fila, na chuva, do Pepsi on Stage. Entramos com apitos, pulseiras de neon, e muitos gritos e braços dados. Ficamos todos bem lá na frente, aliás, grudados na cerca que nos separava do palco. Eu era uma das que estava realmente colada na cerca, e espremida lá, detalhe. Começou o concurso, era uma tensão desgraçada, e eu de vez em quando lembrava que meus pulmões gostavam de um pouquinho de oxigênio. Uma banda, duas bandas, e enfim, ouvimos, com a tão esperada emoção:
GRALHA AZUL!

AAAAAAAAAAAH, foi o que saiu da minha boca do começo ao fim do show deles, tirando a parte em que eu cantei junto as músicas. Foi uma das melhores sensações da minha vida, eu ali, grudada em uma cerca, olhando para um palco, onde estavam meus dois melhores amigos, disputando por algo muito maior do que um festival qualquer. As três músicas que eles tocaram foram maravilhosas, foi tudo absolutamente incrível - eu sei que sou suspeita para falar, mas é verdade - a presença de palco, a afinação, os solos, o conjunto de tudo, a apresentação, absolutamente perfeito. Parabéns.
Eles saíram, eu quase sufoquei os três com o abraço apertado que dei. Começou o show do Detonautas, foi legal, e foi longo, para tamanha expectativa que pairava naquele ar com cheiro de cigarro. Se apresentaram mais 4 bandas do concurso, eu sabia que eles tinham sido a melhor, mas não queria falar isso, para não criar muita expectativa.
Paralelamente ao nervosismo, eu estava super preocupada com a situação dos meus ouvidos, porque eu tinha ficado tão perto das caixas de som, que quando saí de lá, não ouvia nada direito, achei que estava surda. Até liguei pra minha mãe (chorando). Depois descobri que era normal, mas demorou.

Eles entraram no camarim de novo, nós, voltamos para o nosso lugarzinho, ali perto do palco. O cara que anunciava tudo, entrou, junto com os jurados todos. Eles fizeram um discurso e parabenizaram todas as bandas, enquanto isso eu estava na pontinha do abraço coletivo que fazia ecoar os gritos - GRALHA AZUL, GRALHA AZUL - eram tantas mãos e braços que eu só sabia que me seguravam com força. E o Tico Santa Cruz, falou então:

- E a banda vencedora do Pepsi Música 2010 é...

SILÊNCIO. Agonia.

- GRAAALHA AZUUUUUL!

Eu simplesmente não sabia se era pra rir, chorar, gritar. Na verdade, é que não tive tempo para fazer isso, porque fui arremessada para o meio daquela roda toda e só sei que alguém me pegou no colo e começou a me girar lá em cima. Eu estava em transe no meio daquela gente toda, eu abraçava todo mundo, abracei a Marina, a Manu, a Mari e elas estavam como eu, chorando, rindo, gritando, e não acreditando que eles tinham ganhado.
Pois é, ganharam, os meus melhores amigos. Além de ganharem um importante reconhecimento por aí, ganharam a gravação de 1000 cds, e mais, vão fazer a abertura de algum show importante. GANHARAM GENTE.
Eles saíram um tempão depois, eu e mais algumas pessoas, estávamos esperando por eles, quase pulei no colo do Théo e do Túlio, eles estavam como a gente, ninguém conseguia acreditar direito.

Segunda-feira, dia 13 de setembro de 2010 - ônibus e posto de gasolina em Osório/RS

Resumindo tudo para não deixar essa postagem completamente gigantesca, as 3 da manhã, na volta pra cá, nosso ônibus quebrou e nós ficamos presos num posto de gasolina em Osório (1h30 de Porto Alegre), até as 2 da tarde, pois é. Informando minha mãe a cada 1 hora, haha. Imaginem vocês mesmo, o caos, a diversão, a aventura, a chuva e o frio que foi. Mas, valeu a pena! Chegamos as 8 horas da noite, no mesmo terminal onde saímos, minha mãe estava lá, e eles todos estavam, mas, agora, eram os campeões do Pepsi Música 2010.

É isso, não consigo resumir e nem falar metade de todas as coisas boas e engraçadas que aconteceram nessa viagem, mas, que foi maravilhosa e inesquecível, isso foi.

Parabéns, Túlio, Théo e Gregor, é o que vocês falaram, a Gralha Azul é um trio de muitos, esses muitos que vão estar com vocês aonde quer que seja.

Eu amo vocês,
Cecília.

Digo que quero, simplesmente

Digo pra vida que quero
Digo pra vida que a quero
Digo pra vida que te quero
Digamos que eu queira
O que todos nós queremos
Além de todos os instantes
ridículos, inúteis, absurdos, obscenos
Me restam as lembranças e desejos
De instantes plenos e futuramente completos
Complexos
Complicados
Plenos
Plenitude, pra que quero?
Se o que desejo é a oscilação
Que me joga do que me faz bem,
Ao que me desgasta como numa onda
Alcanço a plenitude
Oscilando
Só depois de sair do buraco
É que eu vejo a tua luz mais forte do que nunca
Então,
Digo pra vida que quero
Digo pra vida que a quero
Digo pra vida que te quero

Digamos que eu queira
Simplesmente,
Viver

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um nada, no meio de todos

Para começar, queria pedir desculpa pela minha falta de comprometimento com o blog nesse mês, pois é minha gente, tá tudo muito corrido agora. Provas em cima de provas, trabalhos, festas, amigos, amidalite, família, show da Gralha Azul (QUE GANHOU O PEPSI MÚSICA 2010 - mas isso já rende outra postagem), texto para a formatura, aula de teatro e tantas outras coisas que enchem e ocupam todos os espaços vagos da minha cabeça.

Fui lembrada, essa manhã, da existência do meu blog pela minha leitora mais especial, minha "filha" emprestada, Laura - o detalhe da longa história é que eu sou o pai, sim, não tinha mais vaga como mãe (mas isso também rende outra postagem) - bom, e foi esse aviso que ficou perambulando no meio das minhas ideias a tarde toda. Saí da escola, almocei em casa, saí de novo, tive atividades a tarde, voltei pra casa, tomei remédio (estou com amidalite, sabem?), jantei, fiz uma dolorosíssima depilação nas pernas, tomei banho e - finalmente - sentei na minha cama para deixar a inspiração chegar. Agora eu espero que ela chegue.

Com um fio de inspiração, já um pouco misturado com o sono, eu resolvi escrever sobre nada, sobre o nada que é tão tudo o tempo todo nos nossos dias apressados. Nunca temos um momento de "nada", se a gente para, a gente pensa, mexe o pé, cantarola uma música. Se a gente corre, anda, dança, bom, é autoexplicativo: estamos correndo, andando, dançando. Não paramos um momento, é vital, é humano. Nosso coração não tem descanso, nossos átrios e ventrículos abrem e fecham controlando o sangue que corre por todas as nossas, mesmo mínimas, veias. Nossa respiração não para, nossa cabeça também.
O tempo não nos espera, uns aproveitam ao máximo cada segundo, outros, tentam congelar o tempo com mil e uma cirurgias e técnicas rejuvenescedoras. Mas, ninguém precisa disso, o tempo é igual pra qualquer um e o "nada" vive no meio disso tudo.
É só mudarmos o nosso ponto de vista, que tudo vira nada, nada é nada nesse universo tão grande. Podemos nos ver como centros da nossa própria vida e do universo que criamos em volta de nós mesmos. Mas, podemos levar essa visão para fora do nosso mundinho, e nos enxergar como seres minúsculos e quase insignificantes que formam juntos, um todo. Um todo de muitos nadas.

Esqueçam, acho melhor eu dormir, antes que minhas ideias - que estão crescendo e se empolgando - explodam a minha cabeça.

Boa noite à todos, e me desculpem por minhas filosofias noturnas e Cecilianas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eles, no palco


Neste domingo, dia 12/09 eu vou para Porto Alegre. Todo ano eu vou para Porto Alegre, ou para o aniversário da minha avó, ou para o natal, essas coisas. Mas, dessa vez, eu vou com pessoas da minha faixa etária e felizmente, meus melhores amigos. Mas, não vai ser para comemorar o dia das crianças, ou qualquer outra data festiva, eu vou para ver um show e nós não vamos ver um show juntos. ELES vão fazer o show, ELES, os meus amigos!

