domingo, 29 de janeiro de 2012

Daqui pra tão longe

Tão estranho falar com alguém que está tão longe. Ouvir as suas palavras e vê-las saindo de sua boca, em tempo real. Ouvi-la dizer boa noite e não poder dizer, porque lá ainda está no meio da tarde.
Vou morrer de saudades esse ano! De jogar conversa fora e ligar quando der vontade de chorar, ou de contar alguma coisa. Agora só dá pra conversar se fizer um cálculo de 15 horas pra frente, de noite aqui, de tarde lá, sábado aqui, domingo lá. Nem no ano novo, vai dar pra se falar à meia noite, como foi agora há pouco.
Te amo tanto, menina. E você não imagina a falta que vai fazer na minha vida. Te dei um pedaço de mim naquele presente, pra te ter pertinho aonde quer que você vá. Aproveita esse ano como nunca aproveitou antes. Se divirta nessa tarde de domingo, enquanto eu aqui, durmo, pra acordar quando aí já for segunda-feira. Nunca vou parar de falar contigo, mesmo estando do outro lado desse teu novo mundo, que é todo seu agora.
Um beijo de boa noite daqui. Pra você, já um beijo de boa tarde.
Fica bem, que aqui tudo vai continuar do jeito que você deixou. E como sempre foi.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um tempo ao tempo, e aqui estou!

Resolvi dar um tempo pro mundo, pra deixar ele decidir se passava ou não. Parei de vir aqui todos os dias, fui deixando de lado. Mas, foi bom deixar de lado, pra fazer a vida real mais verdadeira. Agora volto, com as ideias mais claras, menos na lua e agradavelmente mais tranquilas.
A prática de escrever volta logo, logo. Foi tanta coisa que nem se eu quisesse, o tempo estacionaria para eu parar aqui. Ando com saudade de umas pessoas, mas eu sei que elas estão bem e ando me preparando para deixar outras irem, sabendo que vou morrer de saudade.
Tempo de férias é sempre tempo parado, que não gosta de passar. E eu gosto assim. Não tem que seguir os horários de ninguém, é como montar um quebra cabeça das próprias vontades.
Agora vou me dedicar à esse espacinho de novo, voltar a escrever mais. Só que tempo que é tempo faz a gente correr depressa e apesar de ser férias, tem horários que (querendo ou não) a gente tem que cumprir. E eu me despeço por um instante, mas é despedida curta, logo, logo, estou aqui de novo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Blog da Mostra

Fiquei meio longe daqui por um tempo, mas foi por um bom motivo, fui convidada para participar do Blog da Mostra de Cinema Infantil:

http://www.bloguinhodamostra.blogspot.com

Um convite muito especial!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

La danse, les fleurs

Os dois dançavam aquela valsa, mudos e medrosos
Eram dois errantes, duas crianças que acabavam de ver o mundo
Fascinados, amantes
Dançavam como se precisassem provar a sua dança para alguém
Sussuravam - silêncio era imprescindível naquele momento
Suspiravam, gemiam
Tudo era motivo de muito amor, tudo era estar junto de alguém
Eu os admirava por isso
Por viverem apenas o que acontecia naquele momento
Mas, não gostava do jeito com que ignoravam o mundo todo
Eu queria entrar na dança, enquanto eles deslizavam de um lado para o outro
Gritavam, cheiravam à arte, comiam aquela dança
Como se pudesse terminar a qualquer hora
Mas, não pararava nunca e eles sabiam disso
Eu entrei em um frenesi, gritei também
Queria flutuar por aquele chão brilhante de madeira, como eles faziam tão bem
Caí no chão de tanta raiva, de tanta inveja
E eles pararam a dança e estenderam as mãos pra mim
Segurei como alguém que segura uma flor
Cuidei daquela dança dentro de mim
E ela foi crescendo e eu entrei nela, talvez mais do que qualquer um daqueles dois
E a segurava e dançava e vivia assim
Como alguém que ama uma flor,

com todo o amor do mundo.

sábado, 28 de maio de 2011

Meio nada

As coisas andam vindo tão boas pra mim. Tem umas épocas que as marés são tão baixas, digo, na vida mesmo... e que nem sempre a gente consegue segurar o mundo em pé. Mas, ultimamente não, eu me sinto tão bem, tão protegida. Frágil, como me sinto desde que mergulhei de cabeça nessa época onde você não se sente nem criança, nem adulto.
Mas, me sinto amada, me sinto feliz quase o tempo todo. É claro, que em certos momentos, começa o bombardeamento de pensamentos ruins na cabeça e isso vai me desgastando cada vez um pouquinho. Mas, receber um abraço inesperado, ou ouvir um "eu te amo", faz aumentar todos os níveis de energia e felicidade no meu corpo.
Eu escuto algumas pessoas dizerem que elas gostariam de voltar no tempo e viver tudo de novo. Acho que eu nunca quis isso na minha vida, nem com as coisas boas. Quando eu começo a pensar nessa possibilidade, minhas lembranças mais escondidas, começam a trazer imagens de uma dor tão ruim, que eu não tenho a mínima vontade de voltar. Não me arrependo de ter sentido nada daquilo, nunca. Eu sei que só sou assim agora, por todos os momentos bons e ruins que vivi. E é assim que eu me sinto inteira, não ia querer voltar e reaprender a criancice de novo.
Já me senti no fundo do poço, já tive tristezas de adolescente sem explicação. Apesar de saber que é normal, quando dói na gente, dói bem mais.
Fico pensando se todas as pessoas são sensíveis assim, se todo mundo pensa essas coisas, ou chora sozinho por algum motivo que só quem chora entende. Não sei, mas também não invejo isso, não. Acho que cada vez que eu chorei, cada dor que eu senti e cada momento que eu me vi no fundo, bem no fundo do chão, foi bom pra me deixar mais forte e me fazer subir aquele buraco e ver o céu, cada vez mais crescida.
Morro de saudades, da época em que eu não pensava nada disso. Em que eu contava os dias para o meu aniversário, e então, acordava de manhã bem cedo. Via minha mãe, meu pai, minhas tias, minhas irmãs, minha avó ou até a Toninha, arrumando a casa toda e enchendo cada canto daquela decoração que eu tinha escolhido. Já fui Cinderela, Emília, Harry Potter, Mônica, Ursinho, Branca de Neve, já fui tantas caras. E naqueles dias, de manhãs intermináveis, almoços intocados e ansiosidade à mil, eu corria, gritava, pulava, comia brigadeiro e me sentia mais livre do que qualquer um no mundo. No final da festa, dava até uma tristezinha, de ver a casa tão vazia, cheia de fim de brincadeiras, com presentes por todos os lados e restos de sorrisos que passaram por ali. E aí eu me preparava para esperar o próximo aniversário.
Agora, espero, claro. Mas, não é a mesma coisa, não tenho mais vontade de fazer festa, me sinto meio velha, sinto que todos aqueles que brincavam nos meus aniversários, já estão grandes também. E que a gente nunca mais vai convidar um amigo para "brincar lá em casa".
Na rua, eu tenho vontade de gritar para as crianças aproveitarem e viverem ao máximo aquele momento. Sem preocupações, sem provas, sem notas, sem pensamentos complicados, sem muitas tristezas de gente meio criança e meio adulto. É bom, mas é difícil. Sei que é importante pra mim e pra todos que passam por isso. E eu nunca, nunquinha voltaria no tempo.

Mas, por enquanto, só sei que estou muito, muito feliz.