Tudo começou, quando eles se juntaram para formar uma banda, que já foi chamada de Bubbles, Cuba e agora Gralha Azul. Pois é, todos sempre tocaram muito bem, e a banda deles era tipo a bandinha promissora, sabe? Tão promissora, que gerou fotos no jornal e entrevistas na televisão e no rádio. Aí, resolveram entrar em um concurso da Pepsi, para bandas da região sul. A gente sempre soube que ia dar certo, claro. E dentre outras (muitas) bandas, Túlio, Théo e Gregor, foram selecionados para passar para a semi final do negócio.
Nem foram pra semi-final, mas sim, para a repescagem. Não por falta de talento, claro, mas porque um dos integrantes estava viajando e não estaria aqui. Foi difícil, tiveram que gravar um acústico, todas as bandas completas na repescagem e eles não.
Eles em Porto Alegre, a gente aqui torcendo para dar tudo certo. E das 10 bandas que haviam sido selecionadas, 5 já estavam na final e as outras 5 iam passar por uma votação do público na internet para selecionarem apenas 2. Não sei como não arranjei uma bela tendinite depois de passar tardes e tardes votando sem parar.
Eles passaram, mesmo com um integrante a menos, e estavam enfim, na final do concurso. Que orgulho, os meus 2 melhores amigos, que cresceram comigo, estavam na final de um concurso de música. Eu sabia que eles eram bons!

E agora, neste sábado dia 12/09, eu vou ver eles lá. Num palco de verdade, num show de verdade, com luzes, barulho, pessoas desconhecidas... mas com os meus melhores amigos, TOCANDO.

Em homenagem ao Túlio e ao Théo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alegria alegria - Caetano Veloso

Alegria Alegria - Caetano Veloso

"Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento.
No sol de quase dezembro, eu vou
O sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas, eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou, por entre fotos e nomes
O peito cheio de amores, vãos
Eu vou, por que não, por que não?

Ela pensa em casamento, eu nunca mais fui à escola
Sem lenço sem documento, eu vou
Eu tomo uma coca-cola, ela pensa em casamento
E uma canção me consola, eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou, sem lenço sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor

Por que não?
Por que não?
Por que não?"

Novo lema: alegria, alegria, aproveitem e ouçam.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cinco (intensos) Dias

Essa foi uma semana de tantas e tantas emoções, que já estavam sendo esperadas e programadas há tanto tempo. Segunda-feira, primeiro dia das minhas últimas olímpiadas na escola Sarapiquá, tudo meio frio ainda, cada um descobrindo seus próprios limites.
Nos outros dias, as vezes a raiva subia à cabeça, as vezes uma vontade de chorar gerava algumas lágrimas contidas nos olhos, ou se ouviam apenas gritos, risadas e comemorações.
É uma semana muito intensa, muito disputada e muito aproveitada por todos. Acabamos fazendo novas amizades, as vezes com alguns que nem imaginávamos que teríamos algo em comum. Conhecemos os que estão vivenciando esses 5 dias pela primeira vez, e nos apegamos à alguns que nos parecem tão pequenininhos.
Os mais novos, começam ainda meio tímidos, os mais velhos, tem aquela sede de ficar com o primeiro lugar na sua última olimpíada.

Com certeza tiveram momentos em que deixei as emoções controlarem a razão e agi sem pensar, mas não esqueço os momentos de longos abraços, ou inclusive algo que não me faz esquecer que eu tenho um time inteiro junto comigo, a minha voz, ou melhor, a falta dela.
Disparadamente, essa foi uma das melhores olimpíadas de que eu já participei. Foi sim, a mais trabalhosa e a que mais me deixou cheia de coisas para fazer, mas foi a que eu mais aproveitei e mais participei intensamente de todos os momentos.
Gostaria de agradecer à todos aqueles que tornaram essa semana tão especial, e que não vão sair das minhas lembranças nostálgicas do último dos 12 anos de Sarapiquá: à minha equipe Che, todinha. Aos meus melhores amigos, ao nono ano, aos pequenos que eu conheci melhor essa semana, à Laura, ao João Manoel, aos professores, aos árbitros e à todos os outros que não me vem à cabeça agora.

O objetivo não é fazer um texto clichê e eu sei que essa última parte ficou um pouquinho, mas, eu precisava lembrar de todos eles. Bom, que venha o ano que vem e que venham as olipíadas do ensino médio. Aonde o jogo vai virar, não vou mais ser a mais velha, vou estar na posição de quem terá que aprender muito ainda. Então, espero, e de braços abertos.
Mas, antes de tudo, desejo bons jogos à todas as equipes amanhã, porque afinal, ainda não acabou.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 5 - final)

Como tinha sido maravilhoso aquele dia, e como tinha sido infinito aquele beijo. Passei o resto do tempo ouvindo músicas e dançando sozinha no meu quarto. Nem lembrava da mensagem da Ana, mas eu já estava decidida a ir conversar com ela no dia seguinte. Deitei na cama e comecei a pensar nele, ah! como me fazia bem. Atrapalhando meus sonhos, a minha irmã Laura entrou correndo e gritando no meu quarto, ela era mais nova que eu. Tenho que concordar, mesmo sendo minha irmã, ela era muito fofa. Mas, como uma boa irmã mais velha, eu não podia ser lá muito amável:
- Laura, já te disse pra não entrar correndo no meu quarto. O que foi? - A minha grosseria não abalou, nem um pouco, o rostinho empolgado da minha irmã.
- Ai Clara, tem um menino lá fora e acho que ele quer falar com você! - Não, eu não tinha ouvido direito, era ele? Só podia ser, ah o que eu faço?
- Ele quer falar comigo? Tem certeza? Me explica como ele é.
- Ai Clara, que coisa, ele quer falar com você sim. Mas, como você acha que eu vou lembrar? Eu vi por 10 segundos.
- Fala Laura, sei lá, a cor do cabelo, dos olhos, qualquer coisa. - As borboletas da minha barriga, já estavam quase na boca.
- Acho que o cabelo é castanho, ele é alto e tem olhos verdes, mas eu não vi direito né? Poxa vida.
Só podia ser, bom, eu tinha que me arrumar. Meu cabelo estava amassado combinando com a minha cara no formato do travesseiro.
- Laura, me dá uma escova de cabelo, rápido! - Ela foi e voltou quase como numa dancinha. Escovei o cabelo e desci correndo, era melhor correr do que ir devagar e voltar no meio do caminho, e me conhecendo bem, existiam grandes probabilidades disso acontecer. Abri a porta da sala e olhei, devagarinho. Realmente, ele estava lá, lindo, sorrindo, perfeito. A Laura veio atrás de mim e ficou olhando pela janela, nem liguei, não dava pra dar uma de irmã mais velha nessa hora.

- Oi Clara! - Ele falou com um sorriso lindo eu prestei tanta atenção nisso que demorei um pouquinho pra responder.
- Oi, nossa, por que você veio aqui? - Ele sorriu de novo.
- Então, a Ana sua amiga, veio me procurar. Ela disse que tinha pego os bilhetes que eu ia te mandar nas aulas, e falou que gostava de mim. Mas, eu expliquei pra ela, que eu gostava de você, ela já sabia, claro. E disse pra eu te pedir desculpas, e que você era a melhor amiga dela e sempre vai ser. - Nossa, a Ana devia ter me falado isso antes! Mas, eu fico feliz que ela tenha dito isso, então está tudo bem entre a gente, daqui a pouco a nossa amizade volta ao normal, tudo vai ficar bem.
- Nossa! Que bom que ela falou isso tudo, acho que agora tá tudo bem, finalmente.
Ele não respondeu, só segurou na minha mão e me deu um beijinho na testa. Os dois começaram a rir com os gritinhos histéricos da Laura do outro lado da janela.
- Então - ele falou rindo - essa é sua irmã?
- Sim, a Laura.
- Ela é muito fofa, parece com você.
Nem precisei responder, minhas bochechas responderam sozinhas, com uma sútil cor vermelha.
- Eu já tô indo, só queria te falar isso mesmo. Até amanhã, e manda um beijo pra Laura - ele me falou sorrindo.
- Até amanhã. - E quando eu me virei, ele me roubou um beijo e foi embora.

Acordei no dia seguinte um pouco atrasada, tomei café da manhã correndo e como eu provavelmente já tinha perdido o ônibus, minha mãe me levou de carro.
Desci no estacionamento e dei tchau pra minha mãe enquanto ela ia embora, ajudei a Laura a descer e ela foi correndo falar com as amigas dela, consegui entender algumas palavras, tipo: namorando, irmã e aí já entendi o assunto da conversa.
Virei para o lado para passar pelo portão, e senti um braço se acomodar nos meus ombros, era o amor da minha vida, bom, talvez apenas o primeiro amor da minha adolescência.
Fomos descendo o corredor, até a sala de aula e todos ficaram olhando. Ele era o tipo de garoto, digamos, que era o sonho de todas as meninas da escola.
Olhei para o lado e vi a Ana, ela sorriu pra mim e eu sorri de volta. Agora eu tinha ganhado o dia, o mundo. Estava muito feliz, não estava mais com o rosto corado, o que era importantíssimo. Andava do lado de alguém que eu gostava, e melhor ainda, que eu sabia que gostava de mim, e sabia que a minha melhor amiga estava começando a voltar a ser como era antes.
Podia ter algo melhor? Pelo menos agora? Ah, eu não sei. Mas, pelo menos naquele momento, a minha vidinha de adolescente, era a mais feliz possível. Ah, e por sinal, o nome dele era João.

Fim!

domingo, 22 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 4)

Já era tarde e eu estava me preparando para dormir, quando o meu celular começou a vibrar que nem louco em cima da mesa. Fui atrás do som, meio zonza. Olhei, era uma mensagem da Ana: "clara, eu preciso conversar contigo amanhã. bj". OI? O que era isso? Minha melhor amiga falando desse jeito comigo, eu não estava entendendo mais nada e uma raiva da Ana estava aumentando dentro de mim. Que absurdo, eu aqui morrendo de alegria e ela me fala isso!
Demorei para dormir, virei de um lado para o outro até que os meus pensamentos foram se misturando com os malucos sonhos que eu tive naquela noite. Acordei e lembrei da mensagem da Ana, o que serviu como um empolgante tapa na cara.

Cheguei na escola, com o cabelo solto e um pouquinho só de maquiagem. Olhei pra Ana, que olhava para a janela. Olhei pra ele, que olhava pra mim. Ah, parecia que eu tinha ido até o céu e voltado! Como era reconfortante olhar naqueles olhos grandes e verdes. Ele me deu um "oi", e eu respondi com o meu típico "oi" tímido, mas ele sorria e eu sorri também.

O professor entrou, então eu corri para o meu lugar, sentei, tirei meu caderno da mochila e vi que estava escrito de lápis na minha mesa: me encontra perto da cantina. Ana, Ana, por que me tratava assim agora? O que eu tinha feito de errado, para ela me tratar assim? Bom, eu precisava prestar atenção na aula dessa vez e deu certo, o sinal bateu e eu saí da sala.
Comprei um suco na cantina, não estava com fome. E dei uma olhada por perto para ver aonde estava a Ana, mas eu não vi ela. De repente e com força, uma mão segurou o meu braço e tampou os meus olhos, eu não sabia quem era. A pessoa me fez andar um pouco e eu ouvia o barulho sumindo. Paramos, e ela destampou meu olhos, e soltou minha mão.
AH MEU DEUS, ERA ELE, ERA ELE, ERA ELE! Eu não conseguia falar, não sabia se ria, chorava, gritava ou saia correndo. Andei um pouco pra trás e ele sorriu.
- Oi Clara, desculpa te trazer aqui desse jeito, tá? - ele corou de leve.
- Ahn, oi. Não tem problema, mas, por que você me trouxe aqui? - eu não corei de leve, claro que não, só senti minha cabeça fervendo.
- Então, eu te trouxe aqui, porque, ah bom acho que você já deve ter visto todos os bilhetes que eu te mandei na aula. - ele riu, nervoso.
- Quais bilhetes? A única coisa que eu vi, foi um recado escrito na mesa hoje. - Agora eu realmente não entendia mais nada.
- Que estranho, eu te mandei vários bilhetes. Bom, deixa, tá tudo bem.
- Não, mas eu não tô entendedo agora, que bilhe - ele tampou a minha boca com a mão e me deu um beijo, que fez com que eu sentisse e ouvisse tudo o que as pessoas diziam que acontecia no nosso primeiro beijo. Minha barriga gelou, eu ouvi sinos, não consegui pensar em nada, e ouvi uma das minhas músicas preferidas. Bom, essa última parte eu não sei se eu inventei para deixar o momento mais especial, mas, mesmo assim, com ou sem música: FOI PERFEITO.

Continua - Je ne sais pas (parte final)!!

sábado, 14 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 3)

-Oi - ele me disse oi, meu deus do céu. Eu ouvi mesmo, ele falou comigo.
Um "oi" tímido foi o que saiu da minha boca e a dele já engatou um - tudo bem?
- Tudo bem e você? - eu respondi, aí os olhos dele desviaram dos meus e pararam por um segundo nas minhas bochechas, que com certeza já não eram mais da cor natural.
-Tudo também, como foi na sala da coordenadora hoje? - ele deu uma risada, eu tinha que ficar brava, mas não dava. A risada dele era como uma valsa para mim.
-Ahn, não foi muito legal, mas, ela só me disse que eu tinha que prestar mais atenção. Mas, eu não consigo... - nossa, eu nunca imaginava que ia conseguir desenvolver uma frase com mais de 10 palavras na frente dele, foi sobrenatural isso, uau.
-E por onde andavam os seus pensamentos Clara? - EM VOCÊ, EM VOCÊ, EM VOCÊ! Era tudo o que eu queria responder, mas obviamente, eu não consegui, acho que era por isso que eu nunca ficava com ninguém, eu simplesmente não sabia conversar.
-Nem sei, eu fiquei olhando um passarinho lá fora, eu acho. - "eu fiquei olhando um passarinho lá fora, eu acho" isso é resposta para dar pra ele? Como sou burra.
-Hm, bom, eu já tô indo. Foi bom falar com você, até amanhã Clara. E vê se presta atenção na aula, haha.

Eu queria pedir pra ele não descer do ônibus, nunca, nunca mais. Mas eu já estava morrendo de alegria, eu pude conversar com ele! Peguei meu celular e liguei pra Ana, ela precisava saber, comecei a pular e gritar, o que atraiu o olhar de algumas pessoas para mim, mas eu nem ligava, eu estava feliz, feliz, feliz! Ele tinha falado comigo!
Mas a Ana não pareceu muito contente com a notícia, como assim? Ela é minha melhor amiga, eu achei que ia morrer de felicidade. Mas, nem dei muita bola, talvez ela estivesse acabado de brigar com alguém e poxa, como eu ia dar importância para isso, depois do que tinha acabado de acontecer?

Cheguei em casa e fui direto olhar o Orkut dele, eu sei que não é bom parecer que a gente vigia a vida do garoto, mas eu precisava pelo menos mostrar que eu gostei de ter falado com ele no ônibus. E já fui separar a roupa que eu usaria no dia seguinte, peguei até uma maquiagem que ganhei de natal da minha tia, eu não gosto muito de maquiagens, mas, agora era absolutamete necessário.

Continua!

sábado, 7 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 2)

Era isso, como eu não vi antes. Era isso e só isso, eu gostava dele! Eu, Clara, gostava dele. Cheguei na escola no dia seguinte pronta para me declarar e ganhar um beijo e ser feliz para sempre.
Entrei na sala e era aula de matemática, como ontem, sentei no meu lugar perto da janela. Olhei pra ele, estava lá atrás, e eu no meio. Não seria tão fácil, mas, eu podia tentar. Minha melhor amiga, Ana, sentava entre a gente, então eu podia mandar um bilhete pra ela entregar pra ele. Era isso que eu ia fazer, pronto. Nossa, como era fácil! A gente ia namorar, casar e ter 2 filhos, um menino e uma menina. Moraríamos na Itália e depois voltaríamos pro Brasil. Mas, interrompendo meus pensamentos, uma voz, grave e que eu conhecia muito bem, chamou meu nome:
- CLARA. - Era o meu professor, ai, era mesmo ele. Minhas bochechas, como sempre, começaram a ficar que nem um morango, eu sentia.
- Oi professor - acho que a única parte que deu pra entender foi o "oi", minha voz começou a falhar no meio.
- Clara, essa foi a gota d'água. Direto para a sala da coordenadora. E leve todo o seu material. Agora! - ele estava mesmo irritado.

Eu fui, passei justo pela mesa dele para chegar à porta, e ele estava rindo, como todos os outros (menos a Ana). Aquele corredor parecia gigantesco e escuro, a escada, parecia uma muralha que ia aumentando de acordo com os meus passos. Parecia que eu carregava um elefante na mochila, minha cabeça latejava e eu pensava nele, um pouquinho pelo menos, mas eu só conseguia ver ele rindo da minha cara. Cheguei na porta da sala da coordenadora, que mais parecia uma porta de um castelo da idade média.

Ela falou com uma voz calma - Olá Clara, o que te traz aqui? - eu não sabia o que responder, mesmo. Não era excesso de conversa, nem de brincadeiras de mau gosto.
- Não sei Sônia - eu não sabia e ela não acreditou.
- Clara, eu preciso que você me diga, senão vou ter que chamar seu professor. - Ela estava falando sério e o que eu menos queria era que meu professor viesse.
- Eu acho, que eu não prestei muita atenção na aula.

Estava voltando para a sala, depois de ouvir tudo o que a Sônia disse, não foi lá muito legal, mas deixa. Ela não entendia que a minha verdadeira razão de não prestar atenção nas aulas, nem hoje, nem ontem, era ele. Só ele.
Entrei na sala e sentei no meu lugar em silêncio, agora já era a professora de história que estava lá. Juro que tentei ao máximo prestar atenção no que ela dizia sobre a primeira guerra mundial, revolução russa, Stalin e todas essas coisas. Mas, não deu muito certo, até que o sinal bateu.

E eu fui para o ponto de ônibus, radiante de felicidade. Sabia que ele pegaria ônibus comigo, eu tinha certeza. Passaram vários outros ônibus, como sempre. E o nosso chegou, entrei e sentei lá no fundo. Ele veio também, com o fone do iPod bem enterrado no fundo do ouvido. E sentou, DO MEU LADO.

Continua!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Je ne sais pas (parte 1)

Estava passeando por um blog ontem e me inspirei no modo como os textos eram postados. Não eram aleatórios, era uma sequência de mais ou menos 10 posts, que formavam uma história. Eu adorei e acho que é isso que vou fazer, pelo menos agora. Podem comentar, se der certo, eu faço mais alguns!


Aquela música que ele cantou incessantemente não saia da minha cabeça, eu precisava ouvi-la. Mas, não podia ser naquele momento, meu professor tinha acabado de entrar na sala. Devagar, o barulho foi diminuindo e as pessoas foram se acomodando em seus lugares, eu já estava sentada, há um tempo. Não conseguia prestar atenção na resolução daquela equação gigantesca e me concentrei num passarinho que ficava voando na árvore ao lado da janela.
Estava acompanhando com os olhos, o voo da pequena ave quando ouvi:
- Clara, está me ouvindo? Será que você pode me dizer o resultado desta equação? - era o meu professor falando.
- Oi, ah desculpa professor, eu não prestei atenção. - Senti um calor subindo pelas minhas bochechas, que eu sabia que estavam vermelhas.
- Pois bem, não prestou atenção Clara? Será que na sala da coordenadora você consegue se concentrar? - ele não estava brincando e eu comecei a arrumar as minhas coisas em silêncio para ir pra sala dela. - Não Clara, não é necessário agora. Mas, é a sua última chance, por favor, trate de prestar mais atenção.
Não respondi, só assenti com a cabeça. Ouvi alguns colegas rindo, mas eu não liguei. Tinha que prestar atenção agora, mas, como se aquele ritmo não parava de bater na minha cabeça?

Ouvi o sinal tocar e saí correndo da sala direto para o ponto de ônibus. Passaram alguns que não iam para minha casa, até que o meu finalmente chegou, entrei junto com outras pessoas da minha escola e sentei lá na parte de trás. De repente, me veio o nome da música, ah! até que enfim. Lisztomania da banda de indie rock, Phoenix. Era isso aí, era essa música mesmo. Agora eu estava aliviada, pronta pra resolver todas as equações gigantecas possíveis. Mas, alguém cortou a minha onda de pensamentos alegres. Ele, o garoto que tinha me feito ficar com essa música grudada na cabeça. Estava com os fones do seu iPod bem colocados no fundo do ouvido e pelo que deu pra ouvir, a música devia estar no máximo volume.
Eu ensaiei um oi, mas ele nem ouviu. Meu coração batia tão alto e quase na minha boca quando eu o via, que quase não dava para saber do que se tratava a música que estava tocando no seu iPod (no volume máximo). Não sei o que era aquilo que acontecia comigo.

CONTINUA!

domingo, 25 de julho de 2010

Ele e ela

Ele, um vendedor dessas lojas tipo Casas Bahia. Ela, uma manicure que trabalhava periodicamente, ou melhor, quando queria. Em suas vidas inúteis e invisíveis, viviam numa redoma de felicidade, nada que contagiasse quem estava a sua volta. Sabiam que a eles, não era reservado nada mais que um contato com um primo cantor de música sertaneja. A fama não beirava sua existência inútil.
Ele, morava ainda com a mãe. Ela, dividia um minúsculo apartamento com mais duas amigas.
Os dois se conheceram em um carnaval na rua.

Ele, gostou das unhas dela, compridas e pintadas de vermelho cintilante. Ela, gostou do cabelo dele, bem brilhante, lambuzado de gel e arrumado em um topete deformado. Começaram a se ver com mais frequência. Em suas vidas sem graça e sem cor.

Mas, em uma visita ao apartamento dela, ele conheceu uma das amigas que dividiam o local. Se apaixonou. Perdidamente, ainda por cima.
Foi o fim da vida dela, de manicure periódica, virou manicure aposentada. Não queria mais nada, não queria comer, nem a vida a interessava mais. Os dois apaixonados, fugiram para algum lugar por aí e nunca mais deram notícias.

Ele, feliz, queria que todos vissem seu tesouro, queria contagiar a todos com sua alegria imensa. Ela, não queria nada. Até que pegou uma bicicleta e saiu, foi embora, virou notícia, virou celebridade. Andou o mundo inteiro, pegou carona em navios, pedalou em trilhos de trem. Viveu por aí. Se tornou uma cidadã do mundo. Sobreviveu. Ele, ficou vivendo sua paixão, cada dia mais desgastada pela rotina. Os filhos correndo em volta, a mulher trabalhando o dia todo. Achou consolo na bebida. Não era mais feliz.

Ela, era. Ela aproveitava o vento no rosto, o que a tinha feito esquecer, há tempos, a história frustrada de amor que tinha vivido com ele.
Quando ela voltou para sua cidade, já era manchete de jornal, já era cara rodada. Todo mundo a conhecia. Se viram de novo, ele e ela. Tudo aquilo voltou à tona e o amor veio junto. Como negar uma antiga paixão? Por mais que o ódio se impusesse, em alguns momentos, as boas lembranças demoravam a ir embora e ainda não tinham ido.

Se apaixonaram novamente. Ela, voltou a ser uma manicure que trabalhava periodicamente, ou melhor, quando queria. Ele, um vendedor dessas lojas tipo Casas Bahia. Descobriram juntos, que para eles, aquilo era a alegria. E compartilharam sua redoma de felicidade, que não contagiava ninguém a sua volta, a não ser, a eles mesmos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Little Sister

Little Sister - Jérémy Kapone

We used to say
That we were
Brother and sister
We used to think..
Nothing was ever better

Today I break my promises
to stay out of the emptiness
Today let's make our promises
For tomorrow

we used to play
All the games
where no one's the winner
We used to laugh
And make lies
Sound even better

Today I break my promises
To stay out of the emptiness
Today let's make our promises
for tomorrow

La lalalalala La lalalala la

We used to swear
That we were
Brother and sister
We always knew
that you would take me out there

Today I break my promises
To stay out of the emptiness
Today let's make our promises
for tomorrow

La lalalalala La lalalala la

http://www.youtube.com/watch?v=hC4jGi1ckXE - clipe no youtube

Procurem essa música, é linda! E se puderem também, aluguem em alguma videolocadora o filme (o Jérémy Kapone é um dos atores principais): "Rindo à Toa (LOL)". É um filme francês, do ano passado, acho. É perfeito, lindo, maravilhoso. Indico mais para adolescentes, mas, acho que os adultos gostam bastante também, minha mãe gostou, hehe. É realmente muito bom, é narrado por uma menina chamada Lola, mostra um pouco da vida dela, cotidiano mesmo. Eu amei, e os atores são lindossss, vale a pena, nem que você não goste muito da história!

Assistam, mesmo. Acabei de voltar de viagem, estou exausta! Mas, vou ver um filme que já saiu dos cinemas faz um tempo: "Um Olhar do Paraíso". Se for bom, eu escrevo por aqui. Mas, amanhã, hoje não tenho condições.
Boa noite, beijocas e bons filmes sempre.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Alívio

Preciso escrever, o que funciona quase como uma terapia. Não, como um carinho. Um carinho para as ideias que pulam pela minha cabeça, uma pausa para as tristezas e um momento para extravasar as alegrias. Essa semana, me ajudou a crescer e amadurescer. Me possibilitou uma pausa para o auto-conhecimento. Eu precisava disso.
Nem sempre o caminho para nos conhecermos é fácil, as vezes ele traz junto um grande desafio. Foi difícil? Foi, eu sei que foi.
E descobri, que não era isso que eu gostava de fazer. E que por mais que não seja algo que eu costume fazer muito, tenho que impor um pouco as minhas vontades. Parar de simplesmente agir da forma que acredito que convém aos outros. Não preciso me "provar" para ninguém, nem para mim mesma. Eu sou desse jeito.

Tem situações que nos fazem crescer e ver que tem coisas que precisamos mudar. Mas, nem sempre precisamos, as vezes só percebemos quais são os nossos limites. Tem limites que a gente não precisa ultrapassar, mas, é bom chegar até eles para entender com clareza o que damos conta de fazer, ou não.
É bom sentir que tem gente do nosso lado, que podemos pedir um sopro em momentos difíceis. Mas, essas pessoas são boas para percebermos também, que na verdade, nós somos uma grande companhia, para a gente mesmo. E que ao longo da vida, criamos laços fortes com pessoas, mas, uns vão, outros novos vem e quem continua lá somos nós. Então temos que compreender a nós mesmos, perceber os nossos limites e o que nos faz feliz, porque nem sempre os outros saberão. Estamos juntos e sozinhos ao mesmo tempo, todas as respostas para os nossos questionamentos internos estão dentro de nossas próprias cabeças e precisamos de desafios ou horas felizes para conhecê-los.

Que venham novos desafios. Mas, por enquanto quero só uma tarde no cinema do iguatemi, umas horas no café cultura, umas caminhadas pelo centrinho da lagoa e os meus amigos.

domingo, 18 de julho de 2010

Soneto de Fidelidade

Eu amo esse poema, eu amo, amo, amo. No filme ´Invictus´, que conta um pouco da vida do Mandela, ele diz ao treinador do time de rugby da África do Sul, que quando ele estava na prisão e se sentia triste ou sozinho, ele recitava um poema pra ele mesmo. Era lindo, mas, não consigo me lembrar o nome agora. Pois então, acho que esse poema do Vinicius de Moraes, tem o mesmo efeito analgésico sobre mim. Me deixa mais tranquila e é como uma luzinha naqueles dias que não são lá muito bons.

Soneto de Fidelidade

´De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Em seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer, do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.´

Vinicius de Moraes


Que seja para vocês, tão inspirador, quanto é para mim. E que tenham, um ótimo começo de dia!

sábado, 3 de julho de 2010

Precisamos de viagens, precisamos de cultura.

Adoro viajar, acho que viagens enriquecem nossas ideias. São sinônimo de enriquecimento cultural, novas ideias, novos costumes. Diferentemente dos americanos (do norte e do sul), os europeus, viajam muito mais. Conhecem quase toda a Europa, descobrem novas partes do mundo. É óbvio, que o fator mobilidade é absurdamente melhor do que por aqui, mas, culturalmente eles tem o costume de viajar, nem que seja de mochila, para ficar num pequeno albergue.

Por que, ao invés de economizar anos para fazer a tão desejada viagem aos parques da Disney, as pessoas não procuram viajar pelos países da América do Sul, nossos vizinhos, que respiram cultura? Por que, não viajam para o nordeste, ou para o norte, para conhecer a amazônia?

Acho que uma viagem, não importando a distância é sempre uma grande experiência. Se a questão for condições financeiras, por que não fazer uma viagem para o interior do estado, e conhecer o que temos por aqui? E se for mais do que isso, por que não passar uma tarde em uma praia do sul de Floripa para conhecer os costumes e as pessoas de lá?
Acho que viajando, nossas opiniões políticas e nossa visão da realidade são postas à prova. Foi em uma viagem de moto, que Che Guevara se deparou com as desigualdades da América Latina e a partir disso, é considerado hoje, uma das 100 personalidades do séc. XX. Por que? Simplesmente, porque ele não viu tudo aquilo pelos jornais, ele vivenciou e sentiu a realidade que as pessoas viviam. Abandonou sua classe média alta, abandonou sua faculdade de medicina, e foi lutar, por direitos melhores para todos. Errou? Deve ter errado em algumas coisas, deve ter se enganado em alguns momentos. Mas, não deixou lutar pelo que acreditava.

Não precisamos ser assim tão radicais, não precisamos segurar uma arma nas mãos para ver as realidades do mundo. Mas, precisamos de cultura, para enriquecer nossas ideias e poder justificar nossas opiniões com mais certeza, precisamos de viagens, precisamos de loucuras, precisamos de histórias, precisamos de meio ambiente, precisamos viver, precisamos mostrar quem somos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mudanças

É sempre bom mudar os ares, renovar as energias e trocar as ideias. Acho que é possível perceber, que o blog sofreu algumas mudanças e que aliás, não foram todas bem resolvidas ainda.
Cheguei em casa e entrei no blog porque queria mudar umas coisinhas. Tinha um botão dizendo que os planos de fundo e os "modelos" do blogspot tinham sido alterados e eu mudei. Claro que achando que poderia voltar ao normal quando quisesse. Pois é, não voltou mais. Problema esse, que causou um certo stress na família e rendeu algumas lágrimas de minha parte.
Agora, não tem o que fazer, vamos nos adaptar... já fiz algumas mudanças, nas cores, fotos, textos, layouts. Mas, a parte do título do blog eu ainda não resolvi direito.
Percebi, que é incrível como algumas inesperadas mudanças podem desestabilizar a gente. Não que essa tenha sido realmente significativa, mas, se o blog é meu, quero que tenha a minha cara e eu estava feliz com o que ele era antes.

Acho que temos que ser mais adeptos a novas ideias, levar a vida um pouco mais na flauta, tudo fica mais leve. As vezes eu me cobro demais, exijo coisas que sei que não vou cumprir. Não que essa pequena mudança tenha gerado uma reflexão tão grande, mas, só contribuiu para uma ideia que eu andava pensando.

Quero levar a minha vida de um jeito mais tranquilo, quero encarar as coisas de um jeito mais azul e mais claro, espero que as pessoas me entendam assim. Quero aproveitar mais cada segundo, por várias vezes perceber que a eternidade não existe. E quero ser mais livre. Não que não fosse feliz, sempre fui, e muito! Mas, simplesmente, introduzi uma nova filosofia de vida, se é que posso chamar assim. Acho que se preocupar demais com os problemas, só nos faz enxergar mais deles a nossa volta. Se era pra mudar o blog, muda tudo, muda com vontade! Enxerga as coisas com um olhar mais infantil, não ingênuo, mas, puro. Como dizia uma propaganda do multishow:

"Ao invés de passar 2 horas no carro, reclamando do trânsito. Passe 2 horas no carro, ouvindo a música que você mais gosta"

É isso.

domingo, 6 de junho de 2010

Amor Adolescente

Essa foi a redação "descritiva" que eu fiz na aula de língua portuguesa. Era para retratar um acontecimento de uma forma detalhada. Eu fiz sobre um casal adolescente de namorados na praia. Espero que gostem:

Amor Adolescente

Tudo naquele lugar brilhava, cada grão de areia exalava, misturado com o cheiro salgado do mar, um cheiro que só os apaixnados conhecem. Senti com as pontas dos meus dedos do pé, a areia quentinha e macia que me tocava com num carinho. A brisa, silenciosa, dançava nos meus cabelos e minha mão, apertava a mão dele como numa súplica de nunca se sentir abandonada.
Às vezes, me lembrava que era bom sentir o ar pelos meus pulmões e respirava, bem fundo, esperando o ar sair devagarzinho. Da minha boca não saia nada, além de mudos beijos apaixonados, que imitavam o movimento do mar.
Andamos um pouco em meio à brisa silenciosa e sentamos bem devagar para sentir mesmo, o corpo afundar na areia que servia de repouso para aquele amor tão adolescente. E juntos, realizávamos movimentos, todos na mais envolvente sincronia.
Ele me puxou pela mão e levantei, um de seus braços envolveu minha cintura e com a outra mão, segurou firme na minha. E no ritmo do mar e na melodia do vento, dançamos nosso amor adolescente.
Senti o calor de sua respiração perto do meu ouvido e escutei, cada palavra que saiu como num poema, que ao juntar-se transformou-se em milhares de borboletas na minha barriga e tambores no meu peito:
- Quer namorar comigo?

E a partir daquele dia, todo cinza, para mim, era cor-de-rosa.



terça-feira, 1 de junho de 2010

Me faz tão bem

Ando numa fase reflexiva, boa, mas, silenciosa. Acho que preciso dar mais atenção para as pessoas que amo, eu tento, juro que tento. Acho que não demora para passar, mas, enquanto está aí, a gente espera e reflete né?

--> essa sou eu quando era pequena!

No meio dos meus pensamentos mais confusos, a saudade de uns pimpolhos começou a surgir bem grande e resolvi ir lá na Serte (lar para crianças abandonadas - Cachoeira do Bom Jesus) de novo, junto com os meus amigos: Manu, Ma e Guará.
Ah como foi bom, como aqueles abraços me fazem bem. Dar um colinho as vezes e saber que naquele momento você está fazendo a diferença na vida de uma pessoinha que já sofreu tanto, é tão bom. A gente cansa, e como cansa! Ficar correndo, cantando, brincando de avião, pulando, pegando no colo, conversando, é cansativo. Mas, os sorrisos as vozinhas te chamando de "tia" são uma das melhores coisas do mundo (fugindo do assunto, assistam esse filme - As Melhores Coisas do Mundo).
Ao mesmo tempo que é muito reconfortante estar lá, surge aquela pontadinha de tristeza, quando imaginamos que os nossos pais estão sempre ali e quando nós vamos embora, as crianças não vão embora também. Eu estava com uma menininha no colo e ela começou a chorar e chamar pela mãe, quase chorei junto. É difícil, não sabia o que fazer, não é uma situação que faz parte da minha vida. A única coisa que fiz, foi embalar ela no meu colo, cantando uma musiquinha. E acho que naquele momento, por mais que ela não se lembre mais, fui importante e me senti importante, senti que estava fazendo a diferença na vida de alguém tão pequeno.
Eles me fazem tão bem, até a dor muscular que estou sentindo no braço é boa, me faz ter a certeza de que fui lá e fiz algo bom. Amo aqueles pequenos, não como irmãos, primos e amigos, mas, como crianças que são um exemplo para todos e que no meio de tantas tristezas, conseguiram achar um tempinho para brincar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Estrelas Calientes

No livro que eu li "AvóDezanove e o segredo do soviético" do Ondjaki, os nomes são todos juntinhos mesmo, não foi um erro de digitação e minha tecla de dar espaço também não está com problema. Bom, é um livro daqueles de ler devagarzinho, bem com calma, prestando atenção nos detalhes. São basicamente, as memórias das férias de um menino e os seus medos, suas brincadeiras, seu cotidiano, vizinhos e histórias na Praia do Bispo, em Luanda, a capital de Angola. Só pra entenderem um pouquinho, na época, muitos russos e cubanos viviam em Luanda, pois estavam em guerras políticas e eram aliados. O menino, narra além de suas próprias férias na casa da avó, a construção de um mausoléu soviético e a possível explosão da praia. É muito bom, recomendo à todos, uma delícia de ler, cheio de "mistériozinhos" e histórias inventadas e aumentadas. É um livro de ler rápido, um livro fácil de entender e se intrometer nas cotidianas aventuras das crianças.
Meu personagem preferido, é o EspumaDoMar, um cubano meio maluco e filósofo, que mora na PraiaDoBispo e conta suas histórias e teorias para as crianças. Algumas páginas do meu livro, estão com a pontinha dobrada, pois marquei as passagens bonitas. E essa, dobrei duas vezes, porque foi a que mais gostei:

"-Vocês falam estrelas cadentes, mas eu conheço os dicionários todos da língua angolana e da cubana. Estrelas calientes, são fenómenos dos céus e do universo escuro, a poeira cósmica e etcetera... seus patetas que nunca andaram nas escolas universitárias!
(...) - Aprendam meninos, há dois céus: o céu azul que pertence aos nossos olhos e às asas dos aviões e dos passarinhos. E existe um céu negro que é tão grande como um deserto. (...)
- As estrelas calientes derreteram com os calores do sol e por isso caem em direção ao planeta mundo. Nuestro planeta es el unico que tiene agua para elas arrefecerem outra vez. São estrelas calientes, e um dia, depois de arrefecidas, juro, esas estrellas van a querer volver a casa... (...)
- Ainda vamos ver essas estrelas subirem, da terra para lá em cima, nos céus que dormem longe vestidos de brilhos brilhantes."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quero que venha

Eu fiz este poema, para a feira de leitura que vai ter na minha escola, nos dias 13 e 14 de maio. Como o tema da feira é o continente africano, resolvi homenagear a África do Sul. É um poema principalmente sobre o Apartheid. Espero que gostem :)

Quero que venha

Nosso povo, minha alma, tua vida
O sangue que escorre
Pela terra, terra que é nossa
No amor e na vingança digo eu:
- Pura injustiça.
Por que fazer de um povo seu próprio inimigo?
Não digo inimigo de luta
É inimigo da dor.
Tua alma,
antes alegre
Agora chora um rio de liberdade
Quero ver a vida vindo,
vinda
Quero que venha.
Desejo ver a alegria no teu rosto
África
Deste sul tão distante.
Nós
Palavra agora desconhecida
Um dia sairá da nossa boca
E que venha ela,
rodeada de liberdade.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Filosofias

Minha vida anda tão corrida agora, que eu nem tenho tempo para andar por esse lados. Ando querendo escrever mais, tocar mais flauta, sair mais, ir ao cinema, mas, simplesmente não dá.
Não que eu ache que minha vida de 9º ano esteja sendo mais corrida do que qualquer outra, mas, eu deduzi que quanto mais a gente cresce, mais os dias passam rápido.
Eu vou dormir, quando vejo minha mãe já está entrando no quarto e acendendo a luz e todos estão com sua irritante alegria matinal, depois já estou na escola, almoçando, na aula de alguma coisa, indo pra casa, jantando e AAAAAAH!
Começa tudo de novo.

Minha vida, as vezes aparentemente tão intensa, cheia de alegrias, tardes deprimidas, brigas, filmes tristes, amores, amigos, família... parece ser muito movimentada, mas, ao mesmo tempo tão insignificante no meio de tantas outras vidas parecidas ou até mais complicadas.
Estava conversando isso com meu pais esses dias. É incrível pensar que o universo não tem fim, não acaba nunca. Para nós, gente "finita" é fora dos padrões pensar em algo que não termine, nossa vidinha de "começo, meio e fim" é muito mais aceitável e prática.
Mas, se existe essa quantidade tão gigantesca de planetas, estrelas, galáxias, existe vida? E se não for do jeito que imaginamos? Ou seres verdes com um olho só, ou bactérias, ou humanos idênticos a nós, ou possuidores de enormes espaçonaves.
E se existir, algo com uma forma que nem sonhamos em imaginar, sem um coração, dois olhos, sem essa história de eucariontes e procariontes.

Eu sei lá. Acho que é bom pensar sobre isso, filosofar horas e horas sobre algo aparentemente sem respostas. Será que um dia, alguém vai saber? Ou serão eternas suposições e filmes Hollywoodianos que mostrem os ET's matando todos os humanos? O que será que tem além do nosso planetinha azul e verde?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Le Petit Prince

Desde pequena, o principezinho me causa encantamentos. As vezes, até uma melancoliazinha.
Já chorei, já sorri e já tentei entender o mundo lendo aquele livro. Quando a gente se empolga, vê que livro vira remédio e não existe remédio melhor que um livro, bom, dependendo da questão.
Mas, tudo bem. O que eu quero dizer é que O Pequeno Príncipe, em especial, me encanta de diferentes formas, cada vez por um pedacinho, uma filosofia. Quem nunca ouviu, em seus momentos mais nostálgicos: "o essencial é invísivel aos olhos" ou "só se vê bem com o coração"?
Não digam que é livro de auto-ajuda, nem que é para fazer criança dormir. Acho que dependendo do ponto de vista pode ser uma história infantil, ou o contrário, um momentinho na vida de alguém mais crescido, que sirva pra descansar o corpo.
De todas as frases famosas e trechos conhecidos, o que mais me faz bem é este:

"À noite, tu olharás as estrelas. Aquela onde moro é muito pequena, para que eu possa te mostrar. É melhor assim. Minha estrela será para ti qualquer uma das estrelas. Assim, gostarás de olhar todas elas... Serão, todas, tuas amigas. E também, eu te darei um presente...
Ele riu outra vez.
- Ah! meu caro, meu querido amigo, como eu gosto de ouvir este riso!
- Pois é ele o meu presente...
- Que queres dizer?
- As pessoas veem estrelas de maneira diferente. Para aqueles que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para os sábios, elas são problemas. Para o empresário, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém nunca as teve.
- Que queres dizer?
- Quando olhares o céu de noite, eu estarei habitando uma delas, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Desta forma, tu, e somente tu, terás estrelas que sabem rir!
E ele riu mais uma vez.
- E quando estiveres consolado (a gente sempre se consola), tu ficarás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E às vezes abrirás tua janela apenas pelo simples prazer... E teus amigos ficarão espantedos de ver-te rir olhando o céu. Tu explicaras então: 'sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!' E eles te julgarão louco. Será como uma peça que te prego."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Visitante momentâneo

Era um típico dia de ficar em casa, receber as visitas, fazer uma social, essas coisas. Mas, não. Não podia ser tão típico assim, aliás, tinha que ser completamente diferente. Pois é, estava meio nublado, não dava para ficar na piscina, então todos ficaram reunidos envolta da mesa.
Estavamos comendo, aquela coisa toda e aparece um "pato" no jardim, bom, ninguém deu bola. Devia ser um bichinho que chegou pela lagoa. Mas, o pato foi chegando perto e ele andava de um jeito diferente, bem fofo por sinal. Opa, foi aquela comoção silenciosa geral e todos levantaram para ver o pinguim que se aproximava. Ele veio, ficou olhando pra gente, se enfiou embaixo de uma planta e meu pai o pegou no colo. Ah, que nervoso, ninguém ensina o que fazer quando um pinguim aparece na sua casa!
Peguei ele também, levei uma senhora patada na camiseta branca que ficou marrom. A Letícia, nossa amiga que mora em Portugal, estava por aqui e levou junto comigo uma deliciosa arranhadinha no braço! Mas, reparamos que ele tinha um anel na asa e resolvemos levá-lo até a polícia ambiental, que era bem perto, ufa. Foi, realmente um dia bem estranho, um pinguim, na minha casa!
Adorei a novidade. Espero receber mais visitinhas inesperadas, acho que a Letícia gostou também, já que agora somos meio-pinguins.
Nosso visitante momentâneo foi muito bem recebido, no seu jeito pinguim de ser.

domingo, 4 de abril de 2010

Balança

Agora, depois de viver uma vida inteira, ela já não tem mais aquela antiga sede de aproveitar qualquer momento. Agora, ela anda pra frente e pra trás em sua cadeira de balanço.
Olha um pouco os tantos quadros pendurados na parede empoeirada e que há muito ninguém repara. Enxerga a sua caixinha de prata, onde guarda antigas juras de amor. Seu olho continua vagando pela sala escura, quando para naquele caderninho de veludo.
Nele está escrita toda a sua vida, toda a sua história. Ela que passou a vida dançando. Havia muito que seu marido tinha parado de dançar e ela não queria mais também.
Era páscoa, mais que graça ela veria em rir e comer chocolates? Preferia muito mais a calma de sua sala escura e empoeirada. Mas, foi aí que ela ouviu um barulinho. Não ia levantar pra ver o que era, podia ser a mobília velha rangendo... mas, o barulinho virou um pedacinho de música.
Aliás, ela achava que era música já que havia muito que não escutava algo assim.
E aquela possível música foi fazendo seu coração se mexer no ritmo, foi fazendo a velhinha se sentir leve como quando dançava com seu marido. E ela sentiu uma força que não lembrava mais e se levantou, deu uma balançada mas se equilibrou logo.
Seu pé já meio torto pelo tempo começou a bater no tapete, sua cintura balançou, sua cabeça já havia sido completamente invadida por aquela música nova. E sem pensar, sem querer, sem lembrar, a velhinha dançou. E apartir daquele dia de páscoa, ela não parou de dançar. Hoje ela dança e embala sua música, nas nuvens, claras e limpas.

Feliz páscoa, beijocas,

domingo, 28 de março de 2010

Nunca, é sério, nunca que eu ia imaginar isso!

Ai ai, como esse ano já anda passando rápido né? Nossa, eu nem bem pulei as sete ondas no ano novo e já estou tendo as provas bimestrais na escola! Quando eu era pequena, me lembro muito bem que as férias de julho, de duas semaninhas, demoravam uma eternidade para passar e as férias de verão então, chegava a um ponto que era quase um sacrifício. Mas agora, my god, férias de julho é um final de semana prolongado e férias de verão, tá essas talvez ainda sejam grandes, mas, eu não fico nem com uma sombra de saudade da minha rotina. Sério.


E pensando por esse lado, a gente vê como as coisas são possíveis, como tudo é tão possível. Você nunca passou por alguma situação em que tenha pensado algo como: - Nossa, no começo da semana eu nunca teria imaginado que isso iria acontecer.


As vezes é algo tão fora da sua realidade que você nem cogita a possibilidade.




Bom, comigo foi assim: Segunda-feira eu estava lá, assistindo CQC, rindo bastante e essas coisas, claro. Na sexta, fui almoçar na casa da minha amiga linda Flora e recebi a notícia bombástica de que o pai dela era bem amigo do Marcelo Tas (apresentador do CQC) e ele tinha ligado e perguntado se o Hugo não queria tomar um café com ele. O QUE? UM CAFÉ COM O TAS? aaaaaaaaaaaaaaaaaaah, não creio.


Depois de me curar do meu estado de choque, percebi que a Flora estava perguntando se a gente não poderia por acaso, ir também pra dar um oi, tirar uma fotinho, pegar um autógrafo e essas coisitchas... GENTEM, ele deixou!


Tá, agora me diz, quando que eu ia imaginar na segundona a noite vendo CQC, que na sexta, eu estaria cara-a-cara com simplesmente, a cabeça "mandante" do programa. E ainda que a gente deu uma conversada, tiramos a foto, pegamos autógrafo (e ele desenhou um prof. Tiburcio, que era o personagem dele no Castelo Ra Tim Bum - que eu amava) e ainda por cima, fomos convidadas pelo Tas para ir pra SP ver o CQC um dia.




É, eu não consigo acreditar direito ainda.

domingo, 21 de março de 2010

Stand-up Comedy

Gente, fui no stand-up comedy do Marco Luque! Tenho certeza absoluta, que nunca ri tanto na minha vida toda. É imperdível, não tem como não achar graça, saí do teatro com um gostinho de "quero mais". Admito que fiquei um pouco chateada quando soube que ele falava exatamente as mesmas coisas em todos os shows e que nada era improvisado, mas, mesmo assim, parabéns dos dois jeitos, afinal, lembrar de um texto daqueles com a mesma graça de um improviso é muito difícil.
Muito bom, muito mesmo. Sempre acompanhei os vídeos do "Improvável", toda vez que pude assisti CQC e É Tudo Improviso, mas, nunca ri como naquele dia. Nem vou me dar ao trabalho de reproduzir alguma piada dele, não dá muito certo, contei pra minha mãe no carro e ela me olhou com uma cara de: oi?
Tudo bem, superei essa. Tem que ir no espetáculo pra entender a graça da piada, isso eu percebi. Então não percam, acho que ele demora pra voltar, mas, se puderem ver algo assim, já sabem, vocês tem que ir.
Ah, dia 4, 5 e 6 de junho (se eu não me engano), o "Improvável" vem pra Floripa, assim que abrirem a compra de ingressos, tô lá.

Pecados Capitais

É sábado de manhã, não tem aula no dia seguinte, nem preciso dormir mais cedo, instantaneamente, já vem uma senhora preguiça se instalar no meu corpo. Ah, mas convenhamos que é uma delícia desperdiçar um pedacinho da manhã rolando e enrolando na cama.
Não acho que, de todos os pecados, eu cometa muitos, mas uma preguicinha de vez em quando... é tão bom! Já tenho que viver sem ela na escola, na hora da prova, nas aulas de inglês e de música, então, me deixem aproveitá-la em minhas curtas manhãs de sábado.

terça-feira, 16 de março de 2010

Pra minha Compasso

Na minha compasso (Compasso aberto escola livre de música) todas as aulas de musicalização eram uma diversão, que incluia pipoca, banda dos zumbis, jogos, risadas e notas musicais. Saía da sala "grande"e ia direto para o piano, com a minha professora por tantos anos, Denise.

Depois de toda a alegria das aulas, ainda vinham os shows no meio do ano e os tão esperados shows de fim do ano, ah, que delícia, que friozinho na barriga!
E eu fui crescendo e minhas aulas de quinta, passaram para terça e a Maria, minha professora tão querida, foi pra longe, mas, continuei lá, nas minhas aulinhas "pianísticas" com a Dê.
A banda dos zumbis foi perdendo integrantes e uma nova turma ia se formando, com outra professora, com novos desafios. Mas, sem pipoca, afinal, a gente já era meio grande, né?
Comecei a ter aulas pela manhã e minhas aulas de música mudaram pra quarta feira à tarde. Minha turma, na realidade, minha dupla, era o meu melhor amigo, daqueles de infância... minha professora, a Marina, era irmã da Maria, aaaah, como era bom ter aulas com essas duas! A Marina me dava aulas de flauta também, meu novo desafio, depois de tantos anos pianísticos com a Dê.
As aulas de quarta, foram muito bem aproveitadas, mas, como tudo que é bom acaba, a Marina, também foi pra longe. E meu melhor amigo foi também.

E eu continuei lá, indo na Compasso e deixando minhas tardes mais cheias de música. Para não sair da "família", ao invés de ter aula com as irmãs, dessa vez, foi com a mãe das duas, Silvia.
Ela me dava aulas de flauta e me fez um convite, para entrar na banda da escola, que honra não? Entrei é claro, como sempre, aceitando desafios. Na banda conheci gente diferente, toquei música diferente, umas mais antigas, outras quase esquecidas e outras, tão conhecidas. Como eram boas, as aulas que então passaram para segunda-feira.

Outra novidade, escola nova, não, não saí da Compasso. Foi a Compasso que mudou de lugar, uma casa linda, pertinho da outra, com cara de Silvia, de Denise, de Maria, Marina e tantos os outros que a deixavam tão cheia de vida e música. E lá fui eu, me mudei junto pra casa nova, de mala, flauta e agora, a nova novidade, aulas de canto, com a Denise de novo! Saía da flauta, ia pros ensaios da banda, saía da banda, direto pro canto e do canto, pra aula de teoria. Ai, quanta coisa. Ah, mas, era bom, relaxante.

E depois de quase 6 anos, eu saí de "casa", deixei de ir lá toda segunda-feira. No começo, estava empolgada, afinal, teria tempo para fazer outras coisas, mas, eu acho que aquele lugar já é tão parte de mim, quanto eu sou parte dele. E não dá pra esquecê-lo, por isso, estou esperando a saudade estourar, para voltar lá e viver tudo de novo. Não vou abandonar os meus ares musicais, a minha base, o meu descanso, as minhas aulas, a minha música. Pois é, quando a gente tá longe e bate a saudade, é que a gente percebe o quanto ama. Obrigada por tudo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Criancices


Ontem, em um típico e nada anormal almoço de família, meu primo, chega pra mim e diz:

-Nossa, como você tá grande. Parece uma adulta!

AAAH, meu primo que me vê todo santo dia dizendo isso, realmente, é nessas fatídicas horas que cai a ficha e você percebe que não dá mais pra se incluir no grupo dos menores.

É meio ruim, por um lado, parar de ser criança. Não sei, são tantas coisas, tantas férias e aulas, e brincadeiras... mas, são rápidas. E não temos mais desculpa, pra fazer coisas absurdas, engraçadas e idiotas, não somos crianças mais. Agora, se rimos alto no shopping, são os adolescentes que não sabem se comportar em público.

SIM, a gente sabe se comportar. É que talvez essa grande transição entre infância, adolescência e adultisse, nos faz ter vontade de continuar "brincando", enquanto ainda não somos oficialmente grandes. É bom brincar um pouquinho e dar uma gritadinha de vez em quando, até porque receber um olhar feio as vezes, não tem problema. Quem sabe, sejam esses, que tenham mais vontade de deixar suas "criancices" aflorarem de vez em quando.

terça-feira, 2 de março de 2010

Me romperan la cabeza, mis ideas, no


Hoje, é fácil saber o que acontece na China, em minutos saber as catástrofes do Chile e Haiti, acompanhar ao vivo a ambulância do Michael Jackson nos Estados Unidos, saber como foi o dia da Paris Hilton, descobrir a temperatura do ar condicionado da Beyoncé, enfim, nada mais é segredo.

Viajamos e queremos comprar lembranças únicas daquele lugar, bom, além de produtos "made in China" e bugigangas brilhantes, só descobrindo raras lojinhas que vendam algo único. Se proteger disso tudo? Não sei se dá. Afinal, depois que a coisa atinge a cabeça de todos, só passando por uma crise existencial para não usa-la também. Quem quer ser diferente do confortável padrão?

Mas, as ideias que perambulam pela cabeça - aquelas de quem quer ser por um momento, inovador, diferente, notado - acabam ficando lá, as vezes aparecem mais, as vezes se escondem bem no fundo e parecem nunca ter existido... mas, ninguém quer ser sempre o chato "maria vai com as outras".

Podemos mudar aos poucos, se diferenciar, ouvir uma música diferente, usar uma roupa que seja da SUA própria moda, por, simplesmente querer trazer um pouco de sua própria cor para o lugar onde vive.

Não vire um robô americanizado, mude, inove, pense, faça, viva do seu jeito, por mais que todos queiram viver iguais, escute sua música, use as roupas que você quiser, namore quem você tiver vontade, seja amigo de quem te agrada, não de quem te domina, escolha o grupo que mais tenha a ver com você, mas fique de bem com todos, seja feliz como der na telha, dance na chuva, mergulhe no mar, ria e chore e com isso, traga mais cor pra todo mundo. Não deixe que roubem as suas - só suas - ideias.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sem livros de auto-ajuda

Fazia um tempinho que eu não escrevia, eu sei. Sabem como é, escola, tarefas gigantes de matemática, conteúdos novos, essas coisas. Mas, agora, já estou mais adaptada e posso continuar a escrever sempre!
Bom, estou super empolgada para fazer aulas de dança esse ano, dança de salão. Quando eu era menor participei do grupo clichê das meninas que fazem ballet e sonham em ser bailarinas, é a fase passou. Mas, eu sempre gostei de dançar, no chuveiro, na praia (hehe), na sala de tv, no quarto, na chuva, em qualquer lugar que remeta aos filmes românticos de gente que dança.

Amo as artes, em geral, a música, o teatro, a dança, a pintura e quero participar um pouquinho de cada uma delas. Não vejo meu futuro separado dos sonhos coloridos e dançantes, dos desenhos e das peças de teatro, não imagino meu futuro em preto e branco. Quero tudo colorido, feliz, cheio de amigos, de família, de crianças, de sonhos, de música, de cinema, de livros.
Quero ter uma vida cheia de sol, cheia de coisas boas. Sem lemas, sem frases, sem livros de auto-ajuda, só vida. Só alegria, alegria, alegria.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tudo, quase tudo, de novo


O ano começa, com mais uma rodada de alegria, pular as ondas, fazer um pedido, voltar pra casa, dormir, viver o dia seguinte. Passam alguns dias, vem aniversário, com ele os amigos, os presentes, a família, os telefonemas. Aproveitando as férias na ânsia de rever a escola e os amigos todos os dias... no fim, as férias passam mais rápido que uma borboleta e tudo volta ao normal, tudo vira rotina. Começam as aulas, os deveres, as responsabilidades, o cansaço. Mas, a vontade de viver tudo novamente compensa o desânimo de levantar junto com o sol. Passa, um dia, uma semana, um mês, vem os trabalhos e as provas. Mas, logo logo aparecem os primeiros sinais de festa junina e então, ferias de novo. Com férias, talvez uma recuperaçãozinha, mas, tudo bem. Ter pelo menos 2 semanas pra descansar já está ótimo.
As férias de julho que passam como num pisque, terminam e lá vem a rotina se instalar de novo. O alívio são os preparativos para as olimpíadas, reunir a equipe, camiseta, bandeira, hino, coreografia, jogos, é, um alívio entre parênteses. Passa a empolgação de ficar no mais divertido último lugar e é escola de novo. A sombra do final do ano já aparece e com ela o frio na barriga do ano que vem, esse próximo que será o primeiro ano do ensino médio. Até lá, tem um ano inteiro, duas férias, várias semanas, brigas, risadas e feriados, então, por enquanto, vamos aproveitar esse último ano de uma escola que já é quase uma segunda casa, e quando chegar o próximo, aproveita, vai começar tudo, quase tudo, de novo.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Família ê, família a, família!

Minhas férias foram ótimas esse ano, não passaram nem muito rápido, nem tão devagar. Logo depois que as aulas acabaram, veio natal, família, ano novo, festas que a gente tem que fazer aquela social básica com todo mundo. Olha sorrindo pra titia que diz que você está desnutrida, olha sorrindo pra amiga da filha da tia avó que diz que você está mais gordinha que no ano passado, cumprimenta a família inteira durante meia hora e aguenta ficar ouvindo:

- Nossa, mas tá cada vez mais parecida com o pai.
- Cresceu hein? Quantos anos você tem meu bem, 16? (não tia, 14).
- Ah, querida! É a carinha da irmã quando tinha a idade dela!
- Mas, é uma fofinha mesmo né? (Adeus amadas bochechas)
- Oh meu bem, já te apresentei pra sobrinha da minha cunhada?

NÃO!

Mas, sabe, a gente se irrita mesmo, família, a italianada toda reunida e falando alto. Sempre assim. Mas, vai dizer, o que parecia ser uma fingida íntima conversa familiar, acaba desembocando nas fofocas, nas histórias, nas risadas, lamentações, pêsames, mais envolventes possíveis.
E no fim, e a gente vai ver e são 3 horas da manhã e estamos lá, adorando a companhia das titias, da sobrinha da cunhada, da amiga da filha da tia avó, dos primos pequenos que não param de repetir a mesma gracinha enquanto os "babões" batem palmas, dos namorados e namoradas dos primos mais velhos, dos parentes de 3.100 a.C, dos pais, irmãos e amigos da família. Todos envolta da farta mesa de peru, pernil, frutas, panetones, bolos, doces, esperando anciosamente o almoço do dia seguinte para ver todo mundo de novo